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Vapor de gasolina é perigoso? Pesquisa indica possível relação com câncer

Estudo da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer indica que inalar o vapor da gasolina pode causar câncer. Veja mais!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Mão segurando bomba de combustível

A exposição contínua ao vapor de gasolina pode representar um risco significativo à saúde, especialmente para trabalhadores que lidam diretamente com combustíveis. Um estudo publicado pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) revelou uma possível relação entre a inalação dos vapores e o desenvolvimento de câncer de bexiga e leucemia mieloide aguda. Além disso, a pesquisa aponta para evidências limitadas de que outros tipos de doenças também possam estar associadas a essa intoxicação.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforçou as conclusões do estudo e recomendou a redução da exposição ocupacional à gasolina, alertando para a necessidade de práticas mais seguras no setor.

Os riscos do vapor de gasolina para a saúde

Mão de uma pessoa abastecendo o carro em posto de gasolina
Imagem: Pavel Kubarkov/shutterstock.com

O que compõe a gasolina e por que é perigosa?

A gasolina é uma mistura complexa de hidrocarbonetos, contendo substâncias químicas tóxicas e potencialmente cancerígenas, como o benzeno. Esse componente, em particular, já foi amplamente estudado e reconhecido como um agente cancerígeno humano. Quando inalada, a gasolina pode afetar o sistema respiratório e circulatório, além de aumentar o risco de doenças graves a longo prazo.

Leia mais: Posto de gasolina e celular: descubra se realmente há risco de explosão

Exposição prolongada e impactos no organismo

Os vapores da gasolina podem ser absorvidos pelo organismo principalmente por inalação, afetando trabalhadores de postos de combustíveis, transportadores e funcionários de refinarias. A exposição constante pode levar a problemas como:

  • Irritação nos olhos, nariz e garganta
  • Tonturas e náuseas
  • Dores de cabeça frequentes
  • Danos ao sistema nervoso central
  • Aumento do risco de câncer, especialmente de bexiga e leucemia mieloide aguda

Trabalhadores mais vulneráveis

Frentistas e a exposição diária aos vapores

Entre os grupos mais vulneráveis à exposição aos vapores de gasolina, os frentistas estão entre os mais afetados. Eles inalam o combustível diariamente, muitas vezes sem equipamentos de proteção adequados.

A epidemiologista Ubirani Otero, do INCA, destaca que um dos hábitos comuns dos consumidores pode agravar ainda mais esse risco: pedir para encher o tanque “até a boca”. Esse procedimento obriga o frentista a se aproximar do tanque para ouvir o nível do combustível, aumentando a exposição ao vapor.

Outros profissionais em risco

Além dos frentistas, outros trabalhadores também estão expostos de maneira significativa aos vapores da gasolina, incluindo:

  • Motoristas de caminhão-tanque
  • Trabalhadores em refinarias de petróleo
  • Funcionários de empresas de distribuição de combustíveis

Esses profissionais lidam com a gasolina em grandes volumes, o que pode resultar em uma absorção maior das substâncias tóxicas.

Posicionamento do INCA e medidas preventivas

Recomendação para reduzir a exposição

Após a publicação do estudo da IARC, o INCA reforçou a necessidade de medidas para diminuir a exposição ocupacional à gasolina. Entre as principais recomendações estão:

  • Implementação de processos de trabalho mais seguros
  • Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs)
  • Substituição gradual da gasolina por combustíveis menos tóxicos

A instituição também alerta que não há níveis seguros de exposição a agentes reconhecidamente cancerígenos, o que reforça a necessidade de regulamentação mais rígida no setor.

O papel da ANP e ABNT na regulamentação

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) são responsáveis pela definição das normas de segurança para o manuseio e transporte de combustíveis no Brasil. Após a divulgação do estudo e das recomendações do INCA, questionamentos surgiram sobre possíveis atualizações nas normas existentes.

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Até o momento, não há resposta oficial das instituições sobre novas medidas a serem adotadas. Entretanto, especialistas defendem a necessidade de revisões nas diretrizes para aumentar a proteção dos trabalhadores.

Alternativas e soluções para reduzir os riscos

Imagem de uma pessoa abastecendo um carro em posto da Petrobrás.
Imagem: Joa Souza / shutterstock.com

Tecnologias para combustíveis mais seguros

Com os avanços tecnológicos, a busca por alternativas mais seguras e sustentáveis tem ganhado destaque. Algumas soluções que podem reduzir os riscos incluem:

  • Uso de biocombustíveis, como etanol e biodiesel
  • Desenvolvimento de gasolina com menor teor de benzeno
  • Investimento em veículos elétricos para reduzir a dependência de combustíveis fósseis

Medidas para trabalhadores e consumidores

Para minimizar a exposição aos vapores da gasolina, algumas práticas simples podem ser adotadas:

  • Evitar abastecer o carro além do limite recomendado pelo fabricante
  • Garantir que os postos de combustíveis possuam ventilação adequada
  • Implementar treinamentos sobre segurança no trabalho para frentistas e demais profissionais do setor

Considerações finais

A pesquisa da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer acendeu um alerta importante sobre os riscos da exposição ao vapor de gasolina, especialmente para trabalhadores diretamente envolvidos no setor de combustíveis. O estudo reforça a necessidade de regulamentações mais rigorosas e adoção de práticas que reduzam a inalação de substâncias cancerígenas.

Enquanto não há uma substituição total da gasolina, medidas preventivas devem ser priorizadas para minimizar os impactos à saúde. A conscientização tanto dos trabalhadores quanto dos consumidores é essencial para que mudanças sejam implementadas e riscos sejam reduzidos.

A resposta das entidades reguladoras será determinante para a proteção dos profissionais do setor e para a evolução das normas de segurança relacionadas ao manuseio de combustíveis.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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