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Trump usa discurso na ONU para destacar economia dos EUA e reforçar poder militar

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 11 min de leitura
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou nesta terça-feira (22) na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Em uma fala de cerca de 37 minutos, o republicano apresentou um balanço de seu governo, defendeu ações militares recentes e abordou temas como a guerra com o Irã, Venezuela, Cuba, inteligência artificial, imigração e o futuro da própria ONU.

O discurso ocorreu em um momento de forte tensão internacional. A guerra entre Estados Unidos e Irã, os conflitos no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as disputas envolvendo o sistema multilateral estão entre os principais assuntos da atual Assembleia Geral. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também advertiu nesta semana que o mundo atravessa um período de grande instabilidade e que o poder militar, sozinho, não é suficiente para garantir a paz.

Trump aproveitou o espaço para apresentar sua política externa como uma estratégia baseada no uso do poder americano e fez uma série de afirmações sobre indicadores econômicos, segurança e resultados militares de seu governo.

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O que Trump disse sobre a economia dos Estados Unidos

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Na primeira parte do discurso, Trump apresentou uma série de números positivos sobre a economia americana. Segundo o presidente, mais de 1 milhão de empregos privados foram criados desde o início de seu mandato e o número de americanos empregados teria atingido um recorde.

Trump também afirmou que a pobreza nos Estados Unidos alcançou o menor nível da história e que aproximadamente 1,5 milhão de pessoas deixaram essa condição no último ano. Ele mencionou ainda resultados que, segundo sua apresentação, seriam recordes entre as populações afro-americana e hispânica.

Outro dado citado pelo presidente foi a renda familiar média real, que ele afirmou ter chegado a US$ 87 mil.

Trump também destacou os investimentos anunciados para os Estados Unidos e os resultados do mercado financeiro. Segundo ele, empresas e governos estrangeiros teriam se comprometido com US$ 21 trilhões em novos investimentos no país.

Esses números fazem parte da apresentação feita pelo próprio presidente durante o discurso e devem ser diferenciados de dados econômicos independentes ou de estatísticas oficiais utilizadas para medir cada indicador.

Guerra com o Irã dominou a parte internacional do discurso

A guerra entre Estados Unidos e Irã foi um dos principais assuntos abordados por Trump.

O presidente defendeu a decisão de iniciar a ofensiva contra o governo iraniano e afirmou que as ações americanas teriam enfraquecido significativamente as capacidades militares e nucleares do país.

Trump disse que os Estados Unidos destruíram o programa nuclear iraniano e afirmou que grande parte da estrutura militar do país foi eliminada. Entre as declarações feitas pelo presidente estão alegações sobre a destruição de navios, aeronaves, radares, sistemas de defesa aérea e instalações relacionadas à produção de mísseis e drones.

Durante a fala, a delegação iraniana deixou o plenário enquanto Trump criticava o governo de Teerã.

Trump fala em acordo ou escalada militar

Apesar do tom duro, Trump afirmou que ainda existe uma possibilidade de negociação.

O presidente declarou que enfrenta uma decisão entre buscar um acordo que permita ao Irã se reconstruir ou intensificar a ofensiva militar. Ele também pediu que o Irã reabra completamente o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.

Horas depois do discurso, Trump afirmou a jornalistas que acredita que um acordo com o Irã pode ser alcançado e disse que representantes dos dois países estavam conversando.

A guerra já tem impacto sobre a economia internacional, especialmente por causa da importância do Estreito de Ormuz para o comércio de energia.

Venezuela também apareceu entre os exemplos usados por Trump

Trump apresentou a operação que retirou Nicolás Maduro do poder na Venezuela como um exemplo da disposição dos Estados Unidos de utilizar força militar no hemisfério ocidental.

O presidente afirmou que Washington não permitirá que ameaças contra os Estados Unidos criem bases na região e disse que poderá usar o poder militar americano para proteger os interesses considerados estratégicos pelo governo.

Atualmente, Delcy Rodríguez ocupa a presidência interina da Venezuela e participa da Assembleia Geral da ONU. Ela também está envolvida em negociações com instituições internacionais sobre dívida, energia, mineração e recuperação econômica do país.

Trump também defendeu uma política mais agressiva contra organizações criminosas e comparou cartéis de drogas ao Estado Islâmico (ISIS).

Cuba é apontada como novo foco da política americana

Um dos trechos de maior repercussão foi a declaração de Trump sobre Cuba.

O presidente afirmou que seu governo busca uma “mudança fundamental” no país e classificou o Estado cubano como falido. Segundo Trump, o regime estaria enfrentando a maior pressão de sua história e sua queda seria iminente.

“Liberdade virá para Cuba”, afirmou o presidente durante o discurso.

A declaração provocou a saída da delegação cubana do plenário da Assembleia Geral.

Trump também acusou o governo cubano de manter relações com organizações de esquerda nos Estados Unidos. Entre os grupos mencionados pelo presidente estavam o Partido Comunista dos Estados Unidos, o Antifa e os Socialistas Democráticos da América.

O secretário de Estado, Marco Rubio, segundo Trump, estaria diretamente envolvido nas negociações relacionadas a Cuba.

A pressão americana sobre Havana ocorre em meio a uma política de longa duração de sanções e embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba, vigente há mais de seis décadas.

Trump defende política mais dura contra cartéis no continente

A política para o hemisfério ocidental ocupou espaço significativo no discurso.

Trump afirmou que os Estados Unidos estão retomando uma postura de maior protagonismo na região e defendeu o uso de força contra organizações criminosas classificadas pelo governo americano como terroristas.

O presidente também criticou a situação no México e afirmou que o governo mexicano precisa recuperar o controle de áreas dominadas por cartéis.

A estratégia está relacionada à chamada coalizão Shield of the Americas, criada pelo governo americano para ampliar a cooperação entre países do continente no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado. Brasil e México estão entre os países que não fazem parte da iniciativa.

Trump quer chamar inteligência artificial de “superinteligência”

A inteligência artificial também apareceu no discurso.

Trump defendeu o desenvolvimento da tecnologia e afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China nessa área. O presidente disse ainda que não pretende adotar medidas que, em sua avaliação, possam impedir o crescimento do setor.

Um dos pontos mais incomuns da fala foi a proposta de utilizar a expressão “superinteligência” em vez de inteligência artificial.

Trump criticou o que classificou como previsões alarmistas sobre os riscos da tecnologia e afirmou que os Estados Unidos precisam liderar seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, disse que órgãos de segurança e aplicação da lei acompanharão o setor para lidar com eventuais riscos.

A declaração ocorre em meio ao debate internacional sobre como governos devem regulamentar sistemas de inteligência artificial, incluindo questões relacionadas à segurança, privacidade, emprego e concentração de poder tecnológico.

Trump critica a ONU e defende cortes na organização

O próprio funcionamento da ONU também foi alvo de críticas.

Trump afirmou que sua administração trabalha para reduzir despesas e o tamanho da estrutura burocrática da organização. Segundo ele, os Estados Unidos promoveram mudanças que incluem redução de 15% no orçamento previsto para 2026 e eliminação de mais de 4 mil cargos.

O presidente também criticou o que chamou de influência de “burocratas globalistas” e rejeitou iniciativas internacionais que possam criar impostos globais.

A posição representa uma continuidade das críticas de Trump ao modelo multilateral e ao volume de recursos destinado pelos Estados Unidos a organismos internacionais.

O Debate Geral da ONU ocorre entre 22 e 28 de setembro de 2026 e reúne representantes dos 193 Estados-membros. O tema oficial desta edição é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

Presidente também critica o Tribunal Penal Internacional

Trump voltou a atacar o Tribunal Penal Internacional (TPI), instituição com sede em Haia responsável por investigar e julgar indivíduos acusados de crimes internacionais previstos em seu Estatuto de Roma.

O presidente afirmou que os Estados Unidos não aceitarão que militares americanos sejam submetidos à jurisdição do tribunal e pediu que países membros deixem a instituição.

A posição americana em relação ao TPI é uma questão antiga. Os Estados Unidos não são parte do Estatuto de Roma, tratado que criou o tribunal.

Ucrânia e Rússia também foram mencionadas

A guerra entre Rússia e Ucrânia foi outro assunto abordado.

Trump afirmou que mantém contatos com os governos dos dois países e declarou acreditar que será possível chegar a um acordo.

A fala ocorreu enquanto o conflito continua sem uma solução definitiva. O presidente não apresentou, durante o discurso, detalhes de um eventual acordo ou um cronograma específico para o fim da guerra.

Agenda de Trump inclui encontros com outros líderes

O discurso abriu uma agenda diplomática movimentada em Nova York.

Após a participação na Assembleia Geral, Trump se reuniu com o primeiro-ministro britânico Andy Burnham e com a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi. Também estavam previstos encontros com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Trump também assinou um acordo de segurança envolvendo Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia. O entendimento prevê a possibilidade de ampliação da presença militar americana no território, que permanece sob soberania dinamarquesa.

A programação ocorre em uma semana na qual líderes de mais de uma centena de países estão em Nova York para discutir conflitos, economia, segurança e cooperação internacional.

O que o discurso de Trump representa para a política externa dos EUA

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A fala apresentou uma visão de política externa centrada na capacidade americana de exercer pressão econômica e militar.

Irã, Venezuela, Cuba e organizações criminosas foram tratados por Trump como exemplos de situações nas quais os Estados Unidos estariam dispostos a utilizar seu poder para proteger interesses considerados estratégicos.

Ao mesmo tempo, o presidente combinou ameaças de escalada militar com declarações favoráveis à negociação, especialmente no caso do Irã.

O discurso também reforçou a defesa de uma atuação americana menos dependente de organismos multilaterais. Essa posição aparece tanto nas críticas à ONU quanto na oposição ao Tribunal Penal Internacional e às propostas de mecanismos tributários internacionais.

Para os demais países reunidos na Assembleia Geral, as declarações acontecem em um momento de crescente tensão internacional. A própria ONU estabeleceu como tema desta edição a necessidade de recuperar a confiança e adaptar as instituições aos desafios globais.

Conclusão

O discurso de Donald Trump na ONU combinou balanço econômico, defesa de ações militares e uma apresentação das principais prioridades de sua política externa.

O Irã ocupou o centro da fala, com Trump defendendo a ofensiva americana, mas mantendo aberta a possibilidade de um acordo. Na América Latina, Venezuela e Cuba receberam atenção especial, com o presidente indicando que Washington pretende manter uma política de forte pressão sobre governos e organizações consideradas ameaçadoras aos interesses americanos.

A inteligência artificial apareceu como outra prioridade estratégica, enquanto a própria ONU e o Tribunal Penal Internacional foram novamente criticados pelo presidente.

As declarações feitas durante o discurso devem ser diferenciadas de dados e avaliações independentes. Parte relevante dos números econômicos e militares apresentados por Trump corresponde à versão de seu próprio governo e pode exigir verificação específica conforme cada indicador.

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