As investigações envolvendo o Banco Master ganharam um novo capítulo após Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição, apresentar uma proposta de delação premiada na qual faz acusações contra ACM Neto e Antônio Rueda, dirigentes do União Brasil.
Segundo o relato, os dois teriam atuado para aproximar o banco de institutos de previdência estaduais e, em contrapartida, receberiam uma comissão equivalente a 10% dos recursos direcionados ao Master. A informação foi divulgada pelo UOL, que teve acesso à terceira proposta de colaboração apresentada por Vorcaro.
É importante destacar que a proposta não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República. Portanto, as afirmações atribuídas a Vorcaro são alegações apresentadas no contexto de uma tentativa de colaboração e não representam, por si só, uma comprovação judicial das acusações.
Leia mais:
Caso Vorcaro pode influenciar andamento da CPMI do INSS
O que Vorcaro afirmou na proposta de delação

De acordo com o documento, ACM Neto e Antônio Rueda teriam ajudado o Banco Master a acessar recursos de institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas. A narrativa também menciona a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).
Vorcaro estima que as articulações teriam contribuído para a captação de aproximadamente R$ 2 bilhões. Aplicando a comissão de 10% mencionada na proposta, chegaria-se a uma obrigação de até R$ 200 milhões.
O relato, porém, não esclarece quanto desse valor teria sido efetivamente pago aos políticos. A proposta também descreve modelos diferentes de supostos repasses e cita contratos, empresas e mensagens que, segundo Vorcaro, poderiam ser utilizados para corroborar suas afirmações.
Políticos negam irregularidades
Antônio Rueda afirmou que não teve acesso ao documento e negou envolvimento em irregularidades. ACM Neto também rejeitou as acusações, classificando as alegações como falsas e sem fundamento.
As negativas ganham relevância porque a proposta de delação de Vorcaro não foi homologada. Segundo as informações divulgadas, PF e PGR recusaram as tentativas de colaboração do banqueiro, entre outros motivos, por entenderem que não havia informações inéditas suficientes e garantias relacionadas à devolução de recursos.
Por que os investimentos previdenciários são importantes
O caso chama atenção porque recursos administrados por regimes próprios de previdência social (RPPS) pertencem a estruturas destinadas ao pagamento de benefícios previdenciários de servidores públicos.
Essas aplicações não deveriam ser tratadas como investimentos comuns de uma empresa privada. O Ministério da Previdência destaca que os recursos dos RPPS precisam seguir regras de segurança, proteção e prudência financeira estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Desde fevereiro de 2026, a Resolução CMN nº 5.272/2025 estabelece os principais parâmetros para as aplicações desses recursos. A regulamentação exige critérios relacionados à governança, aos riscos e ao credenciamento das instituições envolvidas.
O Ministério da Previdência também determina que os responsáveis pela gestão dos RPPS realizem previamente o credenciamento e acompanhem as instituições que participam, direta ou indiretamente, do processo de investimento. Entre os critérios estão histórico, experiência, solidez patrimonial, risco reputacional e padrão ético de conduta.
O que pode ser investigado nos aportes
Caso as acusações sejam aprofundadas pelas autoridades, uma das questões centrais será entender como os investimentos foram aprovados, quem participou das decisões e se os procedimentos previstos nas regras dos RPPS foram cumpridos.
Também pode ser necessário verificar documentos de credenciamento, atas de comitês de investimento, políticas de investimentos, análises de risco e registros dos aportes.
O próprio Ministério da Previdência informa que a regularidade das aplicações dos RPPS é acompanhada por instrumentos como o Demonstrativo das Aplicações e Investimentos dos Recursos (DAIR) e o Demonstrativo da Política de Investimentos (DPIN).
Caso também envolve relação com o BRB

A proposta atribuída a Vorcaro não se limita aos fundos previdenciários. O ex-banqueiro também teria relatado negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB).
Segundo a versão apresentada, o grupo de Vorcaro teria colocado aproximadamente R$ 750 milhões no BRB, enquanto o banco brasiliense teria adquirido cerca de R$ 6 bilhões em carteiras do Banco Master em 2024. O documento ainda apresenta outras alegações sobre supostas comissões relacionadas às operações.
Essas afirmações fazem parte do conjunto de informações que precisará ser confrontado com documentos, registros financeiros e depoimentos caso as autoridades deem continuidade às apurações.
Investigação ganhou dimensão política
O episódio também se conecta a uma disputa envolvendo a atuação de autoridades na investigação. O caso envolvendo Rueda veio à tona após o ministro Alexandre de Moraes divulgar um relatório de inteligência da Polícia Federal que mencionava uma suposta demora do ministro André Mendonça para autorizar uma operação contra o dirigente partidário.
Paralelamente, outras frentes da investigação sobre o Banco Master continuam avançando. A Polícia Federal, por exemplo, intimou autoridades do Banco Central e o banqueiro André Esteves para prestar depoimentos como testemunhas em um inquérito relacionado à fiscalização do Master.
A CVM também condenou o Banco Master, Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro e outros envolvidos em um processo relacionado à manipulação de ativos, com multas que somam R$ 201,5 milhões.
Crédito: Divulgação/Banco Master
