A Vivo e a Starlink, empresa de satélites da SpaceX, avançam nas conversas para uma possível parceria voltada à conexão direta entre celulares e satélites no Brasil. A tecnologia, conhecida como Direct-to-Device (D2D), pode ampliar a cobertura móvel em regiões onde as redes tradicionais de 4G e 5G ainda não chegam.
As informações sobre o avanço das negociações foram divulgadas pelo setor de telecomunicações, mas os detalhes comerciais da eventual parceria ainda não foram oficialmente apresentados pelas empresas. Por isso, não há confirmação sobre preço, planos, aparelhos compatíveis ou data de lançamento para consumidores.
O interesse pelo serviço ocorre em um momento em que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vem criando mecanismos para permitir testes controlados dessa tecnologia no país.
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O que é a conexão D2D da Starlink
O Direct-to-Device permite que um celular se comunique diretamente com um satélite em órbita baixa, sem depender de uma antena externa instalada na residência ou de um terminal específico.
Na prática, a tecnologia transforma o satélite em uma espécie de extensão da rede móvel. O smartphone utiliza radiofrequências destinadas à comunicação móvel para estabelecer o contato com o satélite, que retransmite os dados para a infraestrutura de telecomunicações.
A Anatel já autorizou testes desse modelo no Brasil. Em 2024, a agência permitiu experimentos utilizando satélites de baixa órbita e celulares comuns, sem necessidade de alterações físicas nos aparelhos utilizados nos testes.
Isso não significa, entretanto, que qualquer celular possa atualmente utilizar a Starlink como uma rede móvel convencional. A compatibilidade depende do aparelho, das bandas utilizadas, da configuração da rede e das autorizações regulatórias e comerciais necessárias.
Por que a Vivo está interessada na tecnologia
Para uma operadora como a Vivo, o D2D pode representar uma forma de ampliar a cobertura para áreas de difícil atendimento por torres terrestres.
Regiões rurais, estradas, propriedades agrícolas, áreas de mineração e localidades afastadas dos grandes centros estão entre os possíveis beneficiados. Em situações de emergência, a conectividade também pode ter utilidade quando a infraestrutura terrestre estiver indisponível.
A própria Anatel destaca que o D2D tem potencial para ampliar o acesso às telecomunicações em áreas remotas e rurais. Ao anunciar o projeto experimental, a agência apontou aplicações relacionadas ao agronegócio e a comunidades sem cobertura móvel convencional.
Para o consumidor, a principal vantagem seria conseguir algum nível de comunicação em locais onde normalmente apareceria a mensagem de ausência de sinal.
Como funciona a internet via satélite no celular
O funcionamento é diferente do serviço tradicional da Starlink, que utiliza uma antena instalada no local para se comunicar com os satélites.
No D2D, a intenção é que o próprio celular estabeleça o contato. O aparelho precisa estar em uma área com visão relativamente desimpedida do céu para aumentar as chances de conexão.
Montanhas, edifícios, árvores e outras estruturas podem dificultar a comunicação. Além disso, a capacidade de transmissão do sistema é limitada em comparação com uma rede 4G ou 5G convencional.
Por isso, a primeira fase da tecnologia tende a ser mais adequada para mensagens, localização, serviços básicos e outras aplicações que não exigem grande volume de dados.
Anatel já criou regras para testar o D2D
O Brasil possui um ambiente regulatório específico para experiências com a tecnologia. A Anatel criou um sandbox regulatório para permitir testes de sistemas de comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis.
A autorização permite o uso temporário de radiofrequências em faixas destinadas ao Serviço Móvel Pessoal, justamente para avaliar o funcionamento do D2D em condições controladas. O projeto pode envolver prestadoras móveis que possuem autorização para utilizar essas frequências.
Em 2024, a agência também autorizou testes envolvendo celulares e satélites na faixa de 800 MHz. Segundo a Anatel, os experimentos foram realizados para avaliar aspectos técnicos e regulatórios antes de uma eventual implementação comercial em larga escala.
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O sandbox é importante porque permite testar a tecnologia antes de definir um modelo regulatório definitivo. A Anatel explica que esse tipo de ambiente serve para experimentar novas tecnologias sob condições controladas e coletar informações para aperfeiçoar a regulamentação.
Quando a Vivo Starlink estará disponível?
Ainda não existe uma data oficial anunciada para o início da oferta comercial da eventual parceria Vivo e Starlink.
Também não foram divulgados oficialmente os preços, os planos que poderão incluir o serviço ou se a conexão será disponibilizada gratuitamente para determinados clientes.
Esse ponto é importante porque a existência de negociações entre empresas não significa que o produto já esteja pronto para contratação. Antes de chegar ao consumidor, ainda precisam ser definidos aspectos técnicos, comerciais e regulatórios.
A própria Anatel informou, quando autorizou os primeiros testes de D2D, que a tecnologia ainda não estava disponível comercialmente e que os experimentos eram necessários para avaliar sua implementação em maior escala.
Vivo não é a única operadora interessada

O avanço do D2D no Brasil não está restrito à possível parceria entre Vivo e Starlink.
A Anatel já havia autorizado um projeto experimental envolvendo Claro e TIM em parceria com a AST SpaceMobile. A agência explicou que outras empresas detentoras de autorização de uso de radiofrequências também poderiam utilizar o sandbox para testar soluções semelhantes.
Isso indica que o mercado brasileiro pode caminhar para diferentes modelos de conectividade via satélite, aumentando a concorrência e, potencialmente, ampliando as alternativas disponíveis aos consumidores.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



