O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (27) o decreto que regulamenta a TV 3.0 no Brasil, também chamada de DTV+. Trata-se da nova geração da televisão aberta e gratuita brasileira, que promete transformar a forma como o público assiste aos conteúdos, unindo qualidade, interatividade e personalização.
TV 3.0 no Brasil: Lula assina decreto com regras; confira!
Lula assina decreto que regulamenta a TV 3.0 no Brasil; sistema traz mais qualidade, interatividade e personalização.
Segundo o Palácio do Planalto, a medida define o padrão tecnológico a ser adotado pelas emissoras, iniciando uma transição que deve marcar a maior modernização da TV aberta desde a chegada da TV digital em 2007.
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O que muda com a TV 3.0?

A DTV+ permitirá transmissões em 4K e até 8K, com som imersivo e recursos avançados de acessibilidade. Além disso, a integração com a internet tornará possível oferecer serviços interativos, personalização de conteúdos e até novas formas de publicidade.
De acordo com o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, o processo será gradual:
“Com a TV 3.0, será possível voltar o programa, conversar com outros espectadores e comprar o produto que aparece na novela. Os conteúdos e anúncios poderão se adaptar à região e preferências das pessoas, sempre respeitando a legislação”, disse.
O governo garantiu que não haverá necessidade de trocar aparelhos de imediato, já que haverá um período de convivência entre diferentes tecnologias.
Fases de implantação
- 2025: conclusão da fase preparatória.
- 2026: início das transmissões nas grandes capitais, com lançamento previsto para coincidir com a Copa do Mundo.
- 15 anos: prazo estimado para que o sistema atinja todo o território nacional.
Segundo o diretor-presidente da Globo, Paulo Marinho, a estreia será histórica:
“É um momento histórico muito importante a evolução tecnológica da TV aberta, inovando, avançando em qualidade e na entrega de um conteúdo relevante para toda a população brasileira.”
Uma “verdadeira revolução”
O presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Flávio Lara Resende, classificou o novo sistema como uma “verdadeira revolução”, capaz de manter a TV aberta competitiva frente às plataformas digitais.
“Com a plena integração entre os conteúdos transmitidos pelo ar e aqueles disponibilizados pela internet, a TV 3.0 oferecerá uma experiência personalizada e interativa”, disse.
A Abert estima que a implantação demandará cerca de R$ 11 bilhões em investimentos privados nos próximos 15 anos, sendo R$ 2 bilhões apenas em transmissão.
Padrão técnico adotado
O decreto definiu a adoção da tecnologia ATSC 3.0, considerada um dos sistemas de transmissão digital mais avançados do mundo. Esse padrão engloba:
- Camada física e transporte de dados,
- Áudio, vídeo e legendas,
- Interatividade e mensagens de emergência,
- Segurança digital,
- Serviços de datacasting.
O modelo foi recomendado pelo Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD), que reúne universidades, radiodifusores, fabricantes e centros de pesquisa. A Anatel ficará responsável pelo planejamento das frequências para a transição.
Mais acessibilidade e inclusão
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, destacou que o Brasil é um dos países que mais consome televisão aberta no mundo, com média de 5 horas por dia. Para ele, a nova tecnologia trará ganhos de inclusão e acessibilidade.
“Será possível ter canais com áudios diferentes para que as pessoas com deficiência possam se informar e se divertir com toda a família. A nova TV digital terá bem mais opções e funções para o cidadão, imagens melhores, som melhor, mais opções para o telespectador e para os anunciantes.”
O papel da internet na TV 3.0
Embora o acesso à TV 3.0 não exija internet, a conectividade será um diferencial. Graças a ela, será possível assistir conteúdos sob demanda, interagir com programas ao vivo e até realizar compras pela tela.
O presidente do Fórum SBTVD, Raymundo Barros, explicou que a TV passará a funcionar de forma semelhante a aplicativos de streaming:
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+311 mil seguidores
“Com o novo modelo, os canais tornam-se aplicativos, o que permitirá mais interatividade e personalização, serviços de governo digital, publicidade segmentada e e-commerce.”
Experiência ampliada para o público
Entre as novidades previstas, os espectadores poderão:
- Voltar programas em tempo real;
- Interagir com outros telespectadores durante transmissões;
- Acessar conteúdos extras e sob demanda;
- Receber anúncios e recomendações personalizadas;
- Usar a TV para serviços de governo digital.
Além disso, a tecnologia garantirá mais segurança na transmissão de mensagens de emergência, tornando o sistema um instrumento de utilidade pública.
Um projeto de longo prazo

A regulamentação é fruto de anos de pesquisas e debates conduzidos pelo Ministério das Comunicações com a participação de acadêmicos, empresas de tecnologia e emissoras.
O objetivo é preparar a indústria e os consumidores para uma transição gradual, sem rupturas, garantindo a continuidade do acesso gratuito e universal ao conteúdo da TV aberta.
Repercussão política
Embora não tenha discursado durante a cerimônia, o presidente Lula destacou o empenho do ministro Sidônio Palmeira e do fotógrafo Ricardo Stuckert para a assinatura do decreto.
O governo aposta que a modernização ajudará a manter a TV aberta como principal meio de informação e entretenimento para a população, ao mesmo tempo em que cria um ambiente de inovação e novos negócios.
Com informações de: EXTRA
