O vale-refeição (VR) oferecido pelas empresas está cobrindo uma parcela cada vez menor dos dias de trabalho. Levantamento da Pluxee mostra que o benefício durou, em média, apenas nove dias úteis no primeiro semestre de 2026, contra dez dias em 2025 e 18 dias em 2019.
A redução ocorre em meio ao aumento do custo da alimentação fora de casa. Segundo a pesquisa, uma refeição custa, em média, R$ 44,69 no Brasil, enquanto o valor médio do vale-refeição é de R$ 583,75.
Considerando 22 dias úteis e um almoço por dia, seriam necessários aproximadamente R$ 983 para bancar todas as refeições do mês. Na prática, o trabalhador precisaria desembolsar cerca de R$ 400 do próprio bolso para complementar o benefício médio.
A situação também está relacionada a uma diferença entre a inflação das refeições e os reajustes do VR. Enquanto a alimentação fora do domicílio acumulou alta de 6,22% no período analisado, o benefício médio avançou apenas 1,5%.
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Quanto o trabalhador precisa gastar para almoçar durante todo o mês?

Com uma refeição média de R$ 44,69, o custo de 22 almoços chega a R$ 983,18.
O cálculo ajuda a dimensionar a defasagem do benefício. Um trabalhador que recebe R$ 583,75 de VR teria uma diferença de aproximadamente R$ 399,43 para conseguir pagar todas as refeições considerando o preço médio nacional.
Isso significa que o valor recebido pela empresa não acompanha o custo de uma rotina completa de alimentação fora de casa.
A situação pode ser ainda mais pesada em regiões onde o preço médio das refeições é superior à média nacional.
Vale-refeição dura menos do que em anos anteriores
A pesquisa da Pluxee mostra uma deterioração significativa do poder de compra do benefício ao longo dos últimos anos.
Em 2019, o valor médio do VR conseguia cobrir aproximadamente 18 dias úteis de alimentação. Em 2025, essa duração caiu para dez dias e, no primeiro semestre de 2026, chegou a nove.
A queda ocorre mesmo com os reajustes concedidos pelas empresas porque o preço das refeições avançou em ritmo superior.
Na prática, não basta observar quanto o benefício aumentou em reais. É preciso considerar quantas refeições o valor consegue efetivamente pagar.
Quais estados têm o vale-refeição que dura menos?
O poder de compra do benefício varia entre os estados brasileiros, principalmente por causa das diferenças no preço das refeições.
Segundo o levantamento, Roraima apresenta a menor duração média, com apenas seis dias úteis. Maranhão aparece em seguida, com sete dias, enquanto Acre e Rondônia registram média de oito dias.
Na outra ponta está Minas Gerais, onde o benefício dura cerca de 13 dias úteis.
Rio de Janeiro e São Paulo aparecem logo depois, com aproximadamente 12 dias de cobertura.
A diferença mostra que um mesmo valor de VR pode ter impactos bastante distintos no orçamento dependendo da cidade e do estado onde o trabalhador faz suas refeições.
Por que o vale-refeição está perdendo poder de compra?
A explicação está principalmente na diferença entre a evolução do preço dos alimentos e os reajustes do benefício.
Quando o preço de um almoço aumenta mais rapidamente do que o valor depositado no cartão, o trabalhador consegue comprar menos refeições com a mesma quantia.
Esse processo se acumula ao longo dos anos. Mesmo que o empregador faça reajustes periódicos, o benefício pode continuar perdendo capacidade de compra caso os aumentos fiquem abaixo da inflação da alimentação fora de casa.
Para quem depende do VR diariamente, o impacto aparece quando o saldo acaba antes do fim do mês.
O que está acontecendo com o PAT?
Além da perda de poder de compra do VR, o mercado de benefícios passa por outra disputa envolvendo o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
Grandes operadoras de vale-refeição e vale-alimentação passaram a oferecer vantagens comerciais, como cashback e subsídios para academias, para empresas que não participam do programa.
A movimentação provocou questionamentos entre especialistas porque a saída do PAT pode alterar a estrutura de incentivos e regras que envolvem o programa.
O governo também acompanha o movimento porque o PAT tem entre seus objetivos estimular a oferta de alimentação aos trabalhadores.
O que é o Programa de Alimentação do Trabalhador?
Criado pelo governo federal, o PAT é uma política pública voltada à melhoria das condições de alimentação dos trabalhadores.
As empresas que atendem às regras do programa podem ter acesso a incentivos específicos. Entre eles está a possibilidade de dedução de até 4% do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) para empresas enquadradas no regime de lucro real.
O programa também estabelece regras próprias para os benefícios concedidos aos empregados.
Por isso, a decisão de permanecer ou não no PAT envolve não apenas o valor do benefício oferecido aos trabalhadores, mas também questões tributárias e regulatórias para as empresas.
Por que empresas estão deixando o PAT?
A mudança está relacionada às vantagens comerciais que algumas operadoras oferecem fora do programa.
Entre as regras estabelecidas para empresas participantes do PAT está o limite de determinadas taxas cobradas dos estabelecimentos que aceitam os cartões. Uma das medidas implementadas pelo governo estabeleceu teto de 3,6% para determinadas taxas de transação.
Fora do programa, as empresas podem ter uma estrutura comercial diferente, permitindo que as operadoras trabalhem com margens maiores.
Com isso, algumas companhias podem considerar vantajoso abrir mão dos incentivos fiscais do PAT para ter acesso a outras vantagens comerciais.
Especialistas, porém, questionam se determinadas estratégias utilizadas para estimular a saída das empresas do programa podem representar uma forma de contornar as regras estabelecidas pelo governo.
O que pode acontecer com o trabalhador?
O possível enfraquecimento do PAT preocupa porque o programa foi criado para estimular políticas de alimentação dos empregados.
Se um número significativo de empresas deixar o programa, pode haver mudanças na forma como os benefícios são estruturados e nos incentivos associados à alimentação dos trabalhadores.
Ao mesmo tempo, o governo tenta aumentar a concorrência no mercado de vale-refeição e vale-alimentação e reduzir custos que acabam sendo incorporados à cadeia de alimentação.
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Para o trabalhador, entretanto, existe uma questão mais imediata: o valor disponível no cartão precisa acompanhar o preço das refeições.
Caso contrário, mesmo com o benefício sendo mantido, uma parcela cada vez maior da renda mensal será utilizada para completar o custo da alimentação.
O valor do vale-refeição precisa acompanhar a inflação?
Não necessariamente.
O reajuste do benefício depende da política adotada pela empresa e, em determinados casos, das regras previstas em negociações coletivas ou instrumentos trabalhistas aplicáveis.
Não existe uma atualização automática do VR sempre que o preço das refeições aumenta.
Por isso, pode acontecer de o trabalhador continuar recebendo um benefício mensal, mas conseguir comprar cada vez menos refeições com ele.
O que fazer quando o vale-refeição acaba antes do fim do mês?
Não existe um complemento automático quando o saldo do VR termina.
O trabalhador pode precisar utilizar dinheiro próprio para pagar as refeições restantes ou buscar alternativas de alimentação com menor custo.
A situação também pode ser levada à empresa ou ao sindicato quando houver dúvidas sobre o valor do benefício, especialmente se existir previsão específica em convenção ou acordo coletivo.
O ponto central é verificar qual regra se aplica à relação de trabalho, já que o tratamento do benefício pode variar conforme o contrato e a negociação coletiva.
O vale-refeição vai ficar mais caro?
O valor do benefício não depende diretamente de uma determinação nacional que obrigue todas as empresas a realizar o mesmo reajuste.
Cada empregador pode adotar uma política própria, respeitando as regras trabalhistas e eventuais acordos ou convenções coletivas.
Por isso, a evolução do preço das refeições não significa automaticamente que o VR será reajustado na mesma proporção.
O que esperar do mercado de vale-refeição?

O setor deve continuar sendo pressionado pela disputa entre empresas, operadoras, restaurantes, supermercados e governo.
As mudanças regulatórias implementadas recentemente procuram reduzir taxas, aumentar a concorrência e fazer com que uma parcela maior dos recursos destinados aos benefícios chegue efetivamente à alimentação.
Ao mesmo tempo, as operadoras buscam novas estratégias comerciais para conquistar e manter empresas clientes.
Para o trabalhador, o principal indicador continuará sendo o poder de compra do benefício. Se o preço médio das refeições continuar crescendo acima do VR, o saldo continuará terminando cada vez mais cedo.
Conclusão
O vale-refeição perdeu espaço no orçamento dos trabalhadores à medida que o preço das refeições avançou mais rapidamente que os reajustes do benefício. Com o VR médio cobrindo apenas parte dos dias úteis, muitos empregados precisam complementar o valor com recursos próprios. A discussão sobre as regras do PAT e as novas estratégias das operadoras pode mudar o mercado, mas o desafio central permanece: fazer o benefício acompanhar, de fato, o custo da alimentação.



