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Vivo recebe multa de R$ 500 mil após cobrança indevida de clientes

STJ confirma multa de R$ 500 mil contra a Vivo por cobrar serviços sem autorização. Saiba quem pode buscar indenização e o que muda.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Vivo recebe multa de R$ 500 mil após cobrança indevida de clientes

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a condenação da operadora Vivo ao pagamento de uma multa de R$ 500 mil por realizar cobranças de serviços adicionais sem autorização prévia dos consumidores. A decisão representa um importante precedente para a proteção dos direitos dos usuários de telefonia e reforça a responsabilidade das empresas em obter consentimento expresso antes de incluir qualquer serviço nas faturas.

O processo foi movido pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que apontou a existência de uma prática recorrente da operadora de adicionar pacotes e serviços extras às contas de clientes sem solicitação. Ao analisar o caso, o STJ concluiu que a conduta não se restringia a casos isolados, mas fazia parte de um comportamento sistemático da empresa.

Além da multa, a decisão determina a interrupção das cobranças consideradas irregulares e abre caminho para que consumidores prejudicados busquem reparação individual pelos prejuízos sofridos.

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Imagem: Reprodução

Entenda o caso que levou à condenação da Vivo

A ação civil pública foi proposta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro após a identificação de diversas reclamações envolvendo cobranças de serviços que os consumidores afirmavam nunca ter contratado.

Segundo o órgão, a Telefônica Brasil, empresa responsável pela marca Vivo, incluía pacotes adicionais nas contas de telefonia sem autorização expressa dos clientes, gerando cobranças extras consideradas ilegais.

Durante o julgamento, a Justiça entendeu que a prática atingiu um número significativo de consumidores e ocorreu de forma reiterada, caracterizando uma violação aos direitos coletivos previstos na legislação brasileira de defesa do consumidor.

O que decidiu o STJ?

Ao negar o recurso apresentado pela Telefônica Brasil, o Superior Tribunal de Justiça manteve integralmente a condenação.

No voto que acompanhou o relator, o ministro Gurgel de Faria destacou que a atuação de uma empresa de grande porte em um setor essencial exige elevado grau de responsabilidade nas relações de consumo.

Segundo o magistrado, quando uma empresa adota repetidamente cobranças sem o consentimento dos clientes, o problema ultrapassa os prejuízos individuais e compromete a confiança nas relações contratuais de massa.

Esse entendimento reforça princípios fundamentais do Código de Defesa do Consumidor (CDC), como a transparência, a boa-fé e a necessidade de informação clara sobre produtos e serviços contratados.

Para onde vai o valor da multa?

Ao contrário do que muitos consumidores imaginam, os R$ 500 mil da condenação não serão distribuídos diretamente entre os clientes afetados.

A quantia será destinada ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), instrumento criado para financiar projetos voltados à proteção dos direitos coletivos, incluindo iniciativas relacionadas à defesa do consumidor, do meio ambiente, do patrimônio público e de outros interesses difusos.

Esse mecanismo é previsto na legislação brasileira justamente para fortalecer políticas públicas de interesse coletivo.

Clientes podem pedir indenização?

Sim.

Embora a multa tenha natureza coletiva, a decisão do STJ preserva o direito de cada consumidor buscar reparação individual caso consiga comprovar que sofreu prejuízo.

Quem pagou por serviços não contratados poderá ingressar com ação judicial para solicitar:

  • devolução dos valores cobrados indevidamente;
  • indenização por danos materiais;
  • eventual indenização por danos morais, quando houver comprovação dos prejuízos sofridos.

Cada situação será analisada individualmente pela Justiça, considerando as provas apresentadas pelo consumidor.

Operadora deverá interromper cobranças irregulares

Além da multa, a decisão judicial determina que a Telefônica Brasil suspenda todas as cobranças indevidas que ainda estejam sendo realizadas.

Na prática, a empresa deverá revisar os contratos e impedir que consumidores continuem pagando por serviços que não autorizaram.

A medida busca evitar a continuidade da prática considerada ilegal e reduzir novos prejuízos aos clientes.

O que diz o Código de Defesa do Consumidor?

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que nenhum produto ou serviço pode ser fornecido sem solicitação ou consentimento do consumidor.

Entre os principais direitos garantidos pela legislação estão:

Informação clara sobre cobranças

As empresas devem informar de maneira transparente quais serviços estão sendo contratados, seus valores e condições.

Consentimento expresso

A contratação de serviços adicionais depende da manifestação clara da vontade do consumidor.

Direito à restituição

Quando ocorre cobrança indevida, o consumidor pode solicitar a devolução dos valores pagos. Em determinadas situações previstas pelo Código de Defesa do Consumidor, a restituição pode ocorrer em dobro, desde que estejam presentes os requisitos legais aplicáveis.

Como verificar se há cobranças indevidas na sua conta

Especialistas em defesa do consumidor recomendam que os usuários analisem regularmente suas faturas de telefonia.

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Vale conferir principalmente:

  • serviços de assinatura digital;
  • pacotes de entretenimento;
  • seguros;
  • clubes de vantagens;
  • serviços de mensagens;
  • cobranças recorrentes desconhecidas.

Caso identifique alguma cobrança suspeita, o consumidor deve entrar em contato imediatamente com a operadora para solicitar esclarecimentos e registrar protocolo de atendimento.

O que fazer se identificar um serviço não contratado

Se a empresa não resolver o problema administrativamente, o consumidor pode recorrer a diferentes canais de proteção.

Entre eles estão:

Procon

Os órgãos estaduais e municipais de defesa do consumidor recebem reclamações e tentam intermediar acordos entre consumidores e empresas.

Plataforma Consumidor.gov.br

A plataforma oficial do governo federal permite registrar reclamações diretamente contra empresas participantes e acompanhar a resposta.

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)

Como órgão regulador do setor de telecomunicações, a Anatel também recebe denúncias relacionadas à prestação dos serviços de telefonia, internet e TV por assinatura.

Poder Judiciário

Caso não haja solução pelos canais administrativos, permanece garantido o direito de ingressar com ação judicial para buscar reparação dos prejuízos.

A decisão cria um precedente importante

Imagem: Reprodução

Especialistas avaliam que a confirmação da condenação pelo STJ reforça a necessidade de maior transparência nas relações entre operadoras e consumidores.

Além de servir como resposta às cobranças indevidas identificadas no processo, o julgamento envia um sinal para todo o setor de telecomunicações de que práticas comerciais sem autorização do cliente podem gerar consequências financeiras e jurídicas relevantes.

Embora cada caso possua características próprias, decisões dessa natureza contribuem para fortalecer a aplicação das normas previstas no Código de Defesa do Consumidor.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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