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13º atrasado: o que fazer quando a primeira parcela não cai para você

Sua primeira parcela do 13º não caiu? Saiba o que fazer, os prazos legais, como exigir seu pagamento. Conheça seus direitos agora!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes10 min de leitura
13º Salário

O não recebimento da primeira parcela do 13º salário no prazo legal, que se encerrou na última sexta-feira (28 de novembro), é um cenário que gera grande insegurança financeira para o trabalhador. As empresas que desrespeitam este prazo estão sujeitas a sanções severas, incluindo multas administrativas e o risco iminente de enfrentar ações na Justiça do Trabalho.

Diante do pagamento em atraso, é essencial que o empregado adote uma postura ativa e informada para proteger seus direitos. A orientação inicial de especialistas é clara: o trabalhador deve primeiro verificar o calendário legal e, em seguida, iniciar a comunicação documentada com o setor responsável da empresa para tentar uma solução amigável antes de buscar as vias legais.

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A urgência do pagamento: prazos e o rigor da legislação

O 13º salário não é apenas um bônus, mas uma obrigação constitucional, um direito social que integra a remuneração anual do trabalhador brasileiro. O rigor da legislação quanto aos seus prazos reflete a importância deste benefício para o planejamento financeiro das famílias no final do ano.

Definição dos prazos: dias úteis e a antecipação

A legislação trabalhista define rigidamente os prazos: 30 de novembro é o limite para o depósito da primeira parcela e 20 de dezembro, para a segunda. Em anos como 2025, a regra estabelece que, se o prazo final cair em um dia não útil (como um sábado ou domingo), o pagamento deve ser obrigatoriamente antecipado para o último dia útil anterior, o que coloca a empresa sob pressão para cumprir o cronograma.

A exceção da parcela única e o acordo coletivo

Embora o parcelamento seja a regra, a empresa pode optar por realizar o pagamento do 13º salário em parcela única. Contudo, essa modalidade é restrita e geralmente requer a previsão em um acordo ou convenção coletiva de trabalho. Mesmo nessa exceção, o prazo final não pode ultrapassar 20 de dezembro, o limite legal para a quitação total do benefício.

O protocolo de ação do trabalhador: da conversa ao registro

O trabalhador que não teve a primeira parcela do décimo terceiro depositada deve seguir um protocolo escalonado que prioriza a resolução amigável, mas que prepara o terreno para uma possível disputa legal. A documentação em cada etapa é crucial.

Tentativa de negociação: o registro escrito

O primeiro passo é formalizar a situação junto à empresa. É altamente recomendado que o empregado procure o setor de Recursos Humanos (RH) ou o superior imediato para questionar o atraso, sempre registrando essa comunicação por escrito. Um e-mail ou uma mensagem formal servem como prova da ciência do empregador e da proatividade do empregado em buscar o pagamento devido.

Ausência de procedimento extrajudicial de coerção

É importante que o trabalhador tenha clareza de que, na esfera extrajudicial, não existe um mecanismo ou procedimento que obrigue a empresa a efetuar o pagamento de forma imediata. Apenas a Justiça do Trabalho detém o poder de determinar o envio compulsório do benefício em atraso. Por isso, as ações subsequentes visam criar pressão e fiscalização sobre o empregador.

A pressão dos órgãos de intermediação e fiscalização

Se a empresa ignorar a comunicação interna ou não apresentar uma solução imediata e crível, o trabalhador deve buscar o apoio de entidades externas. Essas medidas atuam como um forte sinal de alerta para a empresa sobre a iminente judicialização do caso.

O sindicato: mediação e apoio jurídico

Buscar o Sindicato da categoria é uma das medidas mais eficazes. O sindicato pode intervir formalmente como mediador, tentar negociar um prazo de pagamento com a empresa e oferecer orientação jurídica especializada sobre os próximos passos, muitas vezes resolvendo o atraso de forma mais rápida do que uma ação judicial individual.

Denúncia ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) 

A denúncia formal ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aciona o poder de fiscalização do Estado. O MTE pode enviar auditores fiscais para a empresa para verificar o descumprimento da legislação e aplicar as multas administrativas cabíveis, pressionando a empresa a regularizar o pagamento imediatamente.

O papel investigativo do Ministério Público do Trabalho (MPT)

O trabalhador também pode denunciar o atraso ao Ministério Público do Trabalho (MPT). O MPT atua na defesa dos direitos sociais e pode abrir investigações para verificar a prática de irregularidades trabalhistas generalizadas, exigindo que a empresa se adeque à legislação e efetue o pagamento devido a todos os funcionários afetados.

A via judicial: ação trabalhista e o pleito de danos

Quando todas as tentativas extrajudiciais se esgotam, a ação trabalhista torna-se o único caminho para o trabalhador garantir o seu direito ao 13º salário em atraso. A decisão de entrar na justiça deve ser tomada com base em orientação profissional.

Correção monetária, juros e o pleito de danos morais

Ao ajuizar uma ação judicial, o funcionário passa a ter o direito de receber o valor integral do décimo terceiro não pago, acrescido de correção monetária para recompor a perda inflacionária do período e de juros de mora, que penalizam o atraso da empresa. Além disso, em situações onde o trabalhador puder comprovar a existência de dolo, má-fé ou fraude por parte do empregador, ele pode pleitear outros tipos de danos, como a reparação por danos morais devido ao prejuízo psicológico e financeiro causado pelo descumprimento da obrigação.

Multas pelo não cumprimento da lei

Além das multas administrativas do MTE, a Justiça do Trabalho pode aplicar penalidades adicionais à empresa por desrespeito à lei. O acúmulo de multas e a necessidade de correção monetária fazem com que o custo final do pagamento em atraso seja substancialmente maior para a empresa do que se tivesse cumprido o prazo inicial.

Prazos de prescrição: a janela de tempo para agir

O trabalhador deve estar atento aos prazos de prescrição que limitam o tempo para ajuizar uma ação judicial na Justiça do Trabalho. Perder o prazo significa a perda total do direito de reclamar judicialmente os valores.

O prazo quinquenal e bienal

A regra geral da prescrição é de 5 anos para o trabalhador que permanece com o contrato de trabalho ativo na empresa. Isso significa que décimo terceiro não pago, por exemplo, em 2025, pode ser contestado até 2030, desde que o empregado não saia da empresa. No entanto, se o funcionário for desligado por qualquer motivo, o prazo para ajuizar a ação trabalhista é reduzido drasticamente para apenas dois anos, contados a partir da data da rescisão do contrato de trabalho.

Entendendo o cálculo: quanto devo receber de 13º salário?

Para que o trabalhador possa exigir e conferir o valor correto do seu 13º salário, é fundamental que ele compreenda a metodologia do cálculo, que é baseado na remuneração e no tempo de serviço prestado no ano.

A remuneração integral e o conceito de “avos”

O décimo terceiro salário equivale a uma remuneração integral de um mês de trabalho. O cálculo é feito com base nos “avos”, ou seja, em duodécimos. Cada mês trabalhado no ano corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração integral.

A regra dos 15 dias

Para a contagem dos meses, a legislação estabelece que o funcionário que prestou serviços por um período igual ou superior a 15 dias em um determinado mês já terá esse mês computado como um avo completo para o cálculo do 13º salário.

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A composição das parcelas e os descontos

O valor total do 13º salário é dividido em duas etapas, e a aplicação dos descontos obrigatórios ocorre em momentos distintos, impactando o valor líquido recebido pelo empregado.

O adiantamento da primeira parcela

A primeira parcela, paga como adiantamento, deve corresponder exatamente à metade (50%) da remuneração do empregado no mês anterior ao pagamento. Por ser um adiantamento, esse valor é pago sem a incidência de descontos obrigatórios de INSS e Imposto de Renda, o que resulta em um valor líquido maior nesta etapa.

A segunda parcela e as retenções legais

A segunda parcela quita o saldo restante do 13º salário (os outros 50%). É sobre o valor total do décimo terceiro que incidem os descontos. Na segunda parcela, são aplicados os descontos relativos à contribuição para o INSS e, se o valor for superior à faixa de isenção, o desconto do Imposto de Renda retido na fonte. Isso faz com que o valor líquido da segunda parcela seja sempre menor do que o da primeira.

O impacto financeiro e emocional do atraso

O atraso no pagamento do 13º salário não é apenas um problema burocrático; ele tem um impacto direto e significativo na vida financeira e emocional do trabalhador, especialmente no final do ano.

Prejuízo no orçamento de fim de ano

Muitos trabalhadores contam com o décimo terceiro para cumprir compromissos financeiros sazonais, como a compra de presentes, despesas de viagem ou, o mais importante, a quitação de dívidas e o planejamento de início de ano. O atraso força o trabalhador a recorrer a reservas ou, pior, a empréstimos caros para cobrir despesas, revertendo qualquer planejamento financeiro realizado.

A importância da multa e dos juros

O fato de a empresa ter que pagar multas e juros sobre o valor atrasado serve como uma importante função punitiva e preventiva. Isso desincentiva o empregador a utilizar o dinheiro do décimo terceiro dos funcionários como capital de giro, reforçando a seriedade da obrigação legal.

A prevenção: o papel da convenção coletiva e da fiscalização contínua

Para evitar o cenário de atraso, a fiscalização contínua e a consulta à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) são ferramentas essenciais.

Benefícios da convenção coletiva

A CCT, negociada entre o Sindicato e os empregadores, pode estabelecer condições e prazos de pagamento mais favoráveis ao trabalhador do que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) padrão. Em alguns casos, a CCT prevê multas adicionais ou prazos de antecipação mais rigorosos para o pagamento do 13º salário, fortalecendo o direito do empregado.

A fiscalização como garantia de regularidade

A atuação proativa dos órgãos de fiscalização, como o MTE, é crucial para garantir que as empresas mantenham a regularidade no pagamento dos direitos trabalhistas. O trabalhador que denuncia o atraso não está apenas defendendo seu próprio direito, mas contribuindo para a fiscalização de todas as práticas da empresa.

O não pagamento da primeira parcela do 13º salário no prazo é uma falha grave da empresa que ativa um conjunto de proteções legais em favor do trabalhador. O empregado deve agir com disciplina, documentando a comunicação com a empresa e escalonando o problema para o Sindicato e os órgãos de fiscalização competentes. 

A legislação garante não apenas o valor principal, mas também a correção monetária e juros, além da possibilidade de pleitear danos morais em circunstâncias de má-fé. Entender os prazos de prescrição e o cálculo do benefício é vital. Ao adotar essas medidas, o trabalhador garante a proteção de seu direito e reverte o prejuízo causado pelo atraso, assegurando que o décimo terceiro salário, um pilar do orçamento de fim de ano, seja integralmente recebido.

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Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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