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Falta de absorventes fez 15% das adolescentes perderem aula, diz IBGE

Dados do IBGE revelam que 15% das adolescentes faltaram à escola por falta de absorventes. Entenda o impacto e as desigualdades no Brasil.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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A falta de acesso a itens básicos de higiene menstrual ainda é uma realidade para milhões de brasileiras e tem impacto direto na educação. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo IBGE, mostram que 15% das adolescentes entre 13 e 17 anos deixaram de ir à escola ao menos uma vez no último ano por falta de absorventes.

O número acende um alerta importante: a chamada pobreza menstrual não é apenas uma questão de saúde, mas também de permanência escolar, dignidade e igualdade de oportunidades.

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O que é pobreza menstrual e por que ela preocupa

A pobreza menstrual ocorre quando meninas e mulheres não têm acesso regular a produtos de higiene íntima, como absorventes, coletores menstruais ou papel higiênico adequado.

Consequências diretas

Entre os principais impactos estão:

  • Faltas frequentes na escola;
  • Queda no desempenho escolar;
  • Risco de evasão;
  • Problemas de saúde devido ao uso de materiais improvisados;
  • Impactos emocionais, como vergonha e isolamento.

No contexto brasileiro, a pobreza menstrual está diretamente ligada à desigualdade social, à falta de políticas públicas efetivas e à precariedade de infraestrutura em muitas escolas.

Diferença entre escolas públicas e privadas

A pesquisa do IBGE evidencia um abismo entre redes de ensino:

  • 17% das alunas da rede pública faltaram à escola por falta de absorventes;
  • 6% das estudantes da rede privada enfrentaram o mesmo problema.

Essa diferença mostra que a renda familiar e o acesso a políticas públicas influenciam diretamente na permanência das meninas na escola.

Por que a desigualdade é maior na rede pública

Entre os fatores que explicam essa diferença estão:

  • Menor renda média das famílias;
  • Falta de distribuição gratuita de absorventes em algumas regiões;
  • Infraestrutura inadequada em escolas públicas;
  • Ausência de políticas locais eficazes.

Diferenças regionais escancaram o problema

A desigualdade também aparece quando se analisam os dados por região.

Regiões com maior acesso a absorventes nas escolas

  • Sudeste: 92% das estudantes em escolas com oferta;
  • Sul: 91%;
  • Centro-Oeste: 88%.

Regiões com menor acesso

  • Nordeste: 80%;
  • Norte: apenas 56%.

A região Norte apresenta o cenário mais preocupante, com menor oferta institucional e maiores índices de faltas escolares.

Estados com melhores e piores indicadores

Os dados também mostram grandes variações entre os estados brasileiros.

Destaques positivos

  • Santa Catarina: apenas 9,2% das alunas faltaram;
  • Alta oferta de absorventes nas escolas (94,1%).

Situações críticas

  • Amazonas: 27,9% das adolescentes faltaram;
  • Roraima: apenas 38,5% das escolas oferecem absorventes.

Esses números reforçam a necessidade de políticas públicas mais equilibradas entre os estados.

Programas públicos e iniciativas para combater a pobreza menstrual

Nos últimos anos, o Brasil avançou com iniciativas para reduzir esse problema.

Um dos principais marcos foi a criação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, com distribuição gratuita de absorventes para estudantes da rede pública e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Esse tipo de política conta com participação de órgãos como:

  • Ministério da Saúde
  • Ministério da Educação

Desafios na implementação

Apesar dos avanços, ainda existem obstáculos:

  • Logística de distribuição em regiões remotas;
  • Falta de informação sobre o direito ao benefício;
  • Irregularidade no fornecimento em algumas escolas;
  • Estigma social sobre o tema.

Impactos na saúde e na dignidade

A ausência de absorventes leva muitas adolescentes a recorrerem a alternativas improvisadas, como:

  • Papel higiênico;
  • Pedaços de pano;
  • Outros materiais inadequados.

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Essas práticas aumentam o risco de:

  • Infecções;
  • Irritações;
  • Problemas ginecológicos.

Além disso, há um impacto psicológico significativo, marcado por vergonha, insegurança e exclusão social.

Educação menstrual ainda é um desafio no Brasil

Outro ponto crítico é a falta de informação.

Muitas adolescentes:

  • Não recebem orientação adequada sobre o ciclo menstrual;
  • Têm dúvidas sobre higiene íntima;
  • Enfrentam tabus dentro de casa e na escola.

A ausência de educação menstrual contribui para a perpetuação do problema e dificulta o acesso a soluções.

O papel das escolas e da sociedade

As escolas têm papel central no combate à pobreza menstrual.

Medidas que fazem diferença

  • Distribuição regular de absorventes;
  • Disponibilização de banheiros adequados;
  • Programas de educação sobre saúde menstrual;
  • Capacitação de professores e profissionais de saúde.

A importância da conscientização

Falar sobre menstruação de forma aberta e informativa é essencial para reduzir o estigma e garantir direitos básicos.

O que precisa mudar para reduzir o problema

Especialistas apontam algumas medidas urgentes:

  • Ampliação da distribuição gratuita de absorventes;
  • Integração entre saúde e educação;
  • Monitoramento constante dos programas públicos;
  • Combate ao estigma social;
  • Investimento em infraestrutura escolar.

Sem essas ações, a pobreza menstrual continuará impactando diretamente o futuro de milhões de meninas brasileiras.

Considerações finais

Os dados do IBGE deixam claro que a pobreza menstrual é um problema estrutural no Brasil, com efeitos diretos na educação, saúde e dignidade das adolescentes. A ausência de um item básico como o absorvente ainda impede que milhares de meninas frequentem a escola regularmente.

Embora políticas públicas tenham avançado, a desigualdade regional e social mostra que ainda há um longo caminho a percorrer. Garantir acesso universal a produtos de higiene menstrual não é apenas uma questão de saúde — é um passo fundamental para promover igualdade e oportunidades.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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