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Vício em redes sociais cresce entre idosos e traz consequências preocupantes

O uso excessivo de redes sociais entre idosos cresce e acende alerta para problemas como ansiedade, insônia, desinformação e vício digital na terceira idade.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
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A cena que antes parecia restrita a jovens e adolescentes, com os olhos fixos na tela do celular, agora se repete com frequência entre pessoas com mais de 60 anos. Estudos recentes revelam uma realidade preocupante: o uso excessivo de redes sociais está atingindo também os idosos, com impactos profundos sobre sua saúde mental, física e emocional.

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Como a pandemia acelerou a digitalização da terceira idade

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Reprodução: Seu Crédito Digital / Freepik

O isolamento como gatilho

O isolamento social durante a pandemia da Covid-19 teve um papel determinante na relação entre os idosos e a tecnologia. Sem poder sair de casa e com o convívio familiar e comunitário reduzido, muitos passaram a usar o celular, o tablet e o computador como janelas para o mundo.

Além de chamadas de vídeo, as redes sociais se tornaram um espaço de sociabilidade e distração. Contudo, o que começou como um alívio para a solidão evoluiu, em muitos casos, para um uso compulsivo e desregulado.

A busca por conexão

Com o tempo, os momentos de navegação em redes como Facebook, Instagram e WhatsApp passaram a ocupar horas do dia. A sensação de pertencimento, o recebimento de curtidas e comentários e a possibilidade de manter contato com parentes e amigos contribuíram para uma crescente dependência digital.

Os impactos do uso excessivo de redes sociais no cérebro do idoso

Efeitos neurológicos e cognitivos

Segundo o médico Antônio Henriques, em entrevista ao quadro Consultório JM, o uso prolongado das redes sociais afeta diretamente a região frontal do cérebro. Essa área é responsável por funções como tomada de decisão, foco, atenção e controle de impulsos — habilidades que naturalmente tendem a se deteriorar com o envelhecimento.

Queixas frequentes em consultórios

Na prática clínica, tem sido comum a presença de idosos relatando:

  • Dificuldade para se concentrar
  • Perda de memória recente
  • Sono irregular ou insônia
  • Irritabilidade sem causa aparente

Esses sintomas, muitas vezes confundidos com os da demência, podem ter como origem a exposição contínua às telas, especialmente antes de dormir, o que prejudica a produção natural de melatonina, hormônio regulador do sono.

A nomofobia: medo irracional de ficar sem o celular

O que é nomofobia?

O termo “nomofobia” vem da expressão inglesa no mobile phone phobia — o medo de ficar sem o celular. Embora comum entre adolescentes e adultos jovens, essa fobia tem ganhado terreno entre os idosos.

Sintomas da nomofobia em idosos

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Ansiedade extrema quando o celular está longe
  • Suor excessivo
  • Tremores
  • Irritação e sensação de pânico

Em alguns casos, os idosos preferem não sair de casa para não se afastar do carregador ou do sinal de internet, o que aprofunda ainda mais o isolamento.

A desinformação e os riscos da vulnerabilidade digital

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Imagem: fizkes / shutterstock.com

Fake news entre usuários acima de 65 anos

Um estudo das universidades de Princeton e Nova York, publicado na revista Science Advances, revelou um dado alarmante: usuários do Facebook com mais de 65 anos compartilham quase sete vezes mais notícias falsas do que os mais jovens.

Falta de letramento digital

Essa tendência é explicada, em parte, pela baixa familiaridade com as ferramentas tecnológicas. Muitos idosos não conseguem diferenciar conteúdos verificados de informações manipuladas, e confiam cegamente em mensagens recebidas em grupos de WhatsApp, Telegram ou perfis informais no Instagram e Facebook.

Consequências sociais e políticas

A propagação de fake news pode ter efeitos devastadores, desde a adesão a tratamentos ineficazes até a crença em teorias da conspiração. Em períodos eleitorais, a desinformação atinge níveis ainda mais preocupantes, influenciando decisões políticas e polarizando opiniões.

Quando o vício digital passa despercebido

Aposentadoria como fator invisível

Ao contrário de outras faixas etárias, os idosos geralmente estão fora do mercado de trabalho. Isso significa que o vício digital não interfere diretamente no desempenho profissional, um dos sinais mais perceptíveis entre jovens adultos.

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Falta de atenção familiar

Além disso, familiares podem interpretar o uso frequente das redes como algo positivo — uma maneira de manter os idosos “ocupados” ou “antenados”. Poucos se dão conta de que esse comportamento pode esconder um quadro de dependência e sofrimento psíquico.

O que pode ser feito? Caminhos para o uso saudável das redes

Intervenção familiar e afetiva

A primeira medida é o diálogo aberto e empático entre familiares e idosos. Em vez de proibir ou criticar o uso das redes, o ideal é propor alternativas: passeios ao ar livre, jogos de memória, oficinas culturais, leitura de livros impressos e, principalmente, presença afetiva.

Acompanhamento médico e psicológico

Caso o uso esteja afetando o sono, o humor ou a cognição, é fundamental procurar ajuda profissional. Médicos geriátricos, neurologistas e psicólogos estão preparados para identificar sintomas e propor tratamentos adequados, que podem incluir desde mudanças na rotina até terapias específicas.

Educação digital para a terceira idade

Oficinas de letramento digital são ferramentas valiosas para reduzir a vulnerabilidade a fake news. Ao ensinar a identificar fontes confiáveis, checar informações e usar as redes com mais autonomia, essas iniciativas fortalecem a cidadania digital dos idosos.

O papel do Estado e da sociedade civil

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Imagem: Twin Design / Shutterstock.com

Políticas públicas para envelhecimento saudável

É urgente que o poder público desenvolva políticas de inclusão digital voltadas para a terceira idade, aliando tecnologia à promoção da saúde mental. Programas de convivência, centros de apoio e campanhas educativas podem fazer a diferença.

Responsabilidade das plataformas

Redes sociais como Facebook, WhatsApp e Instagram também têm responsabilidade nesse cenário. Recursos como alertas de tempo de uso, verificação de notícias e ferramentas de denúncia devem ser ampliados e adaptados às necessidades do público idoso.

Conclusão: uma nova fronteira de cuidado

O vício digital entre idosos ainda é um tema subestimado, mas a realidade dos consultórios, os estudos acadêmicos e os relatos familiares apontam para uma tendência clara e preocupante. O uso de redes sociais pode, sim, trazer benefícios à terceira idade — desde que feito com equilíbrio, orientação e consciência.

Ao reconhecer o problema, abrir espaços de escuta e investir em estratégias de educação e acolhimento, é possível transformar a relação dos idosos com a tecnologia em algo mais saudável, humano e sustentável.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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