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Selic pode cair mais: XP reduz projeção de 14% para 13,25%

XP reduz projeção da Selic para 13,25% em 2026 após sinais de desaceleração da economia e desinflação mais rápida que o esperado.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··6 min de leitura
Selic pode cair mais: XP reduz projeção de 14% para 13,25%

A XP revisou sua projeção para a Selic e passou a esperar que a taxa básica de juros encerre 2026 em 13,25% ao ano. A estimativa anterior era de 14%, o mesmo nível definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de agosto.

A mudança representa uma aposta em mais 0,75 ponto percentual de cortes até dezembro. Segundo a instituição, dados recentes indicam que a atividade econômica está perdendo força e que o processo de desinflação começou a aparecer antes do esperado. Com isso, a hipótese de uma pausa no ciclo de redução dos juros deixou de ser o cenário principal da XP.

A Selic está atualmente em 14% ao ano, após o Copom reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual em agosto. Na decisão, o Banco Central afirmou que os indicadores apontavam moderação gradual da atividade, mas destacou que a inflação e as expectativas ainda exigiam cautela na condução da política monetária.

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Imagem: Reprodução

A principal razão para a revisão foi a combinação de inflação mais comportada com sinais de desaceleração da economia. Para a XP, as últimas divulgações vieram abaixo das expectativas anteriores da instituição, reduzindo os argumentos para interromper o ciclo de flexibilização monetária ainda em 2026.

O IPCA-15 de agosto reforçou essa percepção ao registrar deflação de 0,40%. O resultado reduziu a inflação acumulada em 12 meses para 4,24%, embora parte relevante da queda tenha sido influenciada por fatores temporários, especialmente o desconto do Bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica. A XP reconhece esse efeito pontual, mas avalia que outros componentes do indicador também mostraram melhora.

A casa também observa perda de ritmo em indicadores de atividade. Produção industrial, varejo e serviços têm mostrado desempenho mais fraco, enquanto a criação de empregos, a renda e as concessões de crédito começam a apresentar moderação.

Outro fator destacado é o elevado endividamento. Mesmo com estímulos fiscais, consumidores e empresas enfrentam comprometimento elevado da renda e custos financeiros ainda pressionados pelos juros altos. Na avaliação da XP, isso reduz a capacidade dos estímulos de impulsionar a demanda na intensidade esperada.

Novo cenário prevê Selic de 13,25% no fim do ano

A nova projeção indica que a XP espera continuidade gradual dos cortes nas reuniões restantes do Copom em 2026. O cenário da instituição considera uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, em setembro, seguida por novas reduções até que a Selic alcance 13,25% em dezembro.

A previsão é mais agressiva que a mediana do mercado financeiro antes da revisão. No Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 24 de agosto, a expectativa era de Selic em 13,75% ao fim de 2026. Portanto, a XP passou a trabalhar com uma taxa 0,50 ponto percentual inferior à projeção mediana então registrada.

É importante destacar que projeções de instituições financeiras não representam uma decisão antecipada do Banco Central. O Copom pode alterar o ritmo dos cortes, interromper o ciclo ou promover novas reduções conforme a evolução da inflação, da atividade econômica, do câmbio e das expectativas.

Projeção para 2027 continua em 11,50%

Apesar da revisão para este ano, a XP manteve sua projeção de Selic em 11,50% no final de 2027. A mudança, portanto, não representa uma visão mais otimista sobre os juros no longo prazo, mas uma expectativa de que a taxa chegará mais rapidamente ao patamar já previsto.

Segundo a instituição, a economia deve perder ainda mais força em 2027. A XP trabalha com crescimento de apenas 1% para o PIB no próximo ano, abaixo de sua expectativa para 2026.

Com menor pressão da atividade sobre os preços, a instituição espera que o Banco Central tenha mais espaço para continuar o processo de flexibilização monetária. A XP prevê que o ritmo dos cortes possa acelerar para 0,50 ponto percentual a partir de março de 2027.

O próprio Banco Central, porém, mantém uma avaliação cautelosa. Na ata da reunião de agosto, o Copom apontou incerteza elevada, expectativas de inflação acima da meta e riscos relevantes para o cenário prospectivo. No cenário de referência divulgado pelo BC, a projeção para o IPCA era de 5,1% em 2026 e 3,8% em 2027.

Quais riscos podem mudar a trajetória da Selic?

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Mesmo com sinais recentes de desinflação, a XP destaca fatores que podem dificultar novos cortes. Um deles é a possibilidade de pressão sobre os alimentos provocada por condições climáticas adversas associadas ao El Niño.

Os combustíveis também permanecem no radar. Alterações nos preços internacionais, no câmbio ou na política de reajustes podem influenciar a inflação doméstica. Além disso, uma eventual desvalorização do real tende a encarecer produtos importados e insumos.

O mercado de trabalho, embora apresente sinais de moderação, ainda é acompanhado de perto pelo Copom. Renda e emprego aquecidos podem sustentar o consumo e dificultar uma desaceleração mais rápida dos preços, especialmente no setor de serviços.

Por isso, a nova projeção da XP não significa que o caminho para uma Selic menor esteja garantido. O Banco Central continuará tomando decisões reunião a reunião, considerando os dados disponíveis e o comportamento esperado da inflação.

O que uma Selic de 13,25% pode significar?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Uma redução da Selic tende a diminuir gradualmente o custo do crédito, embora o efeito sobre empréstimos, financiamentos e cartões não seja imediato nem proporcional. Cada instituição financeira define suas próprias taxas considerando fatores como risco, inadimplência e custos operacionais.

Para investidores, uma Selic menor pode reduzir a rentabilidade futura de aplicações pós-fixadas vinculadas ao CDI, mas não elimina a atratividade da renda fixa. Títulos já contratados possuem características próprias, e investimentos prefixados ou indexados à inflação podem reagir de forma diferente às mudanças nas expectativas para os juros.

O principal ponto para o consumidor é acompanhar se a queda da Selic será sustentada. Se a inflação continuar cedendo e a atividade econômica desacelerar conforme o esperado, o espaço para juros menores pode aumentar. Caso surjam novas pressões sobre os preços, o ritmo de redução poderá ser revisto.

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