A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, intensificou sua estratégia para aumentar o valor gasto mensalmente por cada cliente. A operadora quer ampliar a chamada “receita média por CPF”, indicador que mede quanto um consumidor desembolsa com os diferentes serviços oferecidos pela companhia.
A aposta da empresa está concentrada na combinação de internet móvel, banda larga fixa, serviços digitais, streaming, seguros e venda de aparelhos eletrônicos. O objetivo é transformar clientes que utilizam apenas um serviço em consumidores de múltiplas soluções do ecossistema Vivo.
Segundo o presidente da empresa, Christian Gebara, a estratégia busca elevar o faturamento sem depender exclusivamente da conquista de novos usuários. A prioridade agora é aumentar a eficiência comercial sobre a base atual de clientes.
Leia mais: Estatuto do Idoso garante benefícios a partir dos 60 anos
Vivo quer aumentar receita por CPF
A Telefônica Brasil passou a divulgar oficialmente em seus balanços financeiros a receita média por CPF, indicador considerado estratégico para acompanhar o desempenho comercial da operadora.
Os dados mais recentes mostram que o valor médio mensal por cliente passou de R$ 62,9 para R$ 67,2 em um intervalo de um ano. O crescimento de 6,8% ficou acima da inflação do período, indicando avanço real no faturamento por consumidor.
Na prática, isso significa que os clientes da Vivo estão contratando mais produtos e serviços dentro da mesma operadora.
O movimento acompanha uma tendência crescente no setor de telecomunicações brasileiro, em que as empresas tentam reduzir a dependência da receita tradicional de telefonia móvel. Com a competição intensa e margens mais apertadas, operadoras passaram a investir fortemente em serviços agregados e fidelização.
Estratégia mira venda cruzada de serviços da Vivo
O principal foco da Vivo é ampliar a chamada venda cruzada, estratégia em que um cliente é incentivado a contratar outros serviços além do plano principal.
Um exemplo disso é o pacote conhecido como Vivo Total, que reúne internet móvel e banda larga fixa em uma única assinatura. Segundo a companhia, esse modelo já representa 44,7% dos acessos de banda larga da operadora.
O crescimento anual foi de 7,1 pontos percentuais, demonstrando que os consumidores estão aderindo cada vez mais aos combos integrados.
Combos ajudam a reduzir cancelamentos
Além do aumento no faturamento, a estratégia também busca diminuir o churn, indicador que mede a taxa de cancelamento de clientes.
No setor de telecomunicações, clientes com múltiplos serviços contratados tendem a permanecer mais tempo na empresa. Isso acontece porque a integração entre internet móvel, fixa, streaming e outros benefícios cria maior dependência e conveniência para o consumidor.
Na prática, cancelar um combo completo costuma ser mais difícil do que trocar apenas um plano de celular.
Essa lógica já é amplamente utilizada por operadoras no Brasil e no exterior, especialmente em mercados mais maduros de telecomunicações.
Serviços digitais ganham protagonismo
Outro pilar importante da estratégia da Vivo é a expansão dos serviços digitais.
Nos últimos 12 meses encerrados em março de 2026, a empresa registrou faturamento de R$ 1,9 bilhão nesse segmento, avanço de 31,5% em relação ao período anterior.
Entre os principais serviços oferecidos estão plataformas de streaming, soluções financeiras, seguros e aplicativos digitais.
Streaming impulsiona crescimento
Os serviços de streaming representam atualmente a maior fatia da receita digital da operadora.
Segundo a empresa, o segmento gerou R$ 834 milhões no acumulado de 12 meses, com crescimento de 25%.
Nesse pacote entram parcerias com plataformas como Netflix e Globoplay, que são incluídas em planos pós-pagos e combos residenciais.
A estratégia acompanha uma tendência forte no mercado brasileiro: consumidores preferem centralizar pagamentos e assinaturas em uma única conta, facilitando o controle financeiro e aumentando a conveniência.
Inteligência artificial também entra na estratégia
A Vivo também começou a explorar o mercado de inteligência artificial como diferencial competitivo.
Há cerca de um ano, a operadora passou a incluir a ferramenta Perplexity AI em alguns planos pós-pagos.
Agora, a companhia avalia ampliar as opções de IA disponíveis para clientes, acompanhando o crescimento da demanda por ferramentas baseadas em inteligência artificial generativa.
IA pode virar diferencial em planos premium
O setor de telecomunicações vê a inteligência artificial como uma nova oportunidade para agregar valor aos planos mais caros.
Além de aumentar o ticket médio, recursos de IA podem funcionar como ferramenta de fidelização, especialmente entre usuários corporativos e consumidores com maior perfil digital.
A tendência é que operadoras ampliem parcerias com plataformas de produtividade, assistentes inteligentes e soluções de automação nos próximos anos.
Venda de celulares e eletrônicos acelera
A vertical de aparelhos também ganhou relevância dentro da estratégia comercial da Telefônica Brasil.
A receita com venda de celulares e eletrônicos cresceu 26,6% no primeiro trimestre de 2026, alcançando R$ 1,152 bilhão.
O avanço mostra que as operadoras seguem aproveitando suas lojas físicas, canais digitais e programas de parcelamento para estimular a troca de smartphones e dispositivos conectados.
Operadoras ampliam ecossistema de produtos
Hoje, empresas de telecomunicações não vendem apenas chips ou planos de internet.
O mercado passou a incluir:
- Smartphones
- Smart TVs
- Relógios inteligentes
- Fones de ouvido
- Seguros
- Serviços financeiros
- Streaming
- Soluções de segurança digital
Esse modelo cria um ecossistema mais completo e aumenta o potencial de receita por consumidor.
Mercado brasileiro de telecom vive transformação
A estratégia da Vivo reflete uma transformação maior no setor brasileiro de telecomunicações.
Com a popularização do 5G e o aumento da concorrência, as operadoras passaram a buscar novas fontes de crescimento além da telefonia tradicional.
Nos últimos anos, empresas do setor intensificaram investimentos em:
- Serviços digitais
- Streaming
- Computação em nuvem
- Segurança digital
- Fintechs
- Casas conectadas
- Inteligência artificial
A expectativa do mercado é que o consumidor brasileiro passe a contratar cada vez mais soluções integradas em vez de serviços isolados.
O que muda para os consumidores
Para os clientes, a expansão dos combos pode trazer vantagens e desafios.
Entre os benefícios estão:
Economia em pacotes integrados
Em muitos casos, contratar vários serviços juntos pode reduzir o custo total em comparação à assinatura separada.
Centralização de pagamentos
O consumidor passa a gerenciar internet, streaming e outros serviços em uma única fatura.
Mais benefícios e fidelização
Programas de pontos, bônus de internet e descontos em aparelhos costumam acompanhar os combos premium.
Por outro lado, especialistas recomendam atenção às cláusulas de fidelidade e ao custo total dos serviços agregados, especialmente em contratos de longo prazo.
Vivo aposta em retenção e aumento de consumo
A estratégia da Vivo deixa claro que o foco da operadora não está apenas em ampliar sua base de clientes, mas principalmente em elevar o consumo médio dos usuários atuais.
Ao integrar internet móvel, banda larga, streaming, inteligência artificial e venda de aparelhos, a empresa tenta criar um ecossistema cada vez mais completo e difícil de ser abandonado pelo consumidor.
O crescimento da receita média por CPF mostra que a estratégia já começa a trazer resultados financeiros relevantes para a companhia, especialmente em um mercado cada vez mais competitivo e digitalizado.
