Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Vale a pena abrir MEI só para pagar o INSS? Entenda

Abrir um MEI apenas para contribuir com o INSS pode parecer vantajoso, mas envolve obrigações e riscos. Entenda quando vale a pena!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
DAS

A formalização como Microempreendedor Individual (MEI) vem sendo vista por muitos brasileiros como uma alternativa para garantir o acesso à previdência social. No entanto, essa decisão nem sempre está atrelada ao verdadeiro propósito do modelo, que é a regularização de pequenos negócios.

Neste artigo, vamos explicar se vale ou não a pena abrir um MEI apenas com o objetivo de contribuir para o INSS, quais são os riscos envolvidos e que alternativas existem para quem quer se manter segurado sem empreender de fato.

Entendendo o propósito do MEI

mei
Imagem: Freepik e Canva

O que é o MEI?

O Microempreendedor Individual é uma categoria simplificada de empresa voltada para trabalhadores autônomos que desejam formalizar suas atividades. Ao se registrar como MEI, o profissional passa a ter um CNPJ, pode emitir notas fiscais, acessar linhas de crédito e participar de licitações públicas.

Leia mais: Anvisa autoriza primeira vacina contra Chikungunya do Butantan no Brasil

Além disso, o MEI contribui mensalmente com um valor fixo por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS-MEI), que inclui a contribuição ao INSS.

Objetivo principal: o negócio

O foco principal do MEI não é garantir o acesso aos benefícios da Previdência, mas sim proporcionar a formalização de negócios informais. Ao aderir a esse modelo, o profissional assume obrigações típicas de um empresário, mesmo que em pequena escala.

Pagar MEI só para ter INSS compensa?

Quem paga o INSS por meio do MEI tem direito a benefícios como aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão. No entanto, esses benefícios só são garantidos se o pagamento estiver em dia e o tempo mínimo de carência for cumprido.

As obrigações de quem se torna MEI

Mesmo sem renda, há obrigações

Ao abrir um MEI, o empreendedor assume responsabilidades, como:

  • Pagamento mensal do DAS
  • Envio da Declaração Anual de Faturamento (DASN-SIMEI)
  • Manutenção da regularidade com a Receita Federal

Quem deixa de pagar o DAS acumula dívidas em seu CPF e CNPJ, e pode enfrentar restrições de crédito. Além disso, a não entrega da declaração anual resulta em multa automática.

Encerrar o MEI não é automático

Caso o profissional deseje parar de contribuir, ele precisa dar baixa no CNPJ. Enquanto isso não é feito, as obrigações continuam a existir, inclusive a geração de novos boletos.

Quando abrir MEI faz sentido?

Para quem realmente empreende

Se você exerce uma atividade por conta própria, como vender produtos, prestar serviços ou atuar como freelancer, o MEI é uma excelente forma de se formalizar e contribuir para o INSS ao mesmo tempo.

Benefícios adicionais

Além do acesso à Previdência, o MEI também permite:

  • Abertura de conta PJ
  • Emissão de notas fiscais
  • Acesso facilitado ao crédito com juros mais baixos
  • Participação em licitações e programas governamentais

Alternativas para quem quer apenas contribuir com o INSS

inss
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Contribuinte facultativo: ideal para quem não trabalha

Para quem não exerce nenhuma atividade remunerada, como estudantes, donas de casa ou desempregados, existe a opção do contribuinte facultativo. Essa modalidade permite a contribuição ao INSS sem a necessidade de abrir uma empresa.

Como se inscrever

O segurado escolhe um dos seguintes planos:

  • Código 1406 – Alíquota de 20%
  • Código 1473 – Plano simplificado (11%)
  • Código 1929 – Facultativo de baixa renda (5%)

Vantagens em relação ao MEI

  • Não há obrigações fiscais ou empresariais
  • Não é necessário enviar declaração anual
  • Pode ser interrompido a qualquer momento, sem necessidade de baixa de CNPJ

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Cenários em que o MEI não é indicado

MEI
Imagem: Freepik e Canva
  • Pessoas que não exercem atividade remunerada
  • Aposentados que querem apenas manter vínculo com o INSS
  • Interessados apenas em garantir aposentadoria, sem intenção de empreender

Nestes casos, o contribuinte facultativo é mais simples, mais barato e evita obrigações que podem gerar dívidas e complicações legais.

Perguntas frequentes

Quem paga o MEI tem direito à aposentadoria?

Sim, desde que o pagamento do DAS esteja em dia e o tempo mínimo de carência seja cumprido.

É obrigatório pagar o DAS todo mês, mesmo sem faturar?

Sim. O pagamento é obrigatório independentemente da receita. A inadimplência pode gerar dívidas.

Posso abrir MEI só para pagar INSS?

Tecnicamente sim, mas não é o ideal. O MEI é voltado a quem realmente empreende. Caso contrário, o contribuinte facultativo é mais indicado.

Dá para cancelar o MEI a qualquer momento?

Sim, desde que sejam quitados todos os débitos anteriores. O encerramento pode ser feito online, pelo Portal do Empreendedor.

Considerações finais

Abrir um MEI apenas com o objetivo de pagar o INSS pode parecer uma escolha prática, mas envolve riscos e responsabilidades que muitos ignoram. Sem atividade empresarial real, o contribuinte pode acabar endividado ou irregular com a Receita.

Para quem deseja apenas garantir os benefícios da Previdência sem empreender, as opções de contribuição facultativa são mais adequadas, seguras e simples de gerenciar.

Avalie seu perfil, seus objetivos e suas condições antes de tomar qualquer decisão. Formalizar-se é importante, mas sempre com consciência das obrigações envolvidas.

Pode ser do seu interesse:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

Topicos relacionados