A liquidação extrajudicial do Will Bank trouxe uma série de dúvidas para milhares de clientes que mantinham relacionamento financeiro com a instituição digital. Apesar do encerramento das operações, a situação dos correntistas com empréstimos ativos pouco muda na prática. Especialistas em direito bancário e empresarial reforçam que as dívidas continuam válidas e não são automaticamente perdoadas com a saída do banco do mercado.
Will Bank em liquidação: quem tem empréstimo ainda precisa pagar? Entenda
Liquidação do Will Bank não perdoa dívidas. Saiba quem cobra, como pagar empréstimos e o que acontece com saldos e negativação.
O encerramento oficial do Will Bank ocorreu após decisão do Banco Central, no dia 18 de novembro do ano passado, afetando principalmente clientes das classes C e D, público-alvo da fintech. A instituição era conhecida por oferecer empréstimos pessoais com taxas a partir de 4,59% ao mês, parcelamentos extensos e carência inicial, o que a tornou uma alternativa popular entre consumidores com acesso limitado ao crédito tradicional.
Com a liquidação extrajudicial, o Will Bank deixa de operar normalmente, não concede novos créditos e não amplia limites, mas isso não significa que suas obrigações contratuais desaparecem. Pelo contrário: os contratos seguem válidos e passam a integrar o processo de liquidação.
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Dívidas não são perdoadas durante a liquidação
Um dos principais equívocos entre ex-correntistas é acreditar que o fim das atividades do banco implica o perdão automático das dívidas. Advogados esclarecem que isso não ocorre. A liquidação extrajudicial tem como objetivo organizar o encerramento da instituição, levantar ativos e quitar obrigações com credores, o que inclui valores a receber dos clientes.
Segundo o advogado Eliézer Francisco Buzatto, especialista em direito empresarial e processo civil, os pagamentos feitos pelos clientes com empréstimos ativos passam a integrar o conjunto de recursos que serão usados para quitar as dívidas da instituição com terceiros.
O que muda para quem tem empréstimo ativo
Na prática, o cliente continua obrigado a pagar as parcelas do empréstimo nas mesmas condições previstas em contrato. O que pode mudar é a forma de cobrança e o destinatário do pagamento.
“O que pode mudar, para o cliente, é o ‘como’ e o ‘para quem’ ele passa a pagar. O liquidante pode manter um sistema próprio de cobrança, emitir novos boletos, criar canais específicos de atendimento ou, em um segundo momento, optar pela venda da carteira de crédito do Will Bank a outra instituição financeira ou a fundos especializados em aquisição de carteiras”, explica Buzatto.
Ou seja, mesmo que o banco não exista mais como operação ativa, a dívida continua existindo e deve ser quitada conforme orientações oficiais do liquidante.
Quem passa a cobrar as dívidas do Will Bank
Com a liquidação extrajudicial, o Banco Central nomeia um liquidante, que passa a ser o responsável legal por administrar todos os ativos e passivos da instituição financeira. Isso inclui imóveis, créditos, contratos e, principalmente, os valores devidos pelos clientes.
Função da empresa liquidante
A empresa liquidante tem como missão levantar todos os bens do banco, vender ativos quando necessário e organizar os pagamentos devidos a credores, respeitando a ordem legal de prioridade. Os empréstimos concedidos pelo Will Bank fazem parte desse conjunto de ativos.
A cobrança das parcelas passa a ser feita diretamente pelo liquidante ou por empresas contratadas para esse fim. Em alguns casos, pode haver mudança no sistema de cobrança, novos boletos ou alteração nos canais de atendimento.
Venda da carteira de crédito
Outra possibilidade comum em processos de liquidação é a venda da carteira de crédito para outras instituições financeiras ou fundos especializados. Nesse cenário, o cliente passa a dever para um novo credor, mas as condições do contrato original devem ser respeitadas.
Essa prática é legal e prevista na legislação, desde que o consumidor seja informado adequadamente sobre a mudança.
O risco de parar de pagar durante a liquidação
Apesar da instabilidade gerada pelo encerramento do banco, especialistas alertam que deixar de pagar o empréstimo não é uma opção segura. A inadimplência continua sujeita às mesmas consequências previstas antes da liquidação.
Consequências para quem deixa de pagar
O ex-correntista que interrompe os pagamentos pode enfrentar:
- Cobrança de juros e multas contratuais
- Negativação do nome em órgãos de proteção ao crédito
- Cobranças extrajudiciais mais intensas
- Ações judiciais movidas pela empresa liquidante ou pelo novo credor
Em situações mais extremas, a dívida pode ser executada judicialmente, com bloqueio de valores ou penhora de bens, conforme a legislação vigente.
E quem tem dívida e dinheiro a receber do banco?
Outra dúvida frequente envolve clientes que possuem empréstimos ativos e, ao mesmo tempo, valores a receber do Will Bank, como saldo em conta ou recursos decorrentes de outras operações.
Segundo a advogada Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, a compensação desses valores não ocorre automaticamente.
Compensação não é automática
“A compensação depende de análise do liquidante, pois os créditos possuem naturezas jurídicas distintas. O consumidor não pode simplesmente deixar de pagar o empréstimo sob o argumento de que possui saldo em conta ou valores a receber do banco, sob pena de caracterização de inadimplência”, explica Vlavianos.
Isso significa que o cliente deve continuar pagando normalmente o empréstimo até que haja uma orientação formal sobre eventual compensação ou restituição de valores.
Como funciona a análise do liquidante
O liquidante avalia caso a caso, considerando a natureza dos créditos, a documentação existente e as regras legais da liquidação extrajudicial. Apenas após essa análise é possível autorizar qualquer compensação, o que pode levar tempo.
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Enquanto isso, a orientação jurídica é clara: manter os pagamentos em dia para evitar problemas futuros.
O perfil do Will Bank e o impacto da liquidação
O Will Bank fazia parte do grupo Master e atuava como banco digital com foco em inclusão financeira. Seu público principal era formado por consumidores das classes C e D, muitas vezes com restrições de crédito em bancos tradicionais.
Produtos oferecidos pela fintech
Entre os principais produtos do Will Bank estavam:
- Empréstimo pessoal com juros a partir de 4,59% ao mês
- Parcelamento de compras em até 36 vezes
- Carência de até 60 dias para a primeira parcela
- Conta digital com serviços básicos
Essas condições tornaram a fintech atrativa, mas também ampliaram a exposição de consumidores mais vulneráveis ao endividamento.
Impacto social do encerramento
A liquidação do Will Bank afeta diretamente milhares de clientes que dependiam da instituição para acesso ao crédito. Além da incerteza financeira, muitos enfrentam dificuldades para entender como proceder com pagamentos, cobranças e eventuais restituições.
O que os clientes devem fazer agora
Diante do cenário, especialistas recomendam cautela e atenção às comunicações oficiais. Ignorar a situação ou agir por conta própria pode gerar prejuízos financeiros e jurídicos.
Boas práticas para ex-correntistas
Entre as principais orientações aos clientes do Will Bank:
- Acompanhar comunicados oficiais do liquidante
- Manter os pagamentos do empréstimo em dia
- Guardar comprovantes de pagamento
- Evitar acordos informais ou propostas não oficiais
- Buscar orientação jurídica em caso de dúvida
Manter-se informado é fundamental para atravessar o processo de liquidação com menos riscos.
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital
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