A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, lançou em 10 de setembro, em Mumbai, na Índia, o BRICS-NDB Knowledge Portal, uma plataforma criada para concentrar informações técnicas, experiências e projetos desenvolvidos pelos países do grupo e pelo próprio banco.
A iniciativa pretende transformar conhecimento acumulado em uma ferramenta de cooperação entre economias emergentes. Em vez de funcionar apenas como um repositório de documentos, o portal reúne estudos, projetos financiados, iniciativas dos grupos de trabalho do BRICS e experiências que podem ser adaptadas por outros países.
O lançamento ocorreu durante a segunda reunião de ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais dos BRICS, realizada sob a presidência indiana. Segundo o NDB, a proposta é fortalecer a chamada cooperação Sul-Sul e ampliar a circulação de soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável.
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Como funciona o novo portal do BRICS

O BRICS-NDB Knowledge Portal foi concebido como uma plataforma digital de compartilhamento de conhecimento. Seu conteúdo deve crescer à medida que novas experiências sejam incorporadas pelos grupos de trabalho do BRICS e pelas operações do NDB.
Na prática, isso significa que projetos já realizados podem deixar de ser apenas iniciativas isoladas e passar a servir como referência para outras economias. Uma experiência brasileira em infraestrutura, por exemplo, pode ser consultada por outro país interessado em desenvolver solução semelhante, respeitando suas próprias características.
O portal já reúne áreas relacionadas a infraestrutura, energia limpa, proteção ambiental, saneamento, agronegócio, ciência e tecnologia, inovação e infraestrutura digital. Também apresenta estudos de caso e informações sobre projetos financiados pelo banco.
Entre os exemplos disponíveis estão o Projeto Municípios Sustentáveis do Pará, iniciativas de energia renovável na Índia e na África do Sul, além de projetos de transporte e infraestrutura em diferentes países membros.
Dilma destaca importância da troca de conhecimento

Ao apresentar a plataforma, Dilma Rousseff defendeu uma atuação do NDB que vá além da concessão de financiamento.
A lógica é que um banco de desenvolvimento não deve apenas colocar recursos em projetos, mas também ajudar os países a identificar soluções que já foram testadas e podem ser aperfeiçoadas ou adaptadas em outras realidades.
O NDB afirma que cada projeto financiado gera conhecimentos sobre planejamento, execução, financiamento e avaliação de resultados. A plataforma pretende organizar parte desse aprendizado para facilitar sua utilização por outros integrantes do bloco e por países do Sul Global.
Essa abordagem ganha importância em áreas como transição energética, digitalização de serviços públicos, infraestrutura, mudanças climáticas e inovação tecnológica, nas quais diferentes países enfrentam desafios semelhantes.
Portal reúne projetos e experiências de vários países
Um dos aspectos mais relevantes da iniciativa é a possibilidade de consultar informações de projetos concretos, e não apenas documentos institucionais.
Na página dedicada aos países, por exemplo, o portal informa que, até 31 de dezembro de 2025, o Brasil tinha 26 projetos no portfólio do NDB, com US$ 7,47 bilhões em financiamento aprovado. Índia e China apareciam com 32 e 31 projetos, respectivamente.
Para o Brasil, a plataforma pode ser particularmente relevante porque o país possui projetos financiados pelo NDB em áreas ligadas a infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
Em agosto de 2026, por exemplo, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que discutia com Dilma Rousseff novas possibilidades de financiamento do banco para projetos brasileiros de portos, aeroportos e hidrovias.
Tecnologia e inteligência artificial entram na agenda
A criação do portal também mostra como a agenda do BRICS está incorporando temas tecnológicos.
A plataforma possui uma área específica dedicada a ciência, tecnologia e inovação. O conteúdo contempla pesquisa científica, transferência de tecnologia, empreendedorismo, transformação digital e tecnologias emergentes.
A inteligência artificial também aparece entre os campos considerados estratégicos. Dilma citou, durante o lançamento, exemplos que vão de IA de código aberto a energia limpa, infraestrutura e plataformas financeiras.
A infraestrutura digital é outro eixo relevante. O NDB afirma que considera conectividade, redes de telecomunicações e tecnologias digitais importantes para reduzir desigualdades e ampliar a participação de países emergentes na economia digital. O banco informou que, até o fim de 2025, sua carteira ativa de investimentos diretamente relacionada à infraestrutura digital somava US$ 300 milhões.
Qual é a importância do portal para o Brasil
Para o Brasil, o principal potencial está na possibilidade de ampliar o acesso a experiências internacionais sem depender exclusivamente de modelos elaborados por países desenvolvidos ou instituições financeiras tradicionais.
A cooperação entre economias emergentes permite comparar políticas públicas e projetos executados em contextos que podem apresentar desafios mais próximos aos brasileiros, como déficit de infraestrutura, necessidade de transição energética, desigualdade regional e expansão de serviços digitais.
Além disso, a plataforma pode facilitar a identificação de projetos que tenham potencial para receber financiamento ou ser replicados em diferentes países.
O lançamento também reforça o papel do NDB como instituição de desenvolvimento. Criado em 2015 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o banco passou a incorporar novos integrantes posteriormente e vem ampliando sua atuação internacional.
Marcelo Camargo/Agência Brasil
