As famílias unipessoais — formadas por apenas uma pessoa — passaram a enfrentar uma nova exigência para receber ou continuar recebendo benefícios sociais federais. A partir das novas regras do governo federal, quem mora sozinho precisará passar por entrevista domiciliar para comprovar as informações registradas no Cadastro Único (CadÚnico).
Bolsa Família exige entrevista em casa para alguns beneficiários
Famílias unipessoais precisarão de entrevista domiciliar para acessar e manter Bolsa Família e BPC. Veja regras e exceções.
A medida afeta diretamente beneficiários do Bolsa Família e também pessoas que solicitarem o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O objetivo, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), é ampliar a fiscalização e reduzir fraudes nos programas sociais.
A determinação já está em vigor e integra um conjunto de mudanças implementadas pelo governo para reforçar o controle sobre os dados cadastrais utilizados na concessão de benefícios.
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O que muda para famílias unipessoais no CadÚnico
Com a nova regulamentação, pessoas que vivem sozinhas deverão receber uma visita de agentes responsáveis pelo Cadastro Único. Durante a entrevista domiciliar, serão verificadas informações relacionadas à renda, moradia, composição familiar e situação socioeconômica.
A exigência vale tanto para novos cadastros quanto para atualizações cadastrais e manutenção de benefícios já concedidos.
Na prática, o cadastramento desse público deverá ocorrer, prioritariamente, dentro da residência da pessoa cadastrada. A intenção é confirmar se a condição de família unipessoal realmente corresponde à realidade informada no sistema.
O Governo Federal considera que houve aumento significativo no número de registros de pessoas morando sozinhas nos últimos anos, o que despertou preocupação sobre possíveis irregularidades.
Quais normas criaram a entrevista domiciliar
A obrigatoriedade da visita domiciliar foi estabelecida por uma sequência de normas federais publicadas entre 2024 e 2026.
Lei nº 15.077/2024
A Lei nº 15.077, sancionada em 27 de dezembro de 2024, determinou que benefícios federais de transferência de renda poderiam exigir registro de visita domiciliar para concessão e manutenção dos pagamentos.
A legislação abriu caminho para que o governo regulamentasse a fiscalização específica das famílias unipessoais.
Portaria MDS nº 1.145/2025
Em seguida, a Portaria MDS nº 1.145, publicada em 29 de dezembro de 2025, detalhou como ocorreria o cadastramento e a atualização cadastral dessas pessoas.
O texto definiu que o atendimento deve acontecer preferencialmente no local de residência do cidadão.
Instrução Normativa SAGICAD/MDS nº 20/2026
Já a Instrução Normativa SAGICAD/MDS nº 20, divulgada em janeiro de 2026, especificou quais grupos precisam cumprir a exigência e quais situações ficam dispensadas da visita.
O documento também trouxe orientações operacionais para municípios e equipes responsáveis pelo Cadastro Único.
Quem precisa passar pela visita domiciliar
A entrevista obrigatória vale principalmente para:
- Pessoas que moram sozinhas e desejam entrar no Bolsa Família
- Beneficiários unipessoais que precisam atualizar cadastro
- Solicitantes do Benefício de Prestação Continuada (BPC)
- Pessoas com inconsistências cadastrais identificadas pelo sistema
O procedimento pode ocorrer antes da aprovação do benefício ou durante revisões periódicas realizadas pelo governo.
Quem está dispensado da entrevista domiciliar
Apesar da obrigatoriedade geral, algumas situações ficaram fora da regra.
Pessoas em situação de rua
Quem não possui residência fixa poderá realizar o cadastramento por fluxo específico, sem necessidade de visita domiciliar convencional.
Povos indígenas e quilombolas
Comunidades indígenas e quilombolas continuam seguindo procedimentos próprios de cadastramento social, respeitando características territoriais e culturais.
Áreas de difícil acesso ou violência
Locais com histórico de conflitos, insegurança pública ou barreiras geográficas também podem ter flexibilização das visitas.
Isso inclui regiões rurais isoladas, áreas dominadas por facções criminosas e municípios com dificuldade logística.
Municípios em calamidade pública
Cidades em situação de emergência, enchentes, secas severas ou desastres reconhecidos oficialmente poderão adotar procedimentos excepcionais temporários.
Pessoas protegidas por medidas de segurança
Indivíduos inseridos em programas de proteção ou que enfrentam risco à integridade física também podem ser dispensados da exigência.
Por que o governo aumentou a fiscalização no Bolsa Família
O crescimento acelerado de famílias unipessoais no Cadastro Único passou a chamar atenção dos órgãos de controle.
Segundo o governo federal, parte dos registros pode ter sido criada de maneira irregular para ampliar o acesso ao Bolsa Família. Em alguns casos investigados, integrantes da mesma residência declaravam morar sozinhos para receber benefícios separadamente.
A entrevista domiciliar surge justamente para evitar esse tipo de distorção.
Além disso, a medida busca melhorar a qualidade das informações do CadÚnico, considerado a principal base de dados sociais do país.
Como funciona a entrevista domiciliar
A visita costuma ser realizada por entrevistadores sociais vinculados às prefeituras ou aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).
Durante o atendimento, o agente pode solicitar:
- Documento de identificação
- CPF
- Comprovante de residência
- Informações sobre renda
- Dados sobre condições da moradia
O entrevistador também verifica se a pessoa realmente reside sozinha no imóvel informado.
Em alguns municípios, a visita pode ser agendada previamente. Em outros, ocorre de forma espontânea.
O que acontece se a pessoa não receber o entrevistador
Caso o beneficiário não seja localizado ou não apresente as informações solicitadas, o cadastro poderá ficar pendente de regularização.
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Dependendo da situação, isso pode resultar em:
- Bloqueio temporário do benefício
- Suspensão do pagamento
- Cancelamento do cadastro
- Necessidade de novo agendamento
Por isso, especialistas recomendam manter os dados do CadÚnico sempre atualizados e acompanhar mensagens enviadas pelo aplicativo do Bolsa Família, CRAS ou canais oficiais do governo.
Entenda a relação entre CadÚnico e Bolsa Família
O Cadastro Único é a principal ferramenta utilizada pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda no Brasil.
Além do Bolsa Família e do BPC, o sistema também é usado em programas como:
- Tarifa Social de Energia Elétrica
- Pé-de-Meia
- Auxílio Gás
- Minha Casa, Minha Vida
- Isenções em concursos públicos
Qualquer inconsistência nas informações pode afetar o acesso a diversos benefícios sociais simultaneamente.
Informe nº 93 consolidou orientações aos municípios
Em maio, o governo federal publicou o Informe nº 93 do Cadastro Único, documento que reuniu as orientações oficiais sobre a entrevista domiciliar das famílias unipessoais.
O material foi direcionado principalmente às prefeituras e equipes técnicas responsáveis pela execução do CadÚnico em todo o país.
O informe detalha procedimentos administrativos, exceções previstas e diretrizes para aplicação uniforme das regras nos municípios brasileiros.
O que beneficiários devem fazer agora
Pessoas que moram sozinhas e recebem Bolsa Família ou pretendem solicitar benefícios sociais devem ficar atentas às atualizações cadastrais.
Entre as principais recomendações estão:
Manter o CadÚnico atualizado
Mudanças de endereço, renda ou composição familiar precisam ser informadas imediatamente.
Verificar comunicados oficiais
Mensagens podem ser enviadas pelo aplicativo do Bolsa Família, Caixa Tem, CRAS ou prefeitura.
Evitar informações inconsistentes
Dados incorretos podem gerar bloqueios automáticos e inclusão em processos de averiguação cadastral.
Procurar o CRAS em caso de dúvidas
O atendimento presencial continua sendo o principal canal para orientações sobre cadastro e benefícios sociais.
Nova regra deve ampliar pente-fino em benefícios sociais
A tendência é que o governo federal intensifique as revisões cadastrais ao longo de 2026. O foco principal está em identificar irregularidades, melhorar o controle dos recursos públicos e garantir que os benefícios sejam destinados às famílias que realmente atendem aos critérios legais.
Para quem mora sozinho e depende de programas sociais, a recomendação é acompanhar atentamente o cadastro e colaborar com os processos de atualização exigidos pelos órgãos responsáveis.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:

