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Novo sistema europeu de pagamentos tem semelhanças com o Pix; veja como funcionará

Entenda como funcionará o euro digital inspirado no Pix, quando será lançado, quem poderá usar e por que a Europa busca mais autonomia financeira.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
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A União Europeia avança no desenvolvimento do euro digital, uma versão eletrônica da moeda oficial do bloco que poderá transformar a forma como consumidores e empresas realizam pagamentos. O projeto, conduzido pelo Banco Central Europeu (BCE), tem chamado atenção por incorporar características semelhantes às do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

A iniciativa ganhou força em meio às discussões sobre soberania financeira e à elevada dependência da Europa de empresas privadas estrangeiras, como Visa, Mastercard, Apple Pay, Google Pay e PayPal, responsáveis por grande parte dos pagamentos eletrônicos no continente. Se o cronograma for mantido, a nova modalidade deverá estar disponível até 2029.

Ao longo deste artigo, você entenderá por que o BCE está desenvolvendo o euro digital, como ele funcionará, quais são as diferenças em relação ao Pix e quais impactos a novidade pode trazer para consumidores, empresas e turistas.

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Por que a União Europeia quer criar o euro digital?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O principal objetivo do projeto é ampliar a autonomia do sistema financeiro europeu. Atualmente, aproximadamente dois terços das transações eletrônicas realizadas na União Europeia dependem de plataformas controladas por empresas estrangeiras, principalmente dos Estados Unidos.

Para autoridades europeias, essa concentração representa um desafio estratégico. Além dos aspectos comerciais, existe a preocupação de que a infraestrutura de pagamentos fique excessivamente sujeita a decisões tomadas fora do continente.

Ao desenvolver uma solução própria, administrada pelo Banco Central Europeu, a União Europeia pretende oferecer uma alternativa pública, segura e integrada aos atuais meios de pagamento.

Outro fator que impulsiona o projeto é o avanço das moedas digitais emitidas por bancos centrais em diversos países, conhecidas internacionalmente como CBDCs (Central Bank Digital Currencies).

O que é o euro digital?

O euro digital será uma versão eletrônica da moeda emitida pelo Banco Central Europeu.

Diferentemente das criptomoedas, como Bitcoin, o euro digital terá emissão e controle da autoridade monetária europeia, mantendo o mesmo valor do dinheiro físico.

Na prática, ele funcionará como dinheiro em formato digital, podendo ser utilizado em pagamentos cotidianos sem depender exclusivamente dos sistemas tradicionais operados por empresas privadas.

Segundo o BCE, o objetivo não é substituir as cédulas e moedas, mas oferecer uma nova opção de pagamento para cidadãos e empresas.

Como o projeto se inspira no Pix brasileiro?

O Pix se tornou uma referência internacional após revolucionar os pagamentos no Brasil desde seu lançamento, em 2020.

Assim como o sistema brasileiro, o euro digital pretende tornar as transações mais rápidas, acessíveis e disponíveis para toda a população.

A inspiração está principalmente em alguns princípios adotados pelo Banco Central do Brasil:

  • infraestrutura pública administrada pelo banco central;
  • liquidação rápida das operações;
  • ampla integração entre instituições financeiras;
  • facilidade para pagamentos entre pessoas e empresas.

Apesar das semelhanças, os dois modelos possuem objetivos diferentes.

Enquanto o Pix é um sistema de pagamentos instantâneos que movimenta dinheiro existente nas contas bancárias, o euro digital será uma forma digital da própria moeda oficial europeia.

O que muda na prática para consumidores?

O projeto prevê que o euro digital possa ser utilizado em praticamente todas as situações do dia a dia.

Entre as funcionalidades previstas estão:

  • compras em lojas físicas;
  • pagamentos em sites e aplicativos;
  • transferências entre pessoas;
  • pagamentos por smartphones e outros dispositivos móveis;
  • utilização em estabelecimentos comerciais participantes.

A expectativa é que o sistema funcione de maneira integrada em todos os países da zona do euro, facilitando pagamentos entre diferentes nações que utilizam a moeda europeia.

Pagamentos poderão funcionar até sem internet

Uma das funções mais inovadoras previstas pelo Banco Central Europeu é a possibilidade de realizar pagamentos offline.

Nesse modelo, consumidores poderão concluir determinadas operações mesmo quando não houver conexão com a internet.

A tecnologia ainda está em desenvolvimento, mas a proposta é aumentar a disponibilidade do sistema em situações como falhas temporárias de rede, regiões com cobertura limitada ou emergências.

Esse recurso representa uma das principais diferenças em relação ao Pix, que atualmente depende de conexão para a realização das operações.

Quem administrará o sistema?

Assim como ocorre no Brasil com o Pix, a infraestrutura do euro digital será administrada pelo Banco Central Europeu.

Isso significa que o funcionamento básico da plataforma ficará sob responsabilidade da autoridade monetária, enquanto bancos e instituições financeiras oferecerão o serviço aos clientes.

Segundo o BCE, essa estrutura busca garantir segurança, padronização e acesso igualitário entre os participantes do sistema financeiro.

Quando o euro digital começará a funcionar?

O projeto ainda está em desenvolvimento e passará por várias etapas antes de chegar ao público.

O cronograma atual prevê:

  • início da fase experimental em 2027;
  • participação de 36 instituições financeiras e prestadores de serviços de pagamento;
  • realização de testes técnicos e definição das regras operacionais;
  • possível lançamento oficial até 2029.

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Entre as instituições selecionadas para participar dos testes estão Deutsche Bank e UniCredit.

O calendário, entretanto, ainda depende da conclusão dos estudos técnicos, da aprovação das regras legislativas da União Europeia e das decisões finais do Banco Central Europeu.

Como turistas também poderão utilizar o euro digital?

Após sua implementação, o euro digital deverá estar disponível em diversos estabelecimentos dos países participantes.

Entre eles:

  • hotéis;
  • restaurantes;
  • supermercados;
  • lojas;
  • atrações turísticas;
  • serviços de transporte;
  • demais estabelecimentos comerciais que aceitarem a nova modalidade.

Isso poderá facilitar pagamentos para moradores e visitantes, oferecendo uma alternativa digital padronizada em toda a zona do euro.

O que diferencia o euro digital das carteiras digitais?

Embora possa ser utilizado por meio de celulares, o euro digital não deve ser confundido com aplicativos como Apple Pay ou Google Pay.

Essas plataformas funcionam como intermediárias para pagamentos realizados com cartões bancários.

Já o euro digital será a própria moeda emitida pelo Banco Central Europeu, podendo ser utilizada independentemente das bandeiras tradicionais de cartões.

Essa diferença é considerada estratégica para reduzir a dependência de empresas privadas que hoje dominam boa parte do mercado europeu de pagamentos.

Quais podem ser os impactos econômicos?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Especialistas apontam que a criação do euro digital poderá ampliar a concorrência no setor de pagamentos, reduzir custos operacionais e fortalecer a infraestrutura financeira da União Europeia.

Ao mesmo tempo, o projeto levanta discussões sobre privacidade, proteção de dados, limites para utilização da moeda digital e possíveis impactos sobre bancos comerciais.

Esses temas continuam sendo debatidos pelas autoridades europeias durante a fase de desenvolvimento do sistema.

Conclusão

A criação do euro digital representa uma das maiores transformações planejadas para o sistema financeiro europeu nos próximos anos. Inspirado em parte pela experiência brasileira com o Pix, o projeto busca oferecer pagamentos rápidos, seguros e administrados pelo Banco Central Europeu, reduzindo a dependência do continente em relação às grandes empresas internacionais do setor.

Antes de entrar em operação, a iniciativa ainda passará por testes, regulamentações e avaliações técnicas. Se o cronograma for cumprido, consumidores, empresas e turistas poderão começar a utilizar o euro digital até 2029.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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