O Brasil enfrenta uma crescente crise silenciosa no mercado de trabalho: o aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que, em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a questões psicológicas e comportamentais — um aumento de 15,66% em relação ao ano anterior.
INSS sente alta de afastamentos por saúde mental e acende alerta no país
Afastamentos por saúde mental crescem no Brasil. Veja dados do INSS, impacto nas empresas e como pedir auxílio-doença.
Desse total, 166.489 casos envolveram diagnósticos de ansiedade e depressão, dois dos transtornos mais comuns entre trabalhadores brasileiros.
O avanço desses números revela não apenas um problema de saúde pública, mas também um desafio econômico e social, com impacto direto na produtividade das empresas e nos cofres da Previdência.
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Impacto financeiro e previdenciário
O crescimento dos afastamentos também tem reflexos significativos nos gastos públicos.
Segundo o INSS:
- O custo total chegou a R$ 3,5 bilhões em 2025
- Cada afastamento teve custo médio de R$ 1.900 por mês
- A duração média dos benefícios foi de 90 dias
Além disso, a série histórica aponta que os gastos com afastamentos por saúde mental dobraram nos últimos 10 anos, evidenciando uma tendência preocupante.
Em estados como o Rio de Janeiro, por exemplo, foram registrados 41.997 afastamentos apenas em 2025.
Mulheres são maioria nos afastamentos
Outro dado relevante é o perfil dos beneficiários. As mulheres representam 63,46% dos afastamentos, o que levanta discussões sobre desigualdade de gênero no ambiente de trabalho.
Especialistas apontam fatores como:
- Diferença salarial
- Maior exposição a assédio
- Dupla jornada (trabalho e responsabilidades domésticas)
- Pressão por desempenho
Segundo profissionais da área, essas condições tornam as mulheres mais vulneráveis ao desgaste emocional e ao adoecimento psicológico.
O que está por trás da crise de saúde mental
Diversos fatores contribuem para o aumento dos afastamentos no Brasil.
Hiperconectividade e excesso de trabalho
A dificuldade de se desconectar do trabalho, impulsionada por tecnologia e trabalho remoto, tem ampliado a carga mental dos trabalhadores.
Mensagens fora do horário, metas constantes e pressão por resultados criam um ambiente de estresse contínuo.
Medo da instabilidade profissional
O avanço da automação e da inteligência artificial também tem gerado insegurança no mercado de trabalho.
Para muitos profissionais, o medo de perder o emprego aumenta a ansiedade e contribui para o desenvolvimento de transtornos.
Falta de diagnóstico precoce
Outro problema comum é a demora em reconhecer sintomas.
Muitos trabalhadores, como no caso de uma professora da rede privada que precisou se afastar por depressão, inicialmente atribuem os sinais ao cansaço ou estresse passageiro — o que pode agravar o quadro.
Relatos mostram impacto humano da crise
Histórias reais ajudam a entender a dimensão do problema.
Uma professora que precisou se afastar por 90 dias relatou que demorou mais de um ano para aceitar que enfrentava depressão. Durante esse período, apresentou sintomas como crises de choro, falta de energia e dificuldade para trabalhar.
Mesmo após o tratamento, enfrentou outro desafio: o preconceito no ambiente profissional.
Segundo ela, a exposição de seu diagnóstico dentro da escola afetou sua recuperação e pode ter influenciado na não renovação de seu contrato.
Outro caso, de um analista de mercado, revela uma realidade diferente: apesar do medo inicial, ele encontrou apoio na empresa e conseguiu retornar ao trabalho após 60 dias de afastamento.
Esses exemplos mostram que o acolhimento no ambiente corporativo pode fazer toda a diferença na recuperação.
Preconceito ainda é barreira no mercado de trabalho
Apesar dos avanços no debate sobre saúde mental, o estigma ainda é forte no Brasil.
Muitos trabalhadores relatam:
- Medo de julgamento
- Receio de perder o emprego
- Dificuldade em retomar a carreira
Em alguns casos, profissionais afastados enfrentam dificuldades para se recolocar no mercado, sendo vistos como menos produtivos ou “problemáticos”.
Essa percepção reforça a importância de políticas de inclusão e conscientização nas empresas.
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Como funciona o afastamento pelo INSS
Trabalhadores com diagnóstico de transtornos mentais podem solicitar o benefício por incapacidade temporária junto ao INSS.
O pedido pode ser feito pelo aplicativo Meu INSS ou pelo site oficial.
Requisitos básicos
- Apresentar atestado médico com diagnóstico
- Comprovar incapacidade para o trabalho
- Cumprir carência mínima de contribuições (em regra)
O benefício é pago enquanto durar a incapacidade, respeitando os critérios médicos e previdenciários.
Valor do benefício pode ser menor que o salário
Um ponto importante é que o valor pago pelo INSS não corresponde necessariamente ao salário integral do trabalhador.
O cálculo considera:
- Média das contribuições previdenciárias
- Percentual de 91% sobre o valor calculado
Isso pode gerar impacto financeiro durante o período de afastamento, como relatado por trabalhadores que precisaram reorganizar suas despesas.
O que empresas podem fazer para reduzir afastamentos
Especialistas defendem que as empresas têm papel fundamental na prevenção.
Boas práticas no ambiente corporativo
- Programas de saúde mental
- Apoio psicológico aos colaboradores
- Respeito ao horário de descanso
- Políticas contra assédio
- Cultura organizacional mais humana
Ambientes saudáveis tendem a reduzir afastamentos e aumentar a produtividade.
Caminho para o futuro: prevenção e acolhimento
O aumento dos afastamentos por saúde mental é um sinal claro de que o modelo de trabalho precisa evoluir.
Mais do que tratar os casos, é necessário investir em prevenção, diagnóstico precoce e acolhimento.
Para o trabalhador, isso significa buscar ajuda ao primeiro sinal de alerta. Para empresas e governo, representa a necessidade de políticas mais eficazes.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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