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Inteligência artificial no dia a dia: uso cresce mesmo sem entendimento pleno da tecnologia

Descubra por que o uso da inteligência artificial cresce, mesmo sem compreensão total. Leia e entenda os riscos e desafios da tecnologia.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
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Um levantamento recente realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg revelou um dado curioso e ao mesmo tempo preocupante: 67,2% dos brasileiros já utilizaram ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA) de forma intencional, mas 48% afirmam que não entendem como essa tecnologia realmente funciona.

Essa contradição entre uso e compreensão desta tecnologia acende um alerta sobre o papel que essa tecnologia vem desempenhando na sociedade.

Do desbloqueio facial do celular até interações com assistentes virtuais ou ferramentas como o ChatGPT, a IA está cada vez mais presente na rotina das pessoas — ainda que muitas delas não consigam explicar seu funcionamento ou seus riscos.

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Aplicações de IA mais comuns no dia a dia

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Imagem: Freepik

Assistentes de voz lideram o uso

Entre as aplicações mais utilizadas nos últimos 12 meses, segundo a pesquisa:

  • Assistentes de voz (Siri, Alexa, Google Assistente) — 73,7%;
  • IA generativa para texto (ChatGPT, Gemini) — 69,8%;
  • Ferramentas de tradução (Google Tradutor, DeepL) — 69%;
  • Reconhecimento facial (desbloqueio de dispositivos) — 66,6%;
  • Aplicativos de navegação (Google Maps, Waze) — 66,2%.

Essas soluções estão inseridas de maneira quase invisível no cotidiano, o que ajuda a explicar a alta taxa de adesão, mesmo diante da baixa compreensão.

IA invisível, mas presente

Boa parte do público pode não associar esses recursos com inteligência artificial. O uso de um mapa, por exemplo, parece simples, mas envolve processamento avançado de dados, aprendizado de máquina e algoritmos preditivos — todos elementos centrais da tecnologia moderna.

Entendimento limitado da tecnologia

Apenas 9,5% dizem entender “muito bem” a tecnologia

Quando questionados sobre o entendimento da IA, os brasileiros responderam:

  • Muito bem: 9,5%;
  • Bem: 18%;
  • Moderadamente: 24,5%;
  • Pouco: 35%;
  • De forma alguma: 13%.

Ou seja, quase metade da população adulta do país admite saber pouco ou nada sobre o funcionamento da IA, mesmo com o uso frequente.

Falta de entendimento também sobre os riscos

Mesmo com alertas frequentes nas plataformas — como o aviso de que IAs generativas podem “alucinar” ou gerar conteúdos imprecisos —, muitos usuários não compreendem plenamente as limitações e os riscos associados ao uso dessas ferramentas.

Principais preocupações dos brasileiros com a IA

A pesquisa identificou cinco grandes medos em relação à tecnologia:

  1. Criação e disseminação de fake news: 53% extremamente preocupados;
  2. Violação da privacidade pessoal: 44%;
  3. Vigilância governamental: 41%;
  4. Perda de empregos: 29%;
  5. Tomada de decisões tendenciosas ou injustas: 29%.

Essa preocupação se intensifica quando o uso da IA se aproxima da esfera pública, especialmente em decisões judiciais ou concessão de benefícios sociais.

Resistência ao uso de IA em serviços públicos

Oposição à automatização de decisões sensíveis

O levantamento mostra que 53,3% dos brasileiros se opõem ao uso de IA em processos de decisão ligados a serviços públicos, como:

Esse dado evidencia uma desconfiança significativa em relação à imparcialidade e à transparência dos algoritmos. Ainda que a IA possa acelerar decisões, há receio de que ela perpetue injustiças ou erros sistêmicos.

Falta de educação digital amplia o problema

Educação formal ainda ignora o tema

Apesar da crescente presença da IA na sociedade, poucas instituições educacionais no Brasil oferecem formação crítica ou técnica sobre o assunto. O resultado é uma lacuna de conhecimento que contribui para:

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  • Uso superficial ou automático de ferramentas;
  • Dificuldade em avaliar fontes de informação geradas por IA;
  • Baixa percepção de riscos à privacidade e à segurança digital.

Excesso de confiança em respostas da IA

Estudos anteriores já haviam demonstrado que muitas pessoas tratam respostas de IA como verdades absolutas, mesmo quando alertadas sobre a possibilidade de erros. Essa confiança excessiva pode gerar efeitos graves na propagação de desinformação, especialmente quando somada ao baixo letramento digital.

Desafios e caminhos possíveis

Inteligência artificial e tecnologia CRIANÇA BETA CANVA FREEPIK
Imagem: Freepik e Canva

Papel do governo

Para especialistas, é fundamental que o governo promova:

  • Campanhas de educação midiática e digital;
  • Regulamentação ética para uso de IA em serviços públicos;
  • Incentivo à transparência nos algoritmos usados por empresas privadas.

Responsabilidade das empresas

Empresas que oferecem produtos baseados em IA também devem ser responsáveis por:

  • Explicitar o uso da tecnologia;
  • Garantir que seus sistemas sejam auditáveis;
  • Oferecer canais de denúncia ou revisão de decisões automatizadas.

Educação como pilar central

Mais do que ensinar a programar ou usar ferramentas de IA, é preciso promover compreensão crítica, com foco em:

  • Ética no uso da tecnologia;
  • Identificação de vieses algorítmicos;
  • Avaliação de confiabilidade de fontes.

Futuro da IA no Brasil depende da alfabetização digital

A inteligência artificial já está profundamente integrada ao cotidiano dos brasileiros. No entanto, seu avanço só será benéfico de forma ampla se vier acompanhado de compreensão, transparência e responsabilidade. Sem isso, corremos o risco de alimentar um uso cego da tecnologia, vulnerável a manipulações, injustiças e desinformação.

Imagem: Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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