A Zetta, associação que representa algumas das principais fintechs do Brasil, como Nubank, Mercado Pago e Will Bank, publicou nesta terça-feira (data fictícia) uma nota oficial criticando a decisão do Conselho Curador do FGTS que limitou o uso da modalidade saque-aniversário como ferramenta de antecipação de crédito. A decisão, que impõe tetos e restrições ao acesso dos trabalhadores ao seu próprio saldo, foi recebida com preocupação pelas empresas de tecnologia financeira.
Associação critica alterações propostas para o saque-aniversário do FGTS
Zetta, que reúne fintechs como o Nubank, critica limites no saque-aniversário do FGTS e alerta para impacto no crédito dos negativados.
Segundo a Zetta, a medida impactará negativamente especialmente os trabalhadores com restrições no nome, uma vez que a antecipação do saque-aniversário se consolidava como alternativa acessível de crédito para negativados, com taxas inferiores às praticadas no mercado tradicional.
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O que mudou na regra do saque-aniversário?
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) decidiu impor novas limitações à antecipação do saque-aniversário. As principais mudanças são:
- Limite de uma operação por ano, independentemente da quantidade de parcelas antecipadas;
- Teto de R$ 500 por operação e piso de R$ 100;
- Válidas para todas as instituições financeiras e fintechs.
A decisão surpreendeu o setor, que não foi consultado previamente e alega que não houve análise de impacto regulatório.
Fintechs reagem: liberdade de escolha do trabalhador ameaçada
A Zetta, em sua nota, destacou que a antecipação do saque-aniversário vinha se tornando uma ferramenta relevante de inclusão financeira, principalmente para a população negativada ou sem acesso ao crédito tradicional.
“A linha de crédito vinculada à antecipação do saldo vinha se consolidando como uma ferramenta importante de inclusão financeira ao proporcionar crédito a taxas mais acessíveis e melhores condições. Além disso, amplia a concorrência e a liberdade de escolha do trabalhador”, afirmou a entidade.
Segundo a associação, os trabalhadores perdem com a limitação, pois passam a ter menos opções de acesso a dinheiro com juros mais baixos e maior previsibilidade de pagamento, já que a liquidação da dívida ocorre automaticamente via saldo futuro do FGTS.
Por que o saque-aniversário era tão atrativo para fintechs e trabalhadores?
Desde que foi lançado em 2019, o saque-aniversário ganhou força como opção de antecipação de crédito por oferecer baixo risco de inadimplência. O modelo permite que o trabalhador antecipe valores a que teria direito nos próximos anos, com pagamento direto garantido pela Caixa Econômica Federal, via débito automático nas datas de saque.
As fintechs se destacaram nesse mercado por oferecer:
- Taxas de juros mais baixas que o crédito pessoal tradicional;
- Contratação 100% digital e rápida;
- Menor exigência de comprovação de renda ou score de crédito.
Para negativados ou autônomos, o modelo representava uma das poucas formas seguras de obter crédito no mercado legal.
Decisão sem diálogo com o setor preocupa instituições financeiras
Outro ponto criticado pela Zetta foi a falta de diálogo prévio com as instituições financeiras e a ausência de estudo técnico público que justificasse a mudança.
“É fundamental que decisões dessa natureza sejam precedidas de amplo debate e conduzidas com transparência e com a participação dos agentes envolvidos”, diz a nota.
A associação destaca que a mudança repentina afeta o planejamento das fintechs, que operam com margens estreitas e modelos de crédito baseados em algoritmos de risco e projeções de longo prazo.
Segundo fontes do setor, o impacto pode ser significativo para plataformas de crédito que viam na antecipação do FGTS uma vertical em crescimento, com milhões de usuários potenciais.
Impacto para trabalhadores com nome sujo

Segundo dados do Serasa Experian, cerca de 72 milhões de brasileiros estavam negativados em agosto de 2025. Desses, boa parte recorreu à antecipação do saque-aniversário como única forma de acesso a crédito sem necessidade de score elevado ou avalista.
Com o novo limite de R$ 500 por ano, a utilidade da ferramenta para aliviar dívidas ou cobrir emergências é drasticamente reduzida. Muitos trabalhadores utilizavam a antecipação de até 5 parcelas, com valores que podiam ultrapassar os R$ 2 mil, conforme o saldo disponível no fundo.
Exemplo prático:
- Um trabalhador com R$ 6.000 de saldo no FGTS poderia antecipar três parcelas de R$ 600, somando R$ 1.800;
- Com a nova regra, ele só poderá antecipar R$ 500 em uma única vez ao longo do ano.
Esse valor é insuficiente, segundo especialistas, para cumprir objetivos como quitação de dívidas, manutenção de pequenas empresas ou tratamentos de saúde emergenciais — motivos mais comuns apontados por usuários da modalidade.
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O que motivou a limitação do saque-aniversário?
O governo federal e o Conselho Curador do FGTS justificaram a medida como parte de uma política de “uso mais racional” do fundo, que tem por finalidade original o financiamento de habitação, saneamento básico e infraestrutura.
Além disso, há receio de que o excesso de antecipações comprometa a sustentabilidade do fundo e afete linhas de crédito para o programa Minha Casa Minha Vida, que dependem dos recursos do FGTS.
Fontes da equipe econômica também apontam que o governo planeja mudanças estruturais no FGTS para 2026, com foco em uso habitacional e menor abertura para crédito pessoal, mesmo que via antecipação.
O posicionamento da Caixa e do Ministério do Trabalho
Até o momento, a Caixa Econômica Federal, gestora do fundo, não se manifestou diretamente sobre as críticas. O Ministério do Trabalho, que tem assento no Conselho Curador, alegou que a medida foi “técnica” e visa “assegurar a função social do FGTS”.
Ainda assim, representantes de entidades sindicais ouvidos pela imprensa afirmam que a decisão foi tomada com pouca participação do setor produtivo ou dos trabalhadores.
Especialistas apontam possível retrocesso na bancarização
Para o professor e economista Eduardo Terra, especialista em crédito e finanças populares, a mudança pode significar um retrocesso nas estratégias de inclusão bancária promovidas pelas fintechs nos últimos anos.
“O saque-aniversário antecipado era uma ponte entre o trabalhador informal ou endividado e o sistema financeiro formal. Ao limitá-lo, o governo está fechando uma porta que vinha funcionando muito bem com taxas razoáveis e risco praticamente zero para os bancos.”
Reações do mercado

Embora a medida tenha sido recebida com reserva no setor financeiro, a Bolsa brasileira (B3) e os bancos tradicionais não reagiram de forma significativa. Isso indica que o mercado ainda está avaliando os impactos de longo prazo e aguarda possíveis recursos jurídicos ou flexibilizações da norma.
Enquanto isso, fintechs como Nubank, PicPay, C6 Bank e Inter devem repensar suas ofertas e modelos de crédito vinculados ao FGTS.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
