O governo federal, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), propôs significativas alterações no abono salarial. A medida está prevista para entrar em vigor a partir de 2026 e tem como principal destaque a restrição do benefício para trabalhadores que recebem acima de 1,95 salário mínimo.
Abono salarial em 2026: quem ganha mais que R$ 2.000 não terá direito?
Confira as mudanças propostas no abono salarial para 2026 e saiba como a medida pode afetar trabalhadores que recebem mais de R$ 2.000.
Essa mudança faz parte de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada ao Congresso Nacional. Caso aprovada, ela poderá impactar milhões de brasileiros e gerar uma economia de R$ 18,1 bilhões até 2030.
Entendendo o Abono Salarial

Atualmente, o abono salarial é um benefício concedido a trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que recebem até dois salários mínimos por mês. O valor máximo pago corresponde a um salário mínimo vigente, proporcional ao período trabalhado no ano-base.
Leia mais: Mudanças no abono salarial: Novas regras do PIS/Pasep para 2025 prometem impacto nos beneficiários
Os beneficiários do setor privado são contemplados pelo Programa de Integração Social (PIS), enquanto os servidores públicos recebem através do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). Para ter direito ao abono, é necessário ter trabalhado pelo menos 30 dias no ano-base e estar inscrito no respectivo programa há no mínimo cinco anos.
Mudanças Propostas pelo Governo
A proposta do governo estabelece uma redução gradual no limite salarial para o recebimento do abono. Atualmente, o critério de renda considera dois salários mínimos. Com a mudança, esse teto será reduzido para 1,5 salário mínimo até 2035, por meio de uma regra de transição. Essa progressão será ajustada anualmente, conforme a tabela a seguir:
| Ano | Limite (Salários Mínimos) |
|---|---|
| 2025 | 2,00 |
| 2026 | 1,95 |
| 2027 | 1,90 |
| 2028 | 1,85 |
| 2029 | 1,80 |
| 2030 | 1,75 |
| 2031 | 1,70 |
| 2032 | 1,65 |
| 2033 | 1,60 |
| 2034 | 1,55 |
| 2035 | 1,50 |
Impactos nos Trabalhadores
Com essa medida, o governo espera que a restrição progressiva do abono reflita no aumento do poder aquisitivo de trabalhadores de faixas salariais mais baixas, uma vez que o salário mínimo será reajustado acima da inflação em até 2,5% ao ano. Por outro lado, os que ganham próximo ao teto estabelecido poderão perder o direito ao benefício nos próximos anos.
Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é alinhar o abono salarial com outros programas sociais que possuem maior impacto na distribuição de renda, como o Bolsa Família. A proposta também busca equilibrar as contas públicas diante do aumento expressivo dos custos com o benefício nos últimos anos.
Justificativas da Equipe Econômica
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o abono salarial perdeu parte de sua relevância devido à existência de programas sociais mais abrangentes. Segundo ele, a transição para novas regras será feita de maneira gradual, assegurando que nenhum trabalhador atualmente beneficiado seja impactado de forma abrupta.
Haddad explicou que, com o aumento do salário mínimo acima da inflação, os trabalhadores serão naturalmente incluídos em outras políticas sociais mais amplas. Ele destacou que a redução do limite do abono para 1,5 salário mínimo será implementada sem prejudicar aqueles que já se enquadram nas normas vigentes.
Economia Gerada pela Mudança
A previsão é que a reformulação do abono salarial gere uma economia acumulada de R$ 18,1 bilhões até 2030.
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Atualmente, os gastos com o benefício ultrapassam R$ 28 bilhões ao ano. Com as novas regras, o governo estima uma redução gradual desse custo, possibilitando maior sustentabilidade fiscal no longo prazo.
O Que Esperar do Congresso Nacional

A PEC foi enviada ao Congresso e aguarda análise dos parlamentares. Como a medida afeta diretamente os trabalhadores, é esperado que o debate inclua representantes das classes trabalhadoras, economistas e especialistas em políticas públicas.
Se aprovada, as novas regras passarão a valer a partir de 2026, ano eleitoral. Isso poderá gerar grande repercussão política, considerando que o abono salarial é uma importante fonte de renda complementar para muitos trabalhadores brasileiros.
Considerações finais
A proposta de mudanças no abono salarial reflete um esforço do governo em reorganizar as contas públicas e direcionar recursos para programas sociais mais amplos. Contudo, a redução progressiva no teto de renda para concessão do benefício pode impactar consideravelmente a vida de milhões de trabalhadores nos próximos anos.
Resta agora acompanhar o desenrolar das discussões no Congresso e entender como a medida será implementada, caso aprovada. Enquanto isso, é fundamental que trabalhadores busquem informações claras sobre seus direitos e acompanhem os debates sobre o tema.
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