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Falta de adicional de 40% pode gerar ação trabalhista

Entenda quando o acúmulo de função gera direito a aumento salarial e como comprovar. Veja exemplos reais e o que diz a lei.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Função

O tema do acúmulo de função voltou ao debate após a repercussão de um alerta feito pelo advogado Thyago Velasco nas redes sociais. Ele destacou uma situação comum no mercado de trabalho brasileiro: profissionais contratados para uma função específica, mas que, na prática, acumulam diversas outras atividades sem aumento salarial.

Embora muitos trabalhadores enxerguem essa prática como algo normal na rotina, especialistas em direito trabalhista alertam que ela pode gerar direito a um adicional no salário ou até indenização retroativa.

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O que é acúmulo de função na prática

O acúmulo de função ocorre quando o trabalhador passa a exercer, de forma habitual, atividades além daquelas previstas no contrato de trabalho, sem a devida compensação financeira.

Exemplos comuns no Brasil

Na prática, esse cenário aparece em diversas áreas:

  • Um vendedor que também precisa fazer caixa e organizar estoque
  • Um recepcionista que assume funções administrativas e financeiras
  • Um auxiliar que passa a executar tarefas de supervisão
  • Funcionários que acumulam limpeza, atendimento e operação ao mesmo tempo

Esse tipo de situação é especialmente comum em pequenas e médias empresas, onde há redução de equipe e maior concentração de tarefas.

O que diz a lei trabalhista

A Consolidação das Leis do Trabalho não trata de forma explícita o “acúmulo de função” com esse nome, mas estabelece princípios importantes.

Alteração de função sem acordo pode ser irregular

De acordo com o artigo 468 da CLT, qualquer alteração no contrato de trabalho só pode ocorrer com consentimento do empregado e desde que não traga prejuízo.

Ou seja, exigir mais funções sem aumento salarial pode ser interpretado como alteração prejudicial ao trabalhador.

Diferença entre acúmulo e desvio de função

É importante diferenciar:

  • Acúmulo de função: quando o trabalhador exerce várias funções ao mesmo tempo
  • Desvio de função: quando passa a exercer função diferente da contratada

Ambos podem gerar direito a diferenças salariais, dependendo do caso.

Existe um percentual fixo de adicional?

Não há um percentual fixo definido em lei. No entanto, decisões da Justiça do Trabalho frequentemente reconhecem adicionais que variam entre 10% e 40% do salário.

Esse percentual depende de fatores como:

  • Volume de atividades extras
  • Frequência com que são realizadas
  • Grau de responsabilidade das novas funções
  • Existência ou não de previsão em contrato ou convenção coletiva

Em alguns casos, acordos coletivos podem prever valores específicos para determinadas categorias.

Por que muitas empresas adotam essa prática

A principal razão é econômica. Ao concentrar funções em um único funcionário, a empresa reduz custos com contratação, encargos trabalhistas e treinamento.

No entanto, essa prática pode gerar passivos trabalhistas significativos, especialmente quando o trabalhador busca seus direitos na Justiça.

Como saber se você está em acúmulo de função

Nem toda tarefa extra configura acúmulo de função. A legislação permite certa flexibilidade dentro da mesma função.

Sinais de alerta

Você pode estar em situação irregular se:

  • Executa tarefas completamente diferentes da sua função original
  • Assumiu responsabilidades de outro cargo sem promoção formal
  • Houve aumento significativo de atividades sem reajuste salarial
  • A nova função exige qualificação diferente

Como comprovar o acúmulo de função

Para buscar direitos, o trabalhador precisa reunir provas. Entre os principais meios estão:

  • Testemunhas (colegas de trabalho)
  • Mensagens e e-mails com ordens de serviço
  • Descrição de atividades no contrato original
  • Registros de rotina de trabalho
  • Escalas e divisão de tarefas

Quanto mais consistente for a prova, maiores são as chances de reconhecimento do direito.

O que fazer ao identificar a situação

Tentar resolver internamente

O primeiro passo pode ser conversar com o empregador ou setor de RH, apresentando a situação e solicitando regularização.

Buscar orientação jurídica

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Caso não haja acordo, o trabalhador pode procurar um advogado trabalhista ou o sindicato da categoria.

Também é possível recorrer à Justiça do Trabalho para reivindicar:

  • Diferenças salariais
  • Pagamento retroativo
  • Reflexos em férias, 13º salário e FGTS

Existe prazo para reclamar?

Sim. O trabalhador pode reivindicar direitos referentes aos últimos cinco anos, respeitando o prazo de até dois anos após o fim do contrato de trabalho para entrar com a ação.

Impactos financeiros para o trabalhador

Quando o acúmulo de função é reconhecido, os valores podem ser relevantes. Além do adicional mensal, o trabalhador pode receber:

  • Diferenças acumuladas ao longo dos anos
  • Reajustes em benefícios
  • Reflexos em verbas rescisórias

Em alguns casos, os valores retroativos chegam a milhares de reais, dependendo do tempo e da diferença salarial envolvida.

Por que o tema ainda é pouco discutido

Apesar de comum, o acúmulo de função ainda é pouco debatido porque muitos trabalhadores:

  • Temem perder o emprego
  • Não conhecem seus direitos
  • Acreditam que “faz parte” da rotina
  • Não têm acesso à orientação jurídica

Essa falta de informação contribui para a normalização de práticas que podem ser ilegais.

Tendência de aumento de casos no Brasil

Com a intensificação do trabalho multifuncional e equipes reduzidas, especialistas apontam aumento nos casos de acúmulo de função no país.

A busca por produtividade e redução de custos tem levado empresas a redistribuir tarefas, o que aumenta o risco de irregularidades trabalhistas.

Conclusão

O acúmulo de função é uma realidade presente em muitas empresas brasileiras e pode gerar direito a aumento salarial ou indenização. Embora pareça algo comum, a prática pode representar desequilíbrio na relação de trabalho quando não há compensação adequada.

Conhecer os próprios direitos é o primeiro passo para evitar prejuízos financeiros e garantir uma relação profissional mais justa. Em caso de dúvida, buscar orientação especializada pode fazer toda a diferença.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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