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Novas regras do YouTube elevam requisitos para creators monetizarem vídeos

YouTube vai elevar exigências de monetização em 2027; veja as novas regras para anúncios, Shorts e criadores brasileiros.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··14 min de leitura
Novas regras do YouTube elevam requisitos para creators monetizarem vídeos

O YouTube vai mudar as regras para quem pretende ganhar dinheiro com anúncios pela plataforma. A partir de 1º de fevereiro de 2027, novos canais que quiserem entrar no Programa de Parcerias do YouTube (YPP) para receber receitas de publicidade terão de cumprir requisitos mais altos de audiência.

A principal alteração está nos números necessários para alcançar a monetização por anúncios. A exigência de 4 mil horas de exibição pública em vídeos longos nos últimos 12 meses subirá para 8 mil horas. Para quem utiliza a alternativa baseada em Shorts, o requisito passará de 10 milhões para 20 milhões de visualizações públicas qualificadas em 90 dias.

O limite de inscritos continuará em 1 mil para essa faixa de monetização.

A mudança não significa, porém, que todos os criadores precisarão alcançar 8 mil horas ou 20 milhões de visualizações para ganhar qualquer tipo de dinheiro no YouTube. A plataforma mantém uma porta de entrada anterior do programa, com requisitos menores, que permite acesso a recursos como financiamento por fãs e Shopping.

A diferença entre essas duas etapas será fundamental para quem está começando a produzir conteúdo.

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Imagem: Photo Agency / Shutterstock

O que muda na monetização do YouTube em 2027

A alteração anunciada pelo YouTube tem dois públicos diferentes: quem ainda pretende entrar no programa e quem já faz parte dele.

Para novos canais, o caminho para receber receita de anúncios ficará mais difícil. A partir de fevereiro de 2027, será necessário ter 1 mil inscritos e cumprir uma das duas condições: 8 mil horas de exibição pública válida em vídeos longos nos últimos 12 meses ou 20 milhões de visualizações públicas qualificadas de Shorts nos 90 dias anteriores.

Hoje, a documentação oficial do YouTube ainda apresenta os critérios de 1 mil inscritos mais 4 mil horas de exibição pública em vídeos longos ou 10 milhões de visualizações públicas de Shorts em 90 dias. Portanto, os números atuais permanecem válidos até a entrada em vigor da nova política.

A mudança representa uma duplicação dos dois principais indicadores usados como porta de entrada para a receita publicitária.

Isso significa que um canal que estiver construindo audiência em 2026 precisa considerar o calendário da alteração. Quem atingir os critérios atuais antes da mudança poderá entrar no YPP de acordo com as regras vigentes naquele momento, enquanto novos candidatos após a data de implementação estarão sujeitos aos patamares mais altos.

Novos canais terão que alcançar 8 mil horas

Para criadores que apostam principalmente em vídeos longos, a nova regra aumenta de forma significativa o esforço necessário para chegar à receita de anúncios.

Atualmente, são exigidas 4 mil horas de exibição pública válida nos últimos 12 meses. A partir de fevereiro de 2027, serão 8 mil horas.

Vale destacar que o YouTube não contabiliza todas as formas de exibição para esse cálculo. As horas provenientes do Feed dos Shorts, por exemplo, não entram na contagem das horas públicas necessárias para essa rota. Vídeos privados, não listados ou excluídos também possuem restrições específicas.

Na prática, o criador precisará construir uma audiência que realmente permaneça nos vídeos.

Imagine um canal que publique dois vídeos por semana e consiga manter uma média de 10 minutos assistidos por visualização. Para chegar a 8 mil horas, seria necessário acumular aproximadamente 48 mil visualizações com esse tempo médio de exibição.

É apenas um exemplo matemático. Na realidade, a quantidade necessária varia conforme a duração dos vídeos, retenção, número de visualizações e comportamento do público.

A mudança, portanto, não depende apenas de produzir mais conteúdo. A capacidade de manter espectadores assistindo por mais tempo se torna ainda mais relevante.

Rota dos Shorts passa para 20 milhões de visualizações

Quem prefere o formato vertical também enfrentará uma barreira maior.

A rota de Shorts para novos participantes do YPP passará de 10 milhões para 20 milhões de visualizações públicas qualificadas em 90 dias.

Esse prazo é importante porque não se trata de acumular 20 milhões de visualizações ao longo da existência do canal. O desempenho precisa ocorrer dentro de uma janela móvel de três meses.

Para um canal que queira atingir o novo requisito de forma relativamente uniforme, 20 milhões de visualizações em 90 dias equivaleriam a uma média aproximada de 222 mil visualizações por dia.

Isso não significa que o YouTube exija essa distribuição diária. Um canal pode ter um vídeo viral e concentrar grande parte da audiência em poucos dias. O cálculo considera o período definido pela plataforma.

Além disso, o YouTube diferencia visualizações válidas de métricas que não são elegíveis para os requisitos do programa. Visualizações provenientes de Shorts privados, não listados, excluídos ou campanhas publicitárias não entram na contagem.

20 milhões e 10 milhões terão funções diferentes

Um dos pontos mais importantes da nova política é não confundir os dois números relacionados aos Shorts.

Os 20 milhões de visualizações em 90 dias funcionarão como requisito para que um novo canal utilize a rota dos Shorts para alcançar a faixa de entrada da monetização publicitária.

Já os 10 milhões de visualizações em 90 dias passam a funcionar como uma exigência de desempenho para que canais monetizados continuem recebendo a parcela correspondente à publicidade do Shorts.

A segunda regra não significa que o criador seja automaticamente expulso do Programa de Parcerias se ficar abaixo de 10 milhões.

De acordo com o anúncio, o canal poderá permanecer no YPP, mas a participação na receita de anúncios dos Shorts será interrompida enquanto o requisito não for novamente alcançado.

Essa distinção muda bastante a estratégia de quem produz vídeos curtos.

Quem já é monetizado será afetado?

Sim, mas de maneira diferente dos novos candidatos.

O YouTube informou que os canais que já estão no Programa de Parcerias não perderão simplesmente seu status por causa da elevação dos requisitos de entrada. Os criadores atuais terão de aceitar os novos termos até 31 de janeiro de 2027 para continuar participando nas condições atualizadas.

A plataforma também estabeleceu requisitos contínuos de atividade e desempenho para os participantes.

Entre as condições divulgadas estão manter pelo menos 1 mil horas de exibição no período de referência, 1 milhão de visualizações de Shorts ou realizar determinadas publicações dentro de uma janela de 90 dias. A política de inatividade também prevê a possibilidade de remoção de canais que permaneçam sem publicar vídeos ou conteúdo na guia Comunidade por pelo menos seis meses.

Por isso, estar monetizado antes de fevereiro de 2027 traz uma diferença importante, mas não significa que o canal possa abandonar completamente a produção de conteúdo.

Receita dos Shorts terá uma nova barreira

A alteração mais relevante para quem já recebe dinheiro com vídeos curtos está na própria receita de anúncios do Shorts.

Atualmente, criadores que participam da monetização de Shorts podem receber uma parcela da receita gerada pelos anúncios exibidos entre os vídeos no Feed dos Shorts.

O modelo é diferente daquele utilizado nos vídeos longos. A receita publicitária do Feed dos Shorts é reunida em um fundo, que considera visualizações qualificadas e outros fatores antes de distribuir os valores aos criadores participantes. O YouTube informa que, depois dos cálculos relacionados ao fundo de criadores, a participação destinada aos criadores é de 45%.

Com a nova regra, porém, o criador monetizado precisará alcançar 10 milhões de visualizações qualificadas em 90 dias para continuar recebendo essa receita específica.

Se o canal ficar abaixo do patamar, a monetização dos Shorts será pausada, mas o criador continuará no programa e poderá recuperar o acesso quando voltar a cumprir o requisito.

O que acontece com quem não atingir 10 milhões

Não atingir o limite não significa perder automaticamente todas as fontes de renda do YouTube.

Um canal pode continuar utilizando outras ferramentas disponíveis no Programa de Parcerias, desde que cumpra os requisitos correspondentes.

A plataforma possui diferentes mecanismos de monetização, como anúncios em vídeos longos, YouTube Premium, Clubes dos canais, Super Chat, Super Stickers, Super Thanks e Shopping. Cada recurso possui critérios específicos.

Assim, um criador que não consiga manter 10 milhões de Shorts em 90 dias pode continuar explorando vídeos longos e mecanismos de relacionamento direto com sua audiência.

Essa separação é particularmente importante para pequenos canais.

A porta de entrada de 500 inscritos continua existindo

O YouTube não está eliminando a modalidade de entrada antecipada do Programa de Parcerias.

Atualmente, criadores que alcançam 500 inscritos, fazem três uploads públicos válidos nos últimos 90 dias e atingem 3 mil horas de exibição pública em vídeos longos nos últimos 365 dias ou 3 milhões de visualizações públicas de Shorts em 90 dias podem obter acesso a determinados recursos de monetização.

Nessa etapa, estão disponíveis ferramentas como Clubes dos canais, Super Chat, Super Stickers, Super Thanks e Shopping para produtos próprios, de acordo com os critérios aplicáveis.

O ponto decisivo é que essa faixa não equivale à monetização completa por publicidade.

Para ganhar com anúncios da página de exibição e anúncios do Feed dos Shorts, o canal precisa alcançar o patamar superior do programa. Hoje, esse patamar é de 1 mil inscritos mais 4 mil horas ou 10 milhões de Shorts; a partir de fevereiro de 2027, os critérios de entrada anunciados serão 1 mil inscritos mais 8 mil horas ou 20 milhões de Shorts.

O que muda para pequenos criadores brasileiros

Para quem produz conteúdo no Brasil, a alteração pode representar uma mudança importante no planejamento.

Um criador que esteja começando e dependa exclusivamente de Shorts terá de considerar uma meta de 20 milhões de visualizações em três meses para alcançar a faixa de publicidade após a entrada em vigor da nova regra.

Já quem trabalha com vídeos longos precisará construir 8 mil horas de exibição pública em um período de 12 meses.

Isso favorece estratégias que combinam formatos.

Um canal pode utilizar Shorts para conquistar novos espectadores e, posteriormente, direcionar parte dessa audiência para vídeos longos. O objetivo passa a ser não apenas aumentar o número de visualizações, mas transformar alcance em tempo de exibição e audiência recorrente.

Shorts continuam sendo uma ferramenta importante

Apesar do aumento das exigências, a mudança não significa que o YouTube esteja abandonando os Shorts.

Pelo contrário. O formato continua integrado ao modelo de monetização da plataforma e segue como uma das principais portas para descoberta de novos canais.

A questão está na relação entre alcance e receita.

O próprio funcionamento do programa mostra que a publicidade dos Shorts é diferente da publicidade tradicional de vídeos longos. Os anúncios são exibidos entre vídeos no Feed, e a receita é agrupada antes de ser distribuída entre os criadores elegíveis.

Por isso, milhões de visualizações de Shorts não equivalem necessariamente ao mesmo resultado financeiro obtido com milhões de visualizações em vídeos longos.

Essa diferença torna importante avaliar não apenas o volume de views, mas também a capacidade de transformar espectadores ocasionais em audiência recorrente.

YouTube reconhece que escala é importante para a receita dos Shorts

A justificativa apresentada pela companhia para a nova exigência está relacionada ao próprio funcionamento econômico dos vídeos curtos.

Segundo o vice-presidente de produto para criadores do YouTube, Amjad Hanif, a plataforma considera necessário um volume elevado de visualizações para que a receita de anúncios em Shorts seja relevante para o criador.

A lógica da mudança é, portanto, concentrar a participação na receita publicitária dos Shorts em canais que apresentem escala significativa.

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Isso não altera a estrutura básica de divisão de receita do formato, mas cria um novo filtro de desempenho para o acesso contínuo ao dinheiro dos anúncios.

Para o criador, o efeito prático é que atingir a monetização uma única vez não será necessariamente suficiente para garantir receita publicitária recorrente nos Shorts.

Outras formas de ganhar dinheiro ganham importância

Com o aumento da barreira para publicidade, outras fontes de receita podem se tornar mais importantes para quem está construindo um canal.

O próprio YouTube destaca recursos como Shopping, financiamento por fãs e receita do YouTube Premium.

No caso do Shopping, por exemplo, o criador pode utilizar sua audiência para apresentar produtos próprios ou, quando elegível, produtos de outras marcas por meio do programa de afiliados. Os requisitos variam de acordo com o recurso e o país.

Também existe a possibilidade de utilizar Super Thanks, Clubes, Super Chat e Super Stickers, dependendo do tipo de conteúdo e da elegibilidade do canal.

Para um criador brasileiro, isso significa que a monetização não precisa depender exclusivamente do AdSense.

YouTube também amplia o Premium Lite

Outra frente anunciada pela plataforma é a expansão do Premium Lite, modalidade de assinatura de preço mais baixo.

Segundo informações divulgadas sobre as mudanças, a expansão pretende aumentar a base de usuários que pagam pelo serviço e, consequentemente, ampliar as oportunidades de receita derivadas de assinaturas. O YouTube afirma que criadores podem receber participação da receita do Premium quando assinantes assistem ao conteúdo elegível.

No modelo atual, o YouTube informa que a receita do YouTube Premium é distribuída aos criadores com base na audiência gerada por assinantes, enquanto o percentual divulgado para Shorts é de 45% da receita líquida alocada aos criadores.

A expansão desse tipo de assinatura representa uma tentativa de diversificar a economia da plataforma, reduzindo a dependência exclusiva da publicidade.

A mudança faz parte de uma estratégia maior do YouTube

O endurecimento das regras de monetização acontece enquanto o YouTube amplia sua atuação no mercado de entretenimento.

A plataforma vem investindo em recursos que aproximam a experiência de canais independentes daquela encontrada em serviços tradicionais de streaming.

Entre as iniciativas recentes está a possibilidade de organizar vídeos em temporadas, permitindo que determinados canais apresentem seus conteúdos com uma estrutura semelhante à de programas de televisão.

O YouTube também fechou acordos com nomes conhecidos do entretenimento, como Trevor Noah, em uma estratégia que reforça sua intenção de disputar o tempo de audiência com plataformas de streaming tradicionais.

Nesse contexto, a mudança do YPP pode ser vista como parte de uma reorganização da economia da plataforma.

O que a nova regra significa para quem quer começar um canal

Para quem ainda não criou um canal, a principal conclusão é que a monetização por publicidade ficará mais distante a partir de fevereiro de 2027.

Isso não significa que seja impossível ganhar dinheiro com poucos inscritos.

A porta de entrada de 500 inscritos continua permitindo acesso a determinadas ferramentas, desde que o canal também cumpra os demais requisitos.

O que muda é a distância entre começar a produzir conteúdo e alcançar receita de anúncios.

Um canal novo pode construir audiência, vender produtos, utilizar ferramentas de apoio dos fãs e desenvolver parcerias comerciais antes mesmo de atingir o patamar necessário para publicidade.

A estratégia, portanto, tende a ser menos dependente de uma única fonte de receita.

Como se preparar para as novas regras do YouTube

Criadores que ainda não alcançaram os requisitos de publicidade devem acompanhar seu desempenho diretamente no YouTube Studio.

No caso de vídeos longos, vale observar não apenas as visualizações, mas principalmente as horas públicas válidas acumuladas e a evolução desse indicador ao longo dos 12 meses.

Nos Shorts, é necessário acompanhar as visualizações qualificadas dentro da janela de 90 dias.

Também é importante evitar práticas que possam comprometer a elegibilidade do conteúdo. O YouTube informa que visualizações artificiais ou falsas não são consideradas para monetização e que conteúdo reutilizado ou não original pode sofrer restrições.

A plataforma também exige conformidade com as diretrizes de conteúdo adequado para anunciantes, políticas de direitos autorais e demais regras do programa.

Conteúdo original continua sendo fundamental

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A elevação dos números não substitui a necessidade de cumprir as políticas de monetização.

Um canal pode atingir milhões de visualizações e ainda assim enfrentar problemas para entrar ou permanecer monetizado se o conteúdo não estiver de acordo com as regras.

O YouTube deixa claro que canais participantes precisam seguir suas políticas de monetização, incluindo as regras sobre conteúdo repetitivo e reutilizado.

Isso é particularmente relevante em um cenário de crescimento de ferramentas de inteligência artificial capazes de produzir vídeos em grande escala.

A busca por volume, portanto, não deve ser confundida com a produção automática de conteúdo sem valor agregado.

(Imagem: T. Schneider / Shutterstock.com)

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