A Justiça de São Paulo determinou, de forma provisória, o bloqueio de quotas e imóveis ligados à família Fares, controladora da Marabraz. A decisão ocorre em meio a uma disputa entre integrantes da família pelo patrimônio empresarial e ganha peso porque a varejista entrou recentemente com pedido de recuperação judicial.
A Marabraz apresentou o pedido em 15 de agosto de 2026. O processo envolve cinco empresas relacionadas ao grupo e aponta dívidas de R$ 140,188 milhões.
A medida judicial, portanto, acontece em um momento delicado para a companhia. Entenda o que foi bloqueado, por que existe uma disputa entre os familiares e o que muda para a empresa e para os consumidores.
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O que a Justiça bloqueou?

A decisão restabeleceu a indisponibilidade das quotas da LP Administradora de Bens e dos imóveis vinculados à empresa.
Na prática, os ativos não podem ser livremente transferidos enquanto a discussão judicial estiver em andamento. A medida é provisória e não significa que a Justiça tenha determinado a perda definitiva dos bens.
A decisão foi tomada pelo desembargador Roberto Nussinkis Mac Cracken, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Os irmãos Nasser e Jamel Fares, que controlam a Marabraz, questionam uma operação envolvendo as quotas da administradora de bens.
Por que a família Fares está em disputa?
A controvérsia envolve a transferência das quotas da LP Administradora de Bens para Abdul e Nader Fares, netos do fundador da Marabraz.
Nasser e Jamel contestam a operação e afirmam que a transferência teria afastado patrimônio que poderia estar relacionado às empresas do grupo. A defesa dos netos, por sua vez, sustenta que não existe risco concreto de esvaziamento dos ativos.
A discussão ainda não foi encerrada pela Justiça. Por isso, o bloqueio determinado agora não representa uma decisão definitiva sobre quem tem razão na disputa.
Marabraz está em recuperação judicial?
Sim. A rede varejista entrou com pedido de recuperação judicial em agosto.
O processo envolve cinco empresas ligadas à operação da companhia e apresenta um passivo de R$ 140,188 milhões.
A recuperação judicial é utilizada por empresas que enfrentam dificuldades financeiras para tentar reorganizar suas dívidas e continuar funcionando. Ela não significa, por si só, que a empresa esteja falindo.
No caso da Marabraz, a companhia afirma que continua operando normalmente e que suas lojas permanecem abertas.
Por que o bloqueio dos bens preocupa a empresa?
A disputa patrimonial tem relação com a estrutura financeira da companhia.
Segundo as informações apresentadas no processo de recuperação judicial, ativos imobiliários ligados à família eram utilizados como garantias em operações de crédito. Com o conflito societário, a empresa passou a enfrentar dificuldades para acessar ou renovar determinadas linhas de financiamento.
Isso pode agravar um problema de liquidez justamente quando a varejista precisa de recursos para manter suas operações e reorganizar as dívidas.
Por outro lado, o bloqueio dos bens não significa que a Marabraz esteja automaticamente impedida de funcionar ou que todos os seus ativos tenham sido congelados.
A Marabraz vai fechar as lojas?
Até o momento, não há indicação de fechamento imediato das lojas por causa da recuperação judicial.
A empresa declarou que continua funcionando e pretende preservar suas atividades durante o processo de reestruturação.
O futuro da rede, porém, dependerá da capacidade de reorganizar suas obrigações financeiras e do andamento da recuperação judicial. Credores, administradores judiciais e a própria Justiça terão participação nas próximas etapas.
O que acontece com quem comprou na Marabraz?
O consumidor não perde automaticamente seus direitos porque a empresa entrou em recuperação judicial.
Quem tem uma compra pendente, aguarda uma entrega, solicitou cancelamento ou enfrenta problemas relacionados à garantia deve guardar documentos como nota fiscal, comprovante de pagamento, contrato e protocolos de atendimento.
Se a empresa não resolver o problema, o consumidor pode registrar reclamação nos canais oficiais e procurar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.
A recuperação judicial muda a forma como determinadas dívidas da empresa são tratadas, mas não significa que todas as obrigações com consumidores desapareçam.
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Quem ainda paga um carnê da Marabraz pode parar?
Não é recomendável simplesmente interromper os pagamentos.
Se existe um contrato de financiamento ou parcelamento ainda válido, a recuperação judicial da varejista não significa automaticamente que as parcelas deixaram de ser devidas.
O consumidor deve conferir quem é o responsável pela cobrança e manter os comprovantes dos pagamentos. Em caso de dúvida sobre um contrato específico, é necessário verificar as condições da operação antes de suspender qualquer parcela.
O que acontece agora com os bens bloqueados?
A disputa ainda deve continuar na Justiça.
O TJ-SP admitiu um recurso especial apresentado por Nasser e Jamel Fares, que pretendem levar a discussão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Enquanto o caso não é definitivamente solucionado, a indisponibilidade dos ativos permanece nos termos determinados pela decisão judicial.
Também seguirá seu curso o processo de recuperação judicial da Marabraz, que terá de cumprir as etapas previstas na legislação.
O que muda na prática?

Para a família controladora, o bloqueio limita temporariamente a movimentação dos bens envolvidos na disputa.
Para a Marabraz, a decisão ocorre em um momento de necessidade de reorganização financeira e pode influenciar a discussão sobre garantias e patrimônio do grupo.
Para os consumidores, não há indicação de que as lojas tenham deixado de funcionar. Quem possui uma compra em andamento deve continuar acompanhando a situação e manter todos os documentos relacionados à negociação.
O ponto central é que existem dois processos relacionados, mas diferentes: a disputa judicial pelo patrimônio da família e a recuperação judicial das empresas. Os dois podem influenciar o futuro do grupo, mas não são a mesma coisa.
Conclusão
A decisão que bloqueou provisoriamente bens ligados à família Fares coloca mais um elemento de pressão sobre a Marabraz, que já enfrenta uma recuperação judicial com dívidas milionárias. Por enquanto, a medida não representa perda definitiva dos imóveis nem significa que a rede esteja encerrando suas atividades.
O caso ainda depende de novas decisões da Justiça, tanto na disputa pelo patrimônio familiar quanto na recuperação judicial das empresas. Para consumidores que possuem compras, parcelas ou pedidos pendentes, a recomendação é acompanhar os canais oficiais, guardar comprovantes e formalizar qualquer problema.



