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Mercado passa a exigir novos catalisadores para Vale

Ações da Vale sobem forte em 2026, impulsionadas pelo minério e fluxo estrangeiro, mas parte do mercado vê preços já próximos do valor justo.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Vale

As ações da Vale (VALE3) iniciaram 2026 em forte valorização na B3. Até o fim de janeiro, os papéis já avançam 17,5% no ano e acumulam ganhos de aproximadamente 48% nos últimos seis meses. Dois terços desse movimento ocorreram apenas nos últimos 60 dias, refletindo uma combinação de fatores externos e domésticos que recolocaram as blue chips brasileiras no radar dos investidores estrangeiros.

Entre os principais vetores estão a recuperação do preço do minério de ferro no mercado internacional, a recomposição de posições por fundos globais e a expectativa positiva em torno dos resultados financeiros da companhia.

A Vale, maior produtora global de minério de ferro, voltou a ser vista como um ativo defensivo em um cenário de maior volatilidade internacional, especialmente diante das incertezas sobre crescimento global e política monetária nas principais economias.

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Expectativa para o relatório de produção e vendas do 4T25

A mineradora divulga na próxima terça-feira (27), após o fechamento do mercado, seu Relatório de Produção e Vendas referente ao quarto trimestre de 2025. O documento é aguardado com atenção porque antecede a divulgação dos resultados financeiros completos, marcada para 12 de fevereiro, e costuma antecipar tendências relevantes sobre volumes, preços realizados e margens operacionais.

Segundo projeções da Genial Investimentos, o relatório deve indicar uma queda sequencial na produção de minério de ferro, movimento considerado sazonal e recorrente no fim do ano, devido ao início do período chuvoso nas operações brasileiras.

A estimativa é de produção de 89,3 milhões de toneladas no trimestre, o que representa recuo de 5,4% em relação ao terceiro trimestre, mas ainda uma alta anual de 4,8% na comparação com o mesmo período de 2024.

Esse padrão sazonal é amplamente reconhecido pelo mercado e não costuma gerar surpresa negativa quando ocorre dentro das expectativas. Na prática, investidores tendem a focar mais na evolução dos preços realizados e na eficiência operacional do que apenas nos volumes trimestrais.

Ebitda em alta e preços mais favoráveis do minério

Mesmo com a produção ligeiramente menor no trimestre, a Genial projeta avanço no Ebitda proforma da Vale. A estimativa é de US$ 4,6 bilhões, crescimento de 5,4% em relação ao trimestre anterior e de 12,5% na comparação anual. Esse desempenho estaria ligado principalmente à melhora nos preços realizados dos finos de minério de ferro.

A casa de análise espera que os preços realizados atinjam US$ 95,7 por tonelada, com alta de 1,4% no trimestre e de 2,9% em base anual. O movimento acompanha a recuperação da curva de referência do minério com teor de 62%, que teria registrado média de US$ 106 por tonelada no período, avanço de cerca de 4% frente ao trimestre anterior.

Parte desse ganho, no entanto, deve ser parcialmente compensada por um prêmio ligeiramente negativo, estimado em -US$ 0,30 por tonelada, ante um prêmio positivo observado no terceiro trimestre de 2025. Ainda assim, o balanço geral tende a ser positivo para a geração de caixa da companhia.

Negócio de pelotas segue sob pressão estrutural

No segmento de pelotas, a expectativa é de estabilidade em relação ao trimestre anterior, mas com queda relevante na comparação anual. A Genial estima produção de 8,0 milhões de toneladas e embarques de 8,7 milhões de toneladas no quarto trimestre, praticamente estáveis frente ao 3T25, porém cerca de 13% inferiores aos volumes de um ano antes.

A ausência de um aumento sazonal mais forte reforça a estratégia da Vale de priorizar margens em detrimento de volumes em um mercado considerado estruturalmente menos atrativo. A companhia vem redirecionando parte da alimentação de pelotas para a produção de finos de minério de ferro, diante de prêmios ainda fracos e de uma demanda mais desafiadora, especialmente na Europa e no Japão.

Esse cenário é agravado pela reintrodução de oferta adicional da Samarco, o que aumenta a competição e limita o potencial de recuperação dos prêmios. Com isso, os preços realizados das pelotas devem ficar em torno de US$ 133,3 por tonelada, alta trimestral de 1,9%, mas queda anual de 6,8%.

Rebaixamento para “manter” após rali expressivo

Apesar do momento operacional mais construtivo e da melhora nos fundamentos no curto prazo, a Genial Investimentos decidiu rebaixar a recomendação para as ações da Vale de “compra” para “manter”. A decisão ocorre após mais de três anos consecutivos com recomendação positiva e reflete, principalmente, a percepção de que o mercado já precificou grande parte das melhorias recentes.

Segundo os analistas, três fatores pesaram na mudança de visão: uma perspectiva mais cautelosa para os preços do minério de ferro em relação ao consenso, a rápida compressão do desconto de valuation impulsionada por fortes fluxos estrangeiros e o fato de a ação já estar sendo negociada próxima ao valor intrínseco estimado pela casa.

Mesmo com a revisão para cima do preço-alvo — de US$ 15 para US$ 17 nos ADRs e de R$ 80 para R$ 90 em VALE3 — o potencial de valorização residual estimado é de apenas 5,1%. Esse ajuste já incorpora uma melhora na premissa de preço do minério de ferro para US$ 90 por tonelada em 2027, considerando um avanço mais lento de novas ofertas globais, como o projeto Simandou, na África.

Visão de longo prazo segue construtiva

O rebaixamento, no entanto, não representa uma leitura negativa sobre a estratégia ou a tese de longo prazo da companhia. A Genial ressalta que permanece estruturalmente construtiva quanto à direção estratégica da Vale, especialmente no que diz respeito à disciplina de capital, à redução de riscos operacionais e à diversificação gradual do portfólio.

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A avaliação é de que, caso haja uma correção relevante no preço das ações ou uma mudança nas condições de mercado que reabra um descolamento significativo entre valor intrínseco e preço de mercado, a recomendação poderá ser revista novamente. Por ora, a postura mais neutra reflete a percepção de que o rali recente já capturou boa parte das expectativas positivas.

Consenso de mercado ainda é majoritariamente positivo

Apesar da cautela pontual da Genial, grande parte do mercado segue otimista com os papéis da Vale. Levantamento da LSEG indica que, entre os analistas que acompanham o ativo, nove mantêm recomendação de compra, enquanto seis sugerem posição neutra.

Na última sexta-feira (23), o Bank of America reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de US$ 17 para os ADRs negociados em Nova York e de R$ 89 para VALE3. O banco destaca como pontos fortes a flexibilidade do portfólio, o crescimento esperado no minério de ferro e no cobre, a disciplina em custos e investimentos, a forte geração de caixa e o progresso contínuo na redução de riscos.

Perspectivas de produção até 2030 e além

De acordo com as projeções do Bank of America, a divisão de minério de ferro — responsável por cerca de 80% da receita bruta da Vale — deverá produzir entre 335 e 345 milhões de toneladas por ano em 2026, com potencial de atingir 360 milhões de toneladas anuais até 2030.

Já o cobre, que hoje responde por aproximadamente 9% da receita bruta, ganha relevância estratégica no longo prazo. A expectativa é que a produção dobre até 2035, alcançando cerca de 700 mil toneladas anuais, em linha com a crescente demanda global por metais ligados à transição energética e à eletrificação.

Esse mix entre ativos maduros, como o minério de ferro, e commodities com forte apelo estrutural, como o cobre, ajuda a sustentar a tese de longo prazo da companhia, mesmo em momentos de maior cautela no curto prazo.

Com informações de: Infomoney

Imagem: Reuters

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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