Uma viagem internacional realizada em novembro de 2024 passou a integrar o conjunto de informações analisadas por investigadores e parlamentares que acompanham as apurações sobre um amplo esquema de descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O deslocamento envolveu o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema sob investigação.
Investigação da PF aponta Lulinha e Careca do INSS em viagem de 1ª classe para Portugal
Relatos à PF indicam viagem de Lulinha com investigado do INSS, pagamentos milionários e novos questionamentos na CPMI.
De acordo com documentos reunidos pela Polícia Federal (PF), ambos viajaram juntos para Lisboa, em Portugal, no dia 8 de novembro de 2024, partindo do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O voo, operado pela Latam e identificado como JJ-8148, teria contado com passagens de primeira classe para os dois passageiros.
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Detalhes da viagem investigada
Os registros analisados pela PF indicam que Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes ocuparam assentos próximos e localizados junto às janelas da aeronave.
Assentos e classe do voo
Segundo a documentação policial, o chamado Careca do INSS ocupou a poltrona 3A, enquanto Lulinha viajou no assento 6J. Ambos estavam acomodados na primeira classe, informação que reforçou o interesse dos investigadores sobre a natureza da relação entre os dois.
Origem das informações
As informações sobre a viagem conjunta vieram a público a partir do depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes. O relato foi prestado à Polícia Federal no âmbito das investigações que apuram um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos não autorizados em benefícios previdenciários.
Para validar o depoimento, a PF obteve de forma independente a lista de passageiros do voo, após a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS não conseguir requisitar oficialmente os dados à companhia aérea no início do mês, por resistência da base governista.
Relatos de pagamentos e relação financeira
O depoimento de Edson Claro vai além da viagem internacional. Segundo ele, essa teria sido apenas uma entre diversas viagens feitas por Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes ao exterior.
Suposta mesada mensal
Ainda conforme o ex-funcionário, as despesas das viagens seriam custeadas por Antônio Carlos, que também teria repassado valores mensais a Lulinha. O montante citado no depoimento é de cerca de R$ 300 mil por mês, o que, se confirmado, representaria uma relação financeira contínua entre as partes.
Pagamento milionário citado em depoimento
Além da mesada, Edson Claro afirmou que Antônio Carlos Camilo Antunes teria realizado um pagamento único de R$ 25 milhões ao filho do presidente da República. As informações foram divulgadas pela coluna de Andreza Matais, com André Shalders e Valentina Moreira, do portal Metrópoles.
As defesas dos envolvidos foram procuradas. Segundo os jornalistas, a defesa de Antônio Carlos afirmou não ter tido acesso formal às informações e, por isso, não se manifestou. Lulinha, por sua vez, não teria advogados constituídos no momento. O espaço segue aberto para manifestações.
Mudança de Lulinha para a Espanha
Outro ponto que passou a ser questionado por parlamentares da oposição foi a mudança de residência de Lulinha para a Europa. Ao longo de 2025, ele deixou o Brasil e passou a viver em Madri, na Espanha.
Questionamentos no Congresso
A mudança chamou a atenção de integrantes da CPMI do INSS, que levantaram dúvidas sobre o momento da decisão. Entre os questionamentos está a possibilidade de Lulinha ter tido conhecimento prévio do avanço das investigações ou de ter optado pela mudança quando a criação da comissão parlamentar já era considerada inevitável no Congresso Nacional.
Parlamentares oposicionistas defendem que a mudança para o exterior precisa ser analisada no contexto das apurações, embora não haja, até o momento, confirmação de qualquer irregularidade associada à saída do país.
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Investigações sob sigilo e atuação da PF
As investigações relacionadas ao caso conhecido como “Farra do INSS” seguem sob sigilo judicial. O esquema apurado envolve descontos irregulares aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Posicionamento da Polícia Federal
Na segunda-feira (15), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou a jornalistas que não poderia comentar eventuais investigações envolvendo Lulinha, justamente por estarem protegidas por sigilo legal. Segundo ele, a PF segue atuando de forma técnica e dentro dos limites estabelecidos pela Justiça.
Representação no Tribunal de Contas da União
No mesmo dia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU). O pedido solicita apuração sobre a conduta de Lulinha e uma eventual ligação com o esquema de fraudes no INSS.
Foco do pedido
A representação busca esclarecer se houve participação direta ou indireta do empresário nas operações que resultaram em prejuízos estimados em R$ 6,3 bilhões aos cofres públicos, valor atribuído ao total de descontos irregulares identificados até o momento.
O nome de Lulinha ganhou destaque nas investigações após o relato de uma testemunha à Polícia Federal, que indicou a existência de repasses financeiros regulares feitos por Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como um dos principais operadores do esquema.
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Imagem: Reprodução
