O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julga nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, a partir das 14h30, o dissídio coletivo de greve envolvendo a Caixa Econômica Federal e seus empregados. A paralisação nacional começou em 10 de setembro, depois que as negociações para renovar o acordo coletivo não chegaram a um consenso.
O principal ponto de divergência está relacionado ao Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. O acordo coletivo anterior terminou em 31 de agosto, e a disputa foi levada à Justiça do Trabalho pela instituição financeira após o impasse nas negociações.
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O dissídio coletivo é um instrumento utilizado para levar à Justiça do Trabalho um conflito coletivo que não foi solucionado diretamente entre as partes. Neste caso, a Caixa ajuizou o processo contra as entidades que representam seus trabalhadores, entre elas a Contraf-CUT e a Contec.
A discussão não envolve apenas a continuidade da paralisação. O tribunal também poderá analisar as condições relacionadas ao conflito trabalhista e os pontos submetidos ao processo.
Do lado dos empregados, as entidades sindicais sustentam que a greve é legítima e que houve uma série de tentativas de negociação antes da judicialização. Entre as alegações apresentadas está a realização de rodadas de negociação, mediação e assembleias da categoria.
A Caixa, por sua vez, apontou a ausência de consenso sobre o novo modelo de custeio do Saúde Caixa como uma das razões para o impasse. Em proposta rejeitada pelos trabalhadores, o banco havia sugerido elevar de 6,5% para 9% da folha o teto de participação da instituição no custeio do plano a partir de 2027.
TST já determinou percentual mínimo durante a greve
Antes do julgamento desta terça-feira, o TST tomou uma decisão liminar que estabeleceu regras para o funcionamento da Caixa durante a paralisação.
O ministro Mauricio Godinho Delgado determinou que pelo menos 60% dos empregados da Caixa permaneçam em atividade por agência, presencialmente ou de forma remota. A decisão prevê multa diária de R$ 100 mil à entidade sindical em caso de descumprimento.
A Caixa havia solicitado que 80% do efetivo permanecesse trabalhando. O percentual definido pelo tribunal ficou abaixo do pedido do banco, mas estabeleceu um contingente mínimo para preservar atividades consideradas relevantes durante a greve.
A liminar encerra a greve?
Não. A decisão estabelece parâmetros para o funcionamento dos serviços enquanto a paralisação continua, mas não representa, por si só, o encerramento do movimento.
O julgamento desta terça-feira pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST é uma etapa diferente e poderá definir os próximos parâmetros jurídicos para o conflito.
A mesma decisão liminar também manteve provisoriamente as cláusulas do acordo coletivo anterior até a decisão definitiva sobre o caso.
Como ficam os clientes da Caixa durante a paralisação
Para os clientes, a greve não significa que todas as operações bancárias deixam de funcionar. Serviços digitais, caixas eletrônicos e outros canais de atendimento continuam sendo alternativas para diversas operações.
Pagamentos, transferências, consultas e movimentações que possam ser feitas pelo aplicativo ou internet banking não dependem necessariamente do atendimento de funcionários dentro das agências.
Quem precisa comparecer presencialmente deve verificar previamente o funcionamento da unidade e, quando possível, utilizar canais alternativos para evitar deslocamentos desnecessários.
Também é importante lembrar que contas, boletos e parcelas não deixam de vencer por causa da greve. O consumidor deve procurar meios disponíveis para quitar os compromissos dentro do prazo.
O que pode acontecer depois do julgamento
O TST poderá analisar o conflito e estabelecer os parâmetros aplicáveis à greve, além de avaliar as questões apresentadas no dissídio. Também pode haver espaço para uma solução negociada entre Caixa e trabalhadores durante o processo.
O resultado não deve ser confundido com uma decisão automática sobre todos os aspectos do futuro acordo coletivo. Questões trabalhistas e econômicas submetidas ao tribunal dependem do que estiver efetivamente incluído no processo e da decisão dos ministros.
Por isso, a situação dos empregados pode mudar após o julgamento, mas o impacto concreto dependerá do conteúdo da decisão e das medidas adotadas posteriormente pelas partes.
Por que o Saúde Caixa é o principal ponto de conflito

O plano de saúde ganhou destaque nas negociações porque o modelo de custeio afeta diretamente empregados e dependentes. A proposta apresentada pela Caixa previa alteração no limite de participação da instituição no financiamento do plano.
Os trabalhadores rejeitaram a proposta e mantiveram a paralisação. Segundo a Agência Brasil, mais de 90% das bases sindicais rejeitaram uma das propostas apresentadas durante o processo de negociação.
A disputa, portanto, envolve tanto a renovação do acordo coletivo quanto as regras que deverão orientar o Saúde Caixa nos próximos anos.
Imagem gerada por IA
