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Banco do Brasil apresenta queda após bloquear cartão de Alexandre de Moraes

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) operaram em queda na quinta-feira, 21, em meio ao aumento da tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo dos Estados Unidos. A notícia de que o ministro Alexandre de Moraes teve seu cartão de crédito de bandeira americana bloqueado repercutiu fortemente no mercado financeiro e […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
BB

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) operaram em queda na quinta-feira, 21, em meio ao aumento da tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo dos Estados Unidos. A notícia de que o ministro Alexandre de Moraes teve seu cartão de crédito de bandeira americana bloqueado repercutiu fortemente no mercado financeiro e voltou a colocar o banco estatal no centro das atenções.

Moraes foi afetado diretamente pelas sanções impostas pela Lei Magnitsky, adotada pelo governo Trump no mês passado. Nesta manhã, o Valor Econômico vinculou o Banco do Brasil como emissor do cartão bloqueado, o que acentuou a pressão sobre os papéis da instituição.

Às 16h37, as ações do BB registravam queda de 0,65%, cotadas a R$ 19,73, enquanto o Ibovespa operava em leve alta de 0,04%, aos 134.733 pontos.

Leia mais:

EUA chama Moraes de tóxico e avisa: sanções são definitivas

Banco do Brasil
Imagem: pressfoto – Freepik

Lei Magnitsky: origem das sanções e o impacto sobre Moraes

O que é a Lei Magnitsky?

Criada em 2012 e expandida em 2016 nos Estados Unidos, a Lei Magnitsky permite que o governo norte-americano aplique sanções econômicas e financeiras a indivíduos estrangeiros acusados de corrupção ou violação de direitos humanos.

Alexandre de Moraes na lista de sanções

O ministro do STF foi incluído na lista no mês passado, sendo acusado de liderar julgamentos politizados e cercear liberdades individuais, segundo o Departamento de Estado dos EUA. A inclusão tem consequências imediatas, como o congelamento de bens, restrições de movimentação financeira e bloqueio de produtos bancários com ligação aos EUA.

Cartão bloqueado e reação do Banco do Brasil

Cartão internacional foi cancelado

De acordo com reportagens publicadas na quarta (20) e quinta-feira (21), um cartão de bandeira americana utilizado por Moraes foi bloqueado por força das sanções. Em resposta, o Banco do Brasil teria emitido um novo cartão da bandeira Elo, de origem nacional, para garantir a continuidade dos pagamentos do ministro no território brasileiro.

Falta de clareza sobre a responsabilidade do banco

Embora inicialmente a instituição responsável pelo cartão não tenha sido identificada, o Valor Econômico apontou o Banco do Brasil como o emissor. A associação entre o banco estatal e a sanção, ainda que indireta, acentuou as incertezas entre investidores, preocupados com possíveis desdobramentos legais ou regulatórios.

Queda nas ações reflete cenário de múltiplas pressões

Alexandre de Moraes
Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Balanço financeiro do segundo trimestre decepcionou

A queda nas ações do BB não está relacionada apenas ao caso Moraes. O banco divulgou na semana passada seu resultado trimestral, que veio abaixo das expectativas do mercado. O lucro líquido ajustado foi de R$ 3,8 bilhões, representando uma queda de 60% em relação ao mesmo período de 2024.

“O resultado criou uma pressão vendedora significativa sobre os papéis do banco”, afirmou Marco Noernberg, sócio da Manchester Investimentos.

Inadimplência e setor agrícola agravam perspectivas

Segundo Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, os números do balanço indicam um aumento da inadimplência, além de uma exposição preocupante ao setor agrícola — especialmente após as recuperações judiciais de empresas do agronegócio devido à última safra frustrada.

Clima institucional conturbado: STF, sanções e BB na berlinda

Decisão de Flávio Dino agrava tensão

No início da semana, o ministro Flávio Dino, também do STF, decidiu que leis e ordens estrangeiras só têm efeito no Brasil se forem validadas pela Suprema Corte. Embora a decisão tenha relação com um processo distinto (o rompimento da barragem de Mariana), o contexto favoreceu interpretações de que bancos que obedecerem a sanções internacionais sem aval do STF podem ser punidos.

Essa interpretação coloca o Banco do Brasil em posição delicada, caso o bloqueio do cartão de Moraes tenha ocorrido em resposta direta às medidas dos EUA.

Outras pressões sobre o Banco do Brasil

OAB pode acionar presidente do banco

Além das pressões judiciais e financeiras, a presidente do BB, Tarciana Medeiros, também pode enfrentar um processo por parte da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O motivo ainda não foi oficialmente divulgado, mas a possibilidade de um novo embate institucional aumenta o risco político sobre o banco.

Ausência de antecipação de dividendos frustra mercado

Outro fator que vem contribuindo para a deterioração da imagem do banco junto aos investidores foi a não antecipação de dividendos, considerada uma decepção em relação à política de remuneração adotada em trimestres anteriores.

Comparativo com outros bancos

Queda setorial após decisão do STF

O episódio envolvendo Moraes e o Banco do Brasil ocorre em um contexto de fragilidade para o setor bancário. Desde a decisão do STF no início da semana, os cinco maiores bancos perderam juntos mais de R$ 41,3 bilhões em valor de mercado, demonstrando a sensibilidade dos investidores a riscos jurídicos e políticos.

BancoQueda acumulada na semana (R$ bilhões)
Itaú Unibanco14,71
BTG Pactual11,42
Banco do Brasil7,25
Bradesco5,40
Santander Brasil3,20

Repercussão entre analistas e investidores

Desconfiança e cautela predominam

A associação do Banco do Brasil com o episódio do cartão de Moraes foi vista por muitos analistas como um gatilho adicional para a pressão vendedora que já se acumulava.

“É o típico caso de uma tempestade perfeita: resultados financeiros fracos, aumento do risco jurídico, interferência política e agora essa associação com uma sanção internacional”, resume um analista da XP Investimentos.

O que pode acontecer a seguir?

STF
Imagem: Antônio Cruz/Agência Brasil

STF pode se manifestar sobre atuação de bancos

Ainda não está claro como o Supremo Tribunal Federal vai lidar com o fato de uma instituição estatal — supostamente sob sua jurisdição — ter executado uma medida com base em sanção estrangeira. Se houver comprovação de que o Banco do Brasil acatou as determinações da Lei Magnitsky sem respaldo legal brasileiro, o caso poderá evoluir para questionamentos constitucionais.

Possíveis sanções ou advertências administrativas

O banco também pode ser alvo de apurações por parte de órgãos de controle como a Controladoria-Geral da União (CGU) ou o Banco Central, caso se verifique o descumprimento das normas de soberania jurídica.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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