O novo levantamento da empresa de análise de dados Nexus trouxe à tona uma realidade preocupante: a maioria dos brasileiros não tem controle sobre o próprio orçamento. A falta de planejamento financeiro, ainda que seja um tema debatido há anos, continua sendo um desafio para milhões de famílias.
Pesquisa revela: metade dos brasileiros não sabe planejar as finanças; entenda os detalhes
Veja aqui por que metade dos brasileiros não planeja as finanças e quais fatores influenciam. Descubra como mudar esse cenário! Leia mais!!!
O estudo não apenas revelou números, mas também mostrou como fatores como idade, classe social e região influenciam diretamente a forma como os cidadãos lidam com o dinheiro no Brasil. Esses resultados reforçam a urgência de discutir educação financeira em um país onde o consumo imediato muitas vezes se sobrepõe ao futuro.

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Educação financeira: O retrato da relação dos brasileiros com o dinheiro
A pesquisa, batizada de “A relação dos brasileiros com dinheiro”, entrevistou pouco mais de mil pessoas das classes A, B e C em todas as regiões do país. A constatação foi clara: 55% dos entrevistados não fazem nenhum tipo de planejamento financeiro, vivendo sem planilhas, metas ou reservas.
Esse dado aponta para um comportamento que atravessa gerações e classes sociais, mas que se manifesta de formas distintas conforme a idade e o nível de renda. Ao mesmo tempo, ele expõe uma fragilidade nacional no trato com as finanças pessoais.
Diferenças geracionais no planejamento financeiro
Jovens mais atentos ao futuro
Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, 72% afirmaram possuir algum nível de planejamento financeiro. Muitos ainda contam com o suporte da família e, portanto, têm mais espaço para poupar parte da renda ou dos auxílios que recebem. O acesso constante a conteúdos digitais e aplicativos de organização também colabora para essa consciência precoce.
Adultos em fase de transição
Dos 25 aos 40 anos, o cenário fica mais equilibrado: 51% dizem planejar, enquanto 49% não conseguem manter esse hábito. Essa faixa é marcada por gastos significativos como financiamento de imóveis, criação de filhos e busca por estabilidade na carreira, o que torna o equilíbrio financeiro um desafio.
Idosos em desvantagem
Entre os maiores de 60 anos, o índice cai drasticamente para apenas 23%. Muitos dessa geração cresceram em um contexto de baixa oferta de educação financeira, e parte significativa depende exclusivamente de aposentadorias e benefícios sociais, sem reservas para situações emergenciais.
O peso da desigualdade social
A diferença por classe social é ainda mais marcante. Entre os entrevistados da classe A, 86% disseram ter planejamento financeiro. Já nas classes B e C, a realidade é quase oposta: grande parte enfrenta dificuldade para guardar dinheiro, seja pela renda reduzida, seja pelo alto custo das despesas básicas.
Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, essa disparidade tem relação direta com o nível de escolaridade e a remuneração. Quem ganha menos tende a gastar quase tudo em necessidades essenciais, sem margem para poupança ou investimentos.
Frequência com que os brasileiros conseguem poupar
O estudo também avaliou a regularidade com que os entrevistados conseguem guardar dinheiro. O resultado reforça o cenário de instabilidade:
- 24% nunca conseguem economizar
- 26% raramente guardam algum valor
- 16% afirmam conseguir às vezes
- 19% conseguem guardar na maioria dos meses
- 15% economizam em todos os meses
Esses números mostram que apenas uma minoria mantém disciplina e constância no hábito de poupança.
Diferenças regionais no Brasil
A pesquisa revelou contrastes significativos entre as regiões:
- Sul: 79% planejam suas finanças, liderando o ranking
- Nordeste: 45%
- Sudeste: 43%
- Norte: 40%
- Centro-Oeste: 40%
Enquanto o Sul se destaca como a região mais organizada financeiramente, Norte e Centro-Oeste apresentam índices baixos, evidenciando que fatores culturais e econômicos influenciam diretamente a relação com o dinheiro.
Por que o planejamento financeiro é tão difícil?
Planejar exige disciplina, organização e visão de longo prazo, características que muitas vezes entram em conflito com a realidade de parte dos brasileiros. A inflação, o endividamento e o desemprego dificultam a construção de reservas. Além disso, há uma cultura de consumo imediato e crédito fácil, que estimula gastos sem reflexão sobre o futuro.
A ausência de programas de educação financeira em escolas e políticas públicas voltadas para o tema também contribui para a perpetuação desse cenário.
Educação financeira: a chave para a mudança
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Especialistas são unânimes em apontar a educação financeira como a solução mais eficaz para transformar a forma como a população lida com o dinheiro. Com conhecimentos básicos sobre juros, dívidas, investimentos e orçamento doméstico, é possível mudar comportamentos e reduzir desigualdades.
Algumas iniciativas já surgem em escolas e empresas, mas ainda em escala insuficiente. Tornar o tema parte da formação escolar poderia garantir que futuras gerações estejam mais preparadas para lidar com desafios econômicos.
O papel da tecnologia na gestão de recursos
Aplicativos de controle de gastos, planilhas automatizadas e plataformas digitais de investimento estão cada vez mais acessíveis. Essas ferramentas podem ajudar a organizar o orçamento, mas dependem do compromisso do usuário em registrar despesas e revisar metas.
A tecnologia oferece o suporte, mas a mudança real exige disciplina e a construção de hábitos de longo prazo, como a formação de uma reserva de emergência.
Consequências da falta de planejamento
A ausência de planejamento financeiro vai além da dificuldade de poupar. Ela gera efeitos diretos na qualidade de vida, aumentando o estresse e a insegurança em momentos de crise. Famílias sem reservas ficam mais vulneráveis a imprevistos, como desemprego ou emergências de saúde.
No nível coletivo, essa realidade impacta a economia do país, já que reduz a capacidade de consumo consciente e afeta a estabilidade do sistema financeiro.
Como o Brasil pode reverter esse cenário
Para mudar o panorama, especialistas defendem uma combinação de ações:
- Inclusão da educação financeira no currículo escolar
- Políticas públicas de incentivo à poupança
- Programas de conscientização para diferentes faixas etárias
- Ações privadas de empresas para apoiar seus funcionários
A mudança cultural pode ser lenta, mas é necessária para criar um ambiente em que o planejamento financeiro seja natural e não exceção.

A pesquisa da Nexus revelou um dado que serve como alerta: mais da metade dos brasileiros não planeja suas finanças. O retrato é de um país que ainda enfrenta barreiras culturais, sociais e econômicas para lidar de forma saudável com o dinheiro.
Contudo, a boa notícia é que o tema tem ganhado mais visibilidade, especialmente entre os jovens. Se houver investimento em educação financeira, incentivo ao uso de tecnologia e políticas públicas consistentes, o Brasil pode mudar esse cenário nas próximas décadas.
O planejamento financeiro não deve ser visto como luxo, mas como ferramenta essencial de liberdade, segurança e bem-estar para todas as famílias.
