Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

WEG blindada contra tarifaço de Trump? Veja o que diz o Itaú BBA

Ações da WEG (WEGE3) estão no menor múltiplo histórico, mas Itaú BBA vê oportunidade e mantém recomendação de compra com preço-alvo.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Wege no 2T21

O Itaú BBA, braço de investimentos do banco Itaú, divulgou relatório indicando que as ações da WEG (WEGE3) estão sendo negociadas atualmente no seu menor múltiplo histórico de preço sobre lucro dos últimos 40 dias. Segundo os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tíneo, o momento de baixa pode representar uma janela de oportunidade para investidores, mesmo diante de riscos externos e da recente desvalorização dos papéis.

A análise considera o desempenho dos ativos desde a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2024, em 26 de fevereiro. Desde então, as ações da companhia recuaram 16%, contrastando com a queda de apenas 2% do Ibovespa no mesmo período.

Leia mais:

WEG (WEGE3) vai pagar R$ 293 milhões em Juros Sobre Capital Próprio, saiba quem recebe

Weg
Imagem: site da Weg.

Queda recente e desvalorização da ação

O relatório aponta que a correção nos papéis da WEG ocorre mesmo diante de fundamentos sólidos e resultados consistentes. O valor da ação, que era negociado a cerca de R$ 52 no início de fevereiro, fechou recentemente em R$ 44. A queda expressiva em um curto espaço de tempo chamou a atenção do mercado, especialmente por colocar a empresa em seu menor patamar histórico de valuation com base na relação preço/lucro (P/L).

Para os analistas do Itaú BBA, esse nível de desvalorização não é justificado apenas por fundamentos econômicos e pode representar uma oportunidade de entrada para investidores com visão de médio e longo prazo.

Impacto das tarifas dos Estados Unidos

Um dos fatores que gerou preocupação no mercado nos últimos meses foi a política tarifária adotada pelos Estados Unidos, especialmente após o anúncio de novas tarifas sobre produtos importados. A possibilidade de um tarifaço afetando exportações brasileiras gerou instabilidade em diversos setores, incluindo o industrial.

Entretanto, o Itaú BBA destaca que a WEG ainda não sofreu impactos diretos e significativos dessas medidas. Isso ocorre porque:

  • Cerca de 9% da produção da WEG ocorre no México, com parte destinada à exportação para os Estados Unidos
  • O setor elétrico, em que a WEG atua, é isento das tarifas dentro do acordo USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá)
  • A tarifa aplicada aos produtos brasileiros é de 10%, considerada moderada e absorvível no curto prazo

Esses fatores ajudam a conter os efeitos imediatos do tarifaço sobre a empresa, embora analistas alertem para os riscos caso a tensão comercial escale e leve a uma desaceleração econômica global.

Riscos no cenário macroeconômico

Apesar da visão positiva de longo prazo, o relatório do Itaú BBA também ressalta riscos no horizonte. Entre eles, está a possibilidade de a atual guerra tarifária evoluir para uma recessão global. Nesse cenário, a demanda por produtos industriais pode cair, impactando diretamente as margens e os lucros da WEG.

Outro ponto de atenção está na valorização do real frente ao dólar, o que pode afetar negativamente a competitividade das exportações da empresa. A exposição internacional da WEG é considerada uma vantagem estratégica, mas também a torna sensível a oscilações cambiais e políticas externas.

Ainda assim, o banco reforça que a WEG tem estrutura sólida, diversificação geográfica e um histórico consistente de entrega de resultados, o que confere resiliência em cenários adversos.

Recomendação do Itaú BBA e preço-alvo

Novo logo divulgado expandido do Itaú BBA
Imagem: Reprodução

O Itaú BBA mantém sua recomendação outperform para as ações da WEG, equivalente a uma indicação de compra. O preço-alvo estabelecido para WEGE3 é de R$ 67, o que representa um potencial de valorização de 52,27% em relação ao último fechamento registrado em R$ 44.

Essa projeção é baseada em um cenário de recuperação gradual do papel, com expectativa de retomada da valorização conforme os impactos externos forem melhor compreendidos pelo mercado e os investidores voltarem a se posicionar em empresas com fundamentos sólidos.

Estratégia da WEG diante do cenário global

A WEG tem adotado uma postura estratégica diante dos desafios impostos pelo cenário internacional. A manutenção de operações em diferentes regiões, especialmente na América do Norte, América Latina, Europa e Ásia, permite à companhia mitigar riscos regionais e reduzir a dependência de um único mercado.

Além disso, a empresa tem investido fortemente em inovação e automação industrial, com foco em eficiência energética e sustentabilidade, setores com demanda crescente mesmo em períodos de baixa econômica.

Esses investimentos reforçam a tese de que a WEG está bem posicionada para se beneficiar de tendências globais como a transição energética e a digitalização da indústria.

Perfil da WEG no mercado

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Fundada em 1961, em Jaraguá do Sul (SC), a WEG é hoje uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo. A companhia atua em segmentos como motores, transformadores, automação, tintas e sistemas de energia.

Presente em mais de 100 países e com mais de 40 mil funcionários, a empresa mantém um histórico de crescimento sustentável, baixa alavancagem e governança corporativa reconhecida.

No Brasil, WEGE3 é considerada uma das ações mais respeitadas entre investidores de longo prazo, sendo presença constante em carteiras recomendadas de bancos, corretoras e gestores de fundos.

Por que o múltiplo P/L está tão baixo

A relação preço/lucro (P/L) é um dos principais indicadores usados por analistas para avaliar se uma ação está cara ou barata em relação ao seu lucro por ação. No caso da WEG, o múltiplo atual atingiu o menor nível dos últimos anos, o que sugere que o mercado pode estar superestimando os riscos no curto prazo.

Esse recuo ocorre apesar de a empresa ter apresentado resultados sólidos no quarto trimestre de 2024, o que reforça a ideia de que a queda recente nos preços das ações pode não estar diretamente relacionada a fundamentos operacionais.

Para analistas mais otimistas, esse cenário representa uma distorção de mercado, e a tendência é de que o papel volte a ganhar valor conforme o cenário se estabilize e os investidores reavaliem seus posicionamentos.

Expectativas para os próximos trimestres

Logo da Weg em um tom branco
Imagem: Divulgação/Weg

A perspectiva para os próximos trimestres é de estabilidade nas receitas da WEG, com possível crescimento moderado dependendo do desempenho do mercado externo. A demanda por equipamentos industriais deve se manter em níveis saudáveis, especialmente nos setores de energia renovável, óleo e gás, e saneamento.

A WEG também pode se beneficiar de projetos de infraestrutura em andamento em países emergentes, que demandam soluções industriais de médio e grande porte. O bom posicionamento da companhia em inovação e sua capacidade de adaptação tecnológica são fatores que favorecem a continuidade da expansão.

Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados