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Desde 2023, Brasil conquista acesso a 700 novos mercados para produtos agropecuários

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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As exportações brasileiras para a União Europeia avançaram 30,7% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e está associado à entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.

O desempenho reforça a importância do mercado europeu para as empresas brasileiras e amplia as perspectivas de negócios em setores como agronegócio, alimentos processados e indústria. Além de facilitar o comércio entre os dois blocos, o acordo pode criar oportunidades para empresas que buscam diversificar seus destinos de exportação.

Entre janeiro e setembro, as vendas brasileiras para a União Europeia somaram US$ 44,17 bilhões, alta de 20% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Segundo declarações de autoridades brasileiras, o comércio bilateral também registrou expansão desde a implementação do tratado.

O acordo entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026, depois de quase 27 anos de negociações. A aplicação das regras comerciais marca uma nova etapa na relação econômica entre os dois blocos, embora os efeitos variem conforme os produtos, as condições de acesso e a implementação das disposições previstas.

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O tratado busca reduzir barreiras comerciais e facilitar o intercâmbio de mercadorias entre os países envolvidos. Entre seus principais mecanismos estão a redução gradual de tarifas de importação para produtos abrangidos, regras para o comércio e compromissos relacionados ao acesso aos mercados.

Na prática, a diminuição de tarifas pode tornar determinados produtos brasileiros mais competitivos na Europa. Da mesma forma, consumidores e empresas do Brasil podem se beneficiar de condições comerciais mais favoráveis para mercadorias europeias contempladas pelo acordo.

Os benefícios, porém, não são necessariamente imediatos ou iguais para todos. Alguns produtos podem ter redução tarifária progressiva, enquanto outros estão sujeitos a cotas, exigências específicas ou condições de acesso que precisam ser observadas pelos exportadores.

Para uma indústria brasileira de alimentos, por exemplo, a possibilidade de vender para compradores europeus com tarifas menores pode melhorar a competitividade comercial. Já uma empresa de máquinas precisa considerar não apenas os custos de importação, mas também as normas técnicas, a logística e as exigências contratuais do mercado de destino.

Agronegócio brasileiro amplia presença internacional

Brasil abre 700 novos mercados agropecuários

Além do avanço nas vendas para a Europa, o governo federal anunciou a abertura de 700 mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros desde 2023. As autorizações sanitárias e comerciais contemplaram 99 destinos, entre países e blocos econômicos.

A abertura de mercados é relevante porque reduz a dependência de compradores tradicionais e permite que produtores e empresas busquem novas oportunidades de receita. O acesso a destinos adicionais também pode ajudar a distribuir riscos comerciais em períodos de restrições, mudanças regulatórias ou oscilações de demanda.

As novas autorizações abrangem oportunidades para diferentes produtos agropecuários, mas a abertura de um mercado não significa que todas as empresas estejam automaticamente habilitadas a exportar. É necessário cumprir os requisitos sanitários, documentais e operacionais exigidos pelo país importador.

Segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), as vendas brasileiras para os mercados abertos desde 2023 chegaram a US$ 5,8 bilhões. A agência projeta que as exportações destinadas a esses mercados possam alcançar US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.

A projeção depende de fatores como demanda internacional, capacidade produtiva, preços das commodities, infraestrutura logística e manutenção das condições de acesso comercial.

Produção agrícola e financiamento sustentam as exportações

Durante a apresentação dos resultados, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, mencionou a expectativa de uma safra de 366 milhões de toneladas em 2026/27. O volume projetado indica a relevância da produção agrícola para o abastecimento interno e para a geração de excedentes destinados ao mercado internacional.

O financiamento rural também faz parte dessa estratégia. O Plano Safra reúne linhas de crédito para a agricultura empresarial e familiar, apoiando atividades como custeio, comercialização e investimentos produtivos, conforme as condições de cada programa.

Entretanto, ampliar a produção não é suficiente para garantir crescimento contínuo das exportações. Armazenagem, transporte, controle sanitário, rastreabilidade e acesso a portos são fatores que influenciam o custo final e a capacidade de atender compradores internacionais.

O que muda para a economia brasileira?

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Imagem: Shutterstock

O aumento das exportações pode contribuir para a entrada de divisas, a atividade industrial e agropecuária e a geração de empregos em setores ligados à produção e à logística. Empresas que conquistam compradores no exterior também podem ampliar investimentos para atender contratos maiores.

Os efeitos para o consumidor brasileiro, contudo, não são automáticos. O crescimento das vendas externas pode beneficiar produtores e trabalhadores, mas os preços domésticos também dependem da oferta interna, dos custos de produção, do câmbio e da demanda.

Para pequenas e médias empresas, a expansão do comércio internacional pode abrir espaço para novos negócios, desde que elas consigam atender aos padrões exigidos pelos compradores. No caso dos alimentos, isso inclui requisitos sanitários, certificações e controles de qualidade.

A diversificação dos destinos também ganha importância em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e barreiras comerciais. Durante o anúncio, autoridades brasileiras defenderam a continuidade das negociações diplomáticas com os Estados Unidos, diante de um contexto descrito como delicado.

© 26.07.2020/Tânia Rêgo/Agência Brasil

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