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Procon-SP expõe variação extrema no preço de remédios: até 2.000%

Evite pagar mais caro: veja como economizar com a variação extrema de preços de remédios revelada pelo Procon-SP.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Remédios

O Procon-SP divulgou um levantamento alarmante sobre a variação de preços de remédios no Estado de São Paulo. Em uma pesquisa realizada entre 26 e 28 de maio de 2025, a entidade identificou diferenças que ultrapassam 2.000% entre o menor e o maior valor cobrado pelo mesmo remédio.

O estudo abrangeu farmácias físicas e sites de venda, tanto na capital quanto no interior paulista. A maior discrepância foi observada no preço de medicamentos genéricos, com destaque para a tadalafila, utilizada no tratamento de disfunção erétil.

Enquanto uma caixa de 5 mg com 30 comprimidos era vendida por R$ 4,27 em um local, o mesmo produto custava R$ 93,58 em outro — uma variação de 2.091,56%.

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Comparação entre genéricos e remédios de referência

Remédios
Imagem: i viewfinder / shutterstock.com

O que são remédios de referência?

Os remédios de referência são aqueles desenvolvidos por laboratórios inovadores, com marca registrada e testados clinicamente antes de chegarem ao mercado. Possuem exclusividade comercial durante o período de validade da patente.

E os genéricos?

Os genéricos são versões idênticas em princípios ativos, dosagem, forma farmacêutica e administração dos remédios de referência. Eles surgem após a expiração da patente, sendo geralmente mais acessíveis, pois não carregam os custos de desenvolvimento e marketing dos originais.

Diferença de preços entre genéricos e de referência

Segundo o Procon-SP, os remédios genéricos se mostraram, em média:

  • 64,67% mais baratos do que os de referência em farmácias físicas.
  • 67,31% mais baratos em plataformas online.

Mesmo assim, dentro da própria categoria de genéricos, a variação entre farmácias foi absurda.

Casos extremos encontrados na pesquisa

Capital paulista

  • Tadalafila 5 mg (30 comprimidos):
    • Menor preço: R$ 4,27;
    • Maior preço: R$ 93,58;
    • Variação: 2.091,56%.
  • Tadalafila 20 mg (4 comprimidos), na internet:
    • Menor preço: R$ 2,64;
    • Maior preço: R$ 43,59;
    • Variação: 1.550%.
  • Dexason pomada (1 mg/g):
    • Menor preço: R$ 5,17;
    • Maior preço: R$ 17,87;
    • Variação: 245,65%.
  • Synthroid (reposição hormonal):
    • Preço varia de R$ 21,99 a R$ 54,39 nos sites.

Interior paulista

  • Presidente Prudente:
    • Citrato de sildenafila;
    • Menor preço: R$ 1,99;
    • Maior preço: R$ 17,51;
    • Variação: 779,90%.
  • São José dos Campos:
    • Vermífugo Zentel;
    • Preços entre R$ 8,20 e R$ 19,80;
    • Variação: 141,46%.

Sites têm preços mais baixos que farmácias físicas

A comparação entre farmácias físicas e plataformas online também evidenciou diferença:

  • Genéricos na internet: 13,88% mais baratos;
  • Medicamentos de referência na internet: 3,73% mais baratos.

No entanto, o Procon-SP destaca que os preços online podem sofrer alteração com base na localização, uso de cupons, programas de fidelidade e parcerias com planos de saúde.

Papel da Anvisa e o consumo indiscriminado

A explosão nas vendas de remédios como a tadalafila tem preocupado órgãos reguladores. De acordo com dados da Anvisa, as vendas desse princípio ativo saltaram de 21,4 milhões de unidades em 2020 para 67,7 milhões em 2024.

Esse crescimento é atribuído ao uso abusivo por pessoas que buscam melhorar desempenho físico ou sexual, fora das indicações médicas.

Por que os preços variam tanto?

Fatores que influenciam o valor final

  • Política de descontos própria de cada farmácia;
  • Parcerias com convênios ou programas de saúde;
  • Custo operacional e logística da região;
  • Cadastros e clubes de fidelidade;
  • Oferta e demanda local.

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Mesmo com o limite do Preço Máximo ao Consumidor (PMC), regulamentado pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), os valores finais ainda sofrem variações consideráveis.

Dicas do Procon-SP para economizar

Compare antes de comprar

Use sites e aplicativos de comparação de preços. O consumidor pode economizar significativamente ao verificar valores antes de efetuar a compra, tanto em lojas físicas quanto virtuais.

Atenção às condições de venda

  • Verifique validade e número do lote;
  • Confira o registro do medicamento na Anvisa;
  • Cheque se o desconto depende de cadastro ou convênio;
  • Observe a política de devolução e garantia da farmácia online.

Exija nota fiscal

A nota fiscal é a única forma de garantir seus direitos em caso de problemas com o remédio.

O que dizem os especialistas

Para a farmacêutica e pesquisadora Carla Mendes, da Universidade Federal de São Paulo, a variação de preços “escancara a fragilidade do sistema de controle no varejo farmacêutico brasileiro”. Segundo ela, o consumidor ainda é o principal responsável por buscar a melhor opção — o que penaliza os menos informados.

Propostas para maior controle

Remédios anvisa
Imagem: Freepik

Algumas entidades sugerem:

  • Reforço na fiscalização do PMC;
  • Divulgação obrigatória de comparativos de preços nas farmácias;
  • Ampliação de políticas públicas de distribuição gratuita de medicamentos essenciais;
  • Estímulo à prescrição de genéricos pelos profissionais de saúde.

Conclusão

A pesquisa do Procon-SP traz à tona uma realidade preocupante: a saúde do consumidor está à mercê da oscilação injustificável de preços. Em tempos de crise econômica, a busca pelo menor custo deve vir acompanhada de informação, fiscalização e responsabilidade do setor farmacêutico.

O consumidor tem papel fundamental nessa equação, mas não pode ser o único a carregar o peso de decisões comerciais que afetam diretamente sua saúde e bem-estar. A transparência e a regulação devem ser fortalecidas para garantir acesso justo a medicamentos no Brasil.

Imagem: Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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