O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (3 de agosto de 2025) a intenção de criar um sistema de distribuição de dividendos sociais com base nas receitas obtidas por meio das tarifas impostas a produtos de países parceiros. O foco, segundo ele, seria beneficiar norte-americanos de renda média e baixa, em um esforço para transformar o retorno das políticas comerciais em impacto direto à população.
Trump quer distribuir parte da arrecadação das tarifas para famílias mais vulneráveis
O presidente dos EUA, Donald Trump, estuda distribuir receita de tarifas a famílias pobres; Brasil segue como maior alvo das medidas.
“Pode haver uma distribuição ou um dividendo para o povo de nosso país, eu diria que para as pessoas de renda média e baixa, poderíamos fazer um dividendo”, declarou Trump a jornalistas, durante uma conversa em Nova Jersey.
A fala ocorre dias após o presidente republicano anunciar um novo pacote tarifário com abrangência sobre mais de 60 países. Embora o Brasil tenha obtido isenção para 43% dos produtos inicialmente listados, ainda permanece como o país com maior alíquota, chegando a 50% sobre exportações destinadas aos EUA.
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Receita alfandegária atinge recorde

As tarifas internacionais implementadas pela atual gestão já geraram US$ 152 bilhões aos cofres norte-americanos em 2025, de acordo com dados oficiais do Tesouro dos EUA. Este montante representa a primeira vez que o país ultrapassa os US$ 100 bilhões em um único ano fiscal com arrecadação tarifária e de impostos especiais. A informação foi divulgada pela agência Reuters.
A equipe econômica de Trump considera esses valores uma comprovação do êxito da atual política comercial. O próprio secretário do Tesouro, Scott Bessent, celebrou o resultado em sua conta na plataforma X (antigo Twitter), afirmando que os EUA estão “colhendo os frutos” da estratégia protecionista adotada desde o início do mandato.
Distribuição ainda sem detalhes
Apesar da proposta de dividir parte da arrecadação com a população mais vulnerável, Trump não apresentou detalhes concretos sobre como esse sistema funcionaria na prática. Não há informações sobre quando o programa começaria a operar, quais seriam os critérios de elegibilidade, nem se a iniciativa dependerá de aprovação legislativa.
Essa indefinição, no entanto, não impediu o presidente de reforçar a narrativa de que sua política tarifária representa um ganho direto para a população:
“A boa notícia é que as tarifas estão trazendo bilhões de dólares para os EUA!”, escreveu Trump em sua rede Truth Social, em tom de comemoração após a divulgação do último relatório de emprego.
Tarifa como política social e econômica
A ideia de usar tarifas de importação como mecanismo de redistribuição de renda não é inédita na história dos EUA, mas raramente foi aplicada com foco em transferências diretas à população. No caso da proposta atual, o objetivo seria também compensar o déficit provocado pelos cortes de impostos aprovados anteriormente pelo Congresso, que devem gerar impacto de ao menos US$ 3,4 trilhões nos cofres públicos.
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A proposta de Trump pode ser vista como uma resposta à pressão crescente sobre sua gestão para encontrar soluções de equilíbrio fiscal sem reverter medidas populares como os cortes de impostos. Ao apresentar as tarifas como fonte de receita “socialmente útil”, o governo tenta blindar-se de críticas sobre sua política externa e comercial, frequentemente acusada de gerar tensões diplomáticas.
Brasil é o país mais afetado

Na nova rodada de tarifas, o Brasil voltou a ser o maior alvo, com uma taxa de 50% sobre certos produtos exportados ao mercado norte-americano. O percentual foi mantido mesmo com a isenção parcial obtida para outros itens. O gesto é interpretado por analistas como uma medida punitiva, reflexo das recentes tensões diplomáticas entre os dois países.
A relação entre os EUA e o Brasil tem se desgastado desde a troca de correspondências entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em carta recente, o líder norte-americano classificou ações brasileiras como ameaças à “segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.
Com informações de: Poder360
