As negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China voltaram ao centro das atenções dos mercados financeiros globais. Uma conversa telefônica entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping reacendeu o otimismo dos investidores, levando à queda do dólar abaixo dos R$ 5,60 e provocando oscilações no Ibovespa. O telefonema, ocorrido em 5 de junho, sinalizou avanço nas tratativas para a consolidação de um acordo temporário firmado em maio, cujos desdobramentos podem redefinir o ritmo da economia mundial nos próximos meses.
Dólar despenca abaixo dos R$ 5,60 com avanço nas negociações entre Trump e Xi Jinping
Trump e Xi retomam negociações e dólar cai; mercado reage a acordos comerciais e corte de juros na Europa.
Além do impacto direto nas bolsas e no câmbio, a fala de Trump sobre novos acordos com a Alemanha e a União Europeia, combinada à decisão do Banco Central Europeu (BCE) de cortar juros, trouxe ainda mais complexidade ao cenário internacional, colocando os investidores em compasso de espera e atenção redobrada.
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Alívio momentâneo: dólar recua após telefonema entre Trump e Xi

A principal movimentação do dia nos mercados foi impulsionada por um telefonema de cerca de uma hora e meia entre Trump e Xi Jinping. O presidente norte-americano descreveu a conversa como “muito positiva para ambos os países”, afirmando que foram superadas algumas “complexidades” do acordo firmado em 12 de maio.
“A conversa durou aproximadamente uma hora e meia e resultou em uma conclusão muito positiva para ambos os países. Não deve haver mais dúvidas quanto à complexidade dos produtos de Terras Raras”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
Apesar da sinalização positiva, os termos ainda são considerados frágeis por analistas. O acordo temporário visa reverter parcialmente as tarifas impostas entre os dois países, mas não aborda temas espinhosos como o comércio ilegal de fentanil, a situação política de Taiwan ou as críticas ao modelo econômico chinês. Representantes dos dois governos devem se reunir em breve para dar continuidade às negociações.
Novos acordos à vista: EUA mira Alemanha e União Europeia
Enquanto as conversas com a China seguem, Trump também se articula com a Europa. Em encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente afirmou que deseja construir um “grande acordo comercial” com a Alemanha, dentro dos parâmetros da União Europeia.
“Nós teremos um grande acordo comercial. Acredito que isso será majoritariamente determinado pela União Europeia, mas vocês são uma parte muito importante disso”, disse o republicano a Merz no Salão Oval. “Espero que cheguemos a um acordo ou faremos algo, sabe, aplicaremos tarifas”, completou.
O presidente ainda mencionou o interesse em incluir cláusulas voltadas para petróleo e gás nos futuros acordos. Do lado europeu, o ministro de Relações Internacionais da Itália afirmou que está confiante na possibilidade de fechar um acordo com os EUA antes do prazo de 9 de julho, com base em tarifas de 10%.
BCE corta juros e adota postura cautelosa para o segundo semestre
No mesmo dia, o Banco Central Europeu reduziu sua taxa de juros para 2% ao ano — movimento amplamente antecipado pelo mercado. O corte marca a nona redução consecutiva desde junho do ano passado e ocorre em um momento em que a inflação na zona do euro voltou à meta de 2%.
“O Conselho do BCE não está se comprometendo previamente com uma trajetória específica para as taxas de juros”, comunicou a instituição. Christine Lagarde, presidente do BCE, indicou que o ritmo de cortes pode ser desacelerado, com uma eventual pausa já em julho.
A medida animou os mercados europeus, que encerraram o dia em alta. O mercado agora projeta apenas mais um corte até o fim do ano, possivelmente em dezembro.
Mercado de trabalho dos EUA dá sinais de alerta
Em meio à maré de otimismo, dados sobre o mercado de trabalho norte-americano lançaram preocupações. O número de pedidos de seguro-desemprego cresceu pelo segundo período consecutivo, com 247 mil novas solicitações na semana encerrada em 31 de maio — acima da expectativa de 235 mil.
Essa elevação sugere que as incertezas comerciais e as tarifas podem estar pressionando as empresas a reverem seus quadros. Dados do setor privado, divulgados pela ADP, também mostraram fraqueza: apenas 37 mil novas vagas foram criadas em maio, muito abaixo da expectativa de 110 mil.
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Pressão sobre o Fed: Trump critica Powell e cobra corte de juros
Diante dos sinais mistos da economia e dos resultados fracos no emprego, Trump voltou a criticar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, por não reduzir a taxa de juros. Em mais uma publicação no Truth Social, afirmou:
“Saiu o número da ADP. ‘Tarde demais’ Powell tem que agora baixar os juros. Ele é inacreditável. A Europa já baixou nove vezes”, escreveu o republicano, pressionando por uma flexibilização monetária mais agressiva.
O Livro Bege, relatório publicado pelo próprio Fed, reforçou a visão de que todos os 12 distritos enfrentam desaceleração na atividade econômica e convivem com alta incerteza política e financeira.
Riscos e oportunidades no horizonte

O atual contexto revela uma economia global em constante rearranjo, com oportunidades surgindo a partir da instabilidade. A retomada do diálogo entre EUA e China, os avanços com a União Europeia e a reconfiguração das políticas monetárias na Europa abrem novos caminhos, mas também geram incertezas para investidores e governos.
As próximas semanas serão decisivas. Os prazos apertados para formalização de acordos e o cenário interno nos EUA — marcado por críticas à condução da política monetária — podem influenciar diretamente os mercados globais, afetando decisões empresariais e estratégias econômicas em diferentes países.
Com informações de: Economia | G1
