O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, defendeu a segurança e a credibilidade do sistema eletrônico de votação brasileiro durante a Corrida pela Democracia, realizada neste domingo (9), em Brasília.
O evento encerrou a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, iniciativa da Justiça Eleitoral voltada à conscientização sobre o funcionamento das urnas e os mecanismos de fiscalização das eleições. Cerca de 900 pessoas participaram da primeira edição da corrida, segundo o TSE.
Durante o evento, Nunes Marques afirmou que desacreditar o sistema de votação significa “desconvidar o eleitor a participar da maior festa democrática” do Brasil. O ministro também destacou que a confiança nas urnas foi construída ao longo de três décadas por meio de aperfeiçoamentos tecnológicos e de mecanismos de fiscalização e auditoria.
A declaração ocorre a menos de dois meses do primeiro turno das eleições gerais de 2026 e em meio à retomada do debate político sobre a segurança das urnas eletrônicas.
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O que Nunes Marques disse sobre as urnas

Ao defender o sistema eletrônico de votação, o presidente do TSE ressaltou que a segurança das eleições não depende apenas da tecnologia utilizada nas urnas.
Segundo a Justiça Eleitoral, existem diferentes procedimentos de fiscalização que permitem verificar o funcionamento dos equipamentos e dos sistemas utilizados durante o processo eleitoral.
A declaração de Nunes Marques faz parte de uma série de ações do TSE para ampliar a divulgação de informações sobre o processo de votação antes das eleições. No início de agosto, o ministro afirmou que a Justiça Eleitoral está trabalhando para garantir eleições seguras e transparentes.
A Corte também vem adotando medidas específicas para enfrentar a circulação de desinformação durante o período eleitoral, incluindo ações voltadas às plataformas digitais e a conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial.
Como as urnas eletrônicas são fiscalizadas
A fiscalização ocorre em diferentes etapas e pode envolver órgãos da própria Justiça Eleitoral, entidades fiscalizadoras e outros participantes autorizados.
Um dos principais mecanismos é o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas. Nele, votos previamente registrados em cédulas de papel são inseridos na urna e, posteriormente, o resultado produzido pelo equipamento é comparado com os votos que deveriam ter sido contabilizados.
A finalidade é verificar se a urna registra e contabiliza corretamente os votos inseridos durante o teste. O procedimento está previsto na regulamentação do TSE.
Além desse procedimento, os Tribunais Regionais Eleitorais realizam, por amostragem, verificações de autenticidade e integridade dos sistemas instalados nas urnas no próprio dia da votação.
O que é o Teste de Integridade com Biometria?
Para as eleições de 2026, o TSE incorporou à regulamentação uma modalidade de auditoria que utiliza a biometria de eleitoras e eleitores voluntários.
Nesse procedimento, pessoas que já votaram podem ser convidadas a participar do teste. Quem aceitar precisa autorizar formalmente o uso da biometria para habilitar a urna utilizada na auditoria.
A mudança foi incorporada à regulamentação do TSE em 2026, reforçando as regras para a realização e documentação dos testes. A norma também determina a publicação dos relatórios individuais de auditoria e de um relatório consolidado após as eleições.
O eleitor pode acompanhar a fiscalização?
Sim. Os procedimentos de auditoria possuem regras de transparência e fiscalização pública.
A regulamentação estabelece que os trabalhos de auditoria relacionados à verificação dos sistemas de transmissão e dos dados eleitorais são públicos e podem ser acompanhados por pessoas interessadas, respeitadas as regras de acesso aos locais e às áreas destinadas aos procedimentos técnicos.
No caso do Teste de Integridade com Biometria, os locais também são identificados e existem regras específicas para a participação de eleitores voluntários.
A ideia é permitir que diferentes etapas do processo possam ser verificadas sem comprometer a segurança das operações.
Por que o assunto voltou ao debate eleitoral?
A segurança das urnas voltou a ganhar espaço no debate político brasileiro durante a preparação para as eleições de 2026.
O tema passou a receber atenção adicional depois de declarações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro sobre a possibilidade de participação de observadores estrangeiros no processo eleitoral.
Em encontro com embaixadores, o senador defendeu o envio do maior número possível de observadores para acompanhar as eleições e afirmou que essas pessoas deveriam ter conhecimento sobre a tecnologia utilizada no processo de votação.
Posteriormente, Flávio Bolsonaro declarou que não estava questionando a integridade do sistema eleitoral brasileiro, mas defendendo o acompanhamento internacional do pleito.
Observadores estrangeiros podem acompanhar as eleições?
A presença de observadores internacionais não é, por si só, uma novidade nem significa que exista uma suspeita oficial de fraude.
O próprio sistema eleitoral brasileiro prevê a participação de Missões de Observação Eleitoral. Essas missões podem acompanhar determinadas etapas do processo eleitoral dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Assim, a defesa da presença de observadores internacionais e a existência de mecanismos de auditoria são questões diferentes. A observação externa pode funcionar como instrumento adicional de acompanhamento e transparência, enquanto as auditorias previstas pelo TSE verificam aspectos técnicos e operacionais do sistema.
Quem é Kassio Nunes Marques?
Kassio Nunes Marques é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral.
Ele foi eleito pelo plenário do TSE para comandar a Corte durante o ciclo eleitoral de 2026.
Nunes Marques chegou ao STF em 2020, após ser indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro e aprovado pelo Senado Federal.
A trajetória política de sua indicação ganhou relevância no contexto atual porque o ministro hoje ocupa a Presidência do TSE justamente durante uma eleição em que integrantes do campo político associado ao ex-presidente Bolsonaro participam da disputa.
Isso, entretanto, não altera as competências institucionais atribuídas ao presidente do TSE pela legislação eleitoral.
O que muda para o eleitor nas eleições de 2026?
Na prática, o eleitor não precisa realizar nenhuma etapa adicional para que seu voto seja protegido pelos mecanismos de segurança e auditoria previstos pela Justiça Eleitoral.
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As verificações são organizadas pelos Tribunais Regionais Eleitorais e pelo TSE, seguindo regras previamente estabelecidas.
Para o eleitor, uma das principais mudanças é a maior divulgação dos procedimentos de auditoria e segurança. A regulamentação de 2026 ampliou mecanismos de transparência, incluindo a divulgação das urnas submetidas a auditoria.
Também será possível acompanhar informações oficiais sobre o processo eleitoral diretamente nos canais da Justiça Eleitoral.
O que o eleitor deve fazer diante de dúvidas sobre as urnas?
A recomendação mais segura é verificar a origem da informação antes de compartilhá-la.
Vídeos, capturas de tela e mensagens encaminhadas pelas redes sociais podem apresentar informações antigas, fora de contexto ou manipuladas. Em 2026, a preocupação aumenta diante da utilização de inteligência artificial para produzir conteúdos capazes de simular pessoas, acontecimentos e declarações.
O eleitor pode recorrer às informações divulgadas pelo TSE e pelos Tribunais Regionais Eleitorais para conferir alegações sobre as urnas e o processo de votação.
A Justiça Eleitoral também vem ampliando iniciativas de comunicação e combate à desinformação diante da proximidade das eleições.
O que acontece até as eleições?
A Justiça Eleitoral continuará executando as etapas previstas no calendário eleitoral e os procedimentos de preparação, fiscalização e auditoria do sistema.
Entre as medidas previstas estão os testes de integridade, a verificação dos sistemas e os procedimentos de segurança das urnas.
Ao mesmo tempo, o TSE mantém ações voltadas à transparência e ao combate à desinformação. As plataformas digitais também estão sujeitas a regras específicas de conformidade eleitoral durante o período de campanha.
O debate sobre a confiabilidade das urnas deve continuar ao longo da campanha eleitoral. Para o eleitor, compreender como os mecanismos de fiscalização funcionam permite avaliar questionamentos sobre o sistema com base em informações verificáveis.
O que saber sobre a segurança das urnas em 2026

O sistema eletrônico de votação será submetido a diferentes procedimentos de fiscalização nas eleições de 2026. Entre eles estão o Teste de Integridade, a modalidade com biometria e a verificação de autenticidade e integridade dos sistemas instalados nas urnas.
A declaração de Kassio Nunes Marques ocorre justamente durante uma campanha institucional do TSE para explicar esses mecanismos e reforçar a confiança no processo eleitoral.
O debate político, por sua vez, ganhou novo capítulo com os questionamentos feitos por Flávio Bolsonaro e a defesa da presença de observadores estrangeiros.
Para o eleitor, a principal orientação é acompanhar as informações oficiais e diferenciar questionamentos políticos de evidências técnicas sobre o funcionamento das urnas.
Conclusão
A discussão sobre a segurança das urnas deve continuar no centro do debate eleitoral à medida que as eleições de 2026 se aproximam. Enquanto o TSE reforça os mecanismos de auditoria e fiscalização, cabe ao eleitor buscar informações em fontes confiáveis e evitar compartilhar conteúdos sem comprovação. Assim, o debate sobre o sistema de votação pode ocorrer com transparência, responsabilidade e base em fatos verificáveis.



