A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta quarta-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de acordo que pode representar um marco na reparação de aposentados e pensionistas lesados por descontos indevidos nos seus benefícios previdenciários.
Descontos ilegais no INSS; entenda a proposta de devolução
Acordo da AGU com o INSS prevê devolver valores de descontos indevidos entre 2020 e 2025 a 1,5 milhão de aposentados, com correção monetária.
Se homologado pelo STF, o acordo autoriza o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a começar, já a partir de 24 de julho, a restituição de valores descontados irregularmente a 1,5 milhão de beneficiários, com pagamentos quinzenais e correção pelo IPCA.
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Quem pode aderir
Os beneficiários precisam comprovar que foram lesados pelas associações envolvidas no esquema, amplamente investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto. A adesão só será permitida mediante solicitação direta, exceto para alguns grupos vulneráveis, que terão devolução automática dos valores.
Grupos com devolução automática
A proposta prevê que idosos com mais de 80 anos, quilombolas e indígenas terão seus valores ressarcidos sem necessidade de requerimento. A medida reconhece a vulnerabilidade desses grupos e busca agilizar o processo de devolução.
Como será feito o ressarcimento
Processo de verificação
Antes do pagamento, o INSS verificará os pedidos e analisará se o desconto foi realmente indevido. Quando houver contestação, o processo segue um rito específico:
- O sistema do INSS notifica a entidade associativa responsável;
- A entidade tem 15 dias para comprovar a autorização do desconto ou devolver os valores via GRU (Guia de Recolhimento da União);
- Se a entidade não responder, o INSS efetua o reembolso diretamente ao beneficiário.
Efeitos jurídicos do acordo
Condições legais
O texto também propõe a extinção de ações judiciais individuais e coletivas movidas contra o INSS relativas aos descontos. Em contrapartida, o órgão se compromete a pagar 5% de honorários advocatícios nas ações ajuizadas até 23 de abril de 2025.
- É necessário que o beneficiário desista da ação judicial para aderir ao acordo;
- Não serão considerados pedidos de danos morais ou aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) contra o INSS;
- A contestação administrativa prévia será condição para qualquer tipo de análise.
Objeto do acordo: devolução total e corrigida

Detalhes do objeto do acordo
O acordo tem como foco a reparação financeira total dos beneficiários, mesmo sem responsabilização prévia das associações que operaram os descontos indevidos.
- Ressarcimento integral entre março de 2020 e março de 2025;
- Correção monetária com base no IPCA;
- O INSS também assumirá a missão de buscar responsabilização das entidades envolvidas.
Medidas para prevenir novas fraudes
Propostas preventivas
Diante da dimensão do esquema fraudulento, o INSS também se comprometeu a revisar normas e procedimentos internos para coibir novos casos de descontos associativos indevidos.
- Fortalecimento da autorização expressa dos descontos;
- Maior controle sobre entidades associativas conveniadas;
- Transparência no sistema de consignações.
Conciliação entre órgãos e papel do STF
Homologação e orçamento
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O acordo é resultado de uma mesa de conciliação coordenada pelo ministro Dias Toffoli, do STF. Participaram da negociação a AGU, INSS, Ministério da Previdência Social, OAB, DPU e MPF.
A AGU aguarda a homologação do STF para que o acordo tenha validade jurídica. Também solicitou que Toffoli autorize crédito extraordinário no orçamento federal e exclua os valores do teto de gastos para os anos de 2025 e 2026, o que permitirá efetivar os pagamentos sem comprometer as contas públicas.
A investigação por trás: Operação Sem Desconto
Dados da investigação
A origem da proposta está nas investigações da Polícia Federal, que desde 2019 apura um esquema de descontos ilegais em contracheques de beneficiários do INSS.
- Estimativa de R$ 6,3 bilhões desviados entre 2019 e 2024;
- Justiça Federal já bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens de empresas e indivíduos envolvidos;
- O caso é tratado como fraude em massa com potencial de prejuízo coletivo histórico.
Impacto social e político

Declaração da AGU
A medida é considerada um avanço na reparação de danos a aposentados, que historicamente são vítimas recorrentes de esquemas fraudulentos. A homologação pode abrir caminho para novos modelos de conciliação extrajudicial envolvendo entes públicos e vítimas de abusos.
Segundo a AGU, “o acordo visa assegurar o ressarcimento célere e justo das vítimas, ao mesmo tempo em que preserva recursos públicos e desafoga o Judiciário”.
Conclusão
O acordo proposto pela AGU representa um passo importante na reparação de aposentados e pensionistas prejudicados por descontos indevidos nos benefícios do INSS. Se homologado pelo STF, o plano garante ressarcimento célere, justo e com segurança jurídica, além de promover medidas de prevenção contra novas fraudes. A iniciativa, fruto de conciliação entre diversos órgãos públicos, busca restaurar a confiança no sistema previdenciário e aliviar a sobrecarga do Judiciário, ao mesmo tempo em que assegura justiça para milhões de brasileiros lesados.
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