A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (26) a Operação Forja, que tem como objetivo desarticular um esquema de fraudes milionárias na concessão de aposentadorias. De acordo com a corporação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, incluindo a Agência da Previdência Social de Niquelândia (GO), além do sequestro de bens e valores superiores a R$ 1,2 milhão.
Agência do INSS vira alvo de operação da PF por fraude milionária
Polícia Federal investiga fraudes em aposentadorias no INSS. Operação já bloqueou mais de R$ 10 milhões em pagamentos irregulares.
A ação contou com o apoio da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP), que faz parte da Força-Tarefa Previdenciária no Estado de Goiás. O foco da operação foi a identificação de servidores e intermediários envolvidos em manipulações de processos previdenciários para liberar benefícios indevidos.
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Esquema teria começado em 2023

Segundo as investigações, as fraudes começaram em 2023, quando técnicos da Previdência detectaram inconsistências em processos de reabertura de benefícios. Normalmente, pedidos de aposentadoria ou outros auxílios negados podem ser reavaliados mediante novos documentos. No entanto, servidores envolvidos estariam aprovando irregularmente solicitações já indeferidas, concedendo aposentadorias fraudulentas e liberando pagamentos retroativos.
O esquema, além de gerar prejuízos imediatos, criava um passivo milionário para os cofres públicos, já que beneficiários ilegítimos recebiam valores retroativos acumulados de meses anteriores.
Prejuízo passa de R$ 1,5 milhão
A PF informou que o prejuízo já identificado ultrapassa R$ 1,5 milhão. No entanto, a operação evitou que o rombo fosse ainda maior. Durante as apurações, foi possível bloquear mais de R$ 10 milhões em pagamentos fraudulentos que estavam prestes a ser liberados.
Esses números reforçam a gravidade do esquema, que não apenas desviava recursos da Previdência Social, como também colocava em risco a sustentabilidade de um sistema que atende milhões de brasileiros.
INSS afastou servidor envolvido
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) divulgou nota informando que já havia adotado medidas internas para afastar e investigar o servidor envolvido. Segundo a autarquia, as providências foram tomadas assim que surgiram os primeiros indícios de irregularidade.
A ação administrativa, de acordo com o INSS, foi fundamental para impedir novas fraudes e demonstrar o compromisso da instituição em colaborar com as investigações.
Operação Forja pode ter novos desdobramentos
Embora a primeira fase da operação tenha mirado a agência de Niquelândia, a Polícia Federal não descarta a possibilidade de novas diligências em outros estados. O objetivo é mapear possíveis ramificações do esquema e identificar beneficiários e intermediários que lucraram com as fraudes.
Um dos desafios da apuração será rastrear o destino dos recursos desviados e identificar se há participação de quadrilhas especializadas em fraudes previdenciárias, que atuam em diferentes regiões do país.
Contexto: fraudes no sistema previdenciário
O sistema previdenciário brasileiro, que paga aposentadorias, pensões e auxílios a milhões de trabalhadores, é historicamente alvo de tentativas de fraude.
De acordo com dados do próprio governo, a cada ano são detectados milhares de pedidos com documentos falsos, informações adulteradas ou manipulação de processos internos. O impacto financeiro é bilionário, o que justifica a criação da Força-Tarefa Previdenciária, que reúne o INSS, a Polícia Federal e o Ministério da Previdência.
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Prevenção e tecnologia contra fraudes

Nos últimos anos, o INSS vem investindo em sistemas de inteligência e cruzamento de dados para tentar reduzir as irregularidades. Ferramentas digitais já são capazes de detectar inconsistências em tempo real, como CPFs duplicados, vínculos empregatícios fictícios e certidões de nascimento adulteradas.
Apesar dos avanços, especialistas destacam que a participação de servidores internos ainda é um dos pontos mais críticos, já que facilita a liberação indevida de benefícios com aparência de legalidade.
Impacto para os beneficiários legítimos
Enquanto esquemas fraudulentos drenam recursos da Previdência, milhões de brasileiros enfrentam filas e dificuldades para conseguir a análise de seus pedidos legítimos.
Especialistas alertam que cada real desviado por fraude representa menos recursos disponíveis para aposentados e pensionistas que realmente dependem do benefício. Além disso, operações como a Forja reforçam a necessidade de maior transparência e celeridade nos processos do INSS, para evitar tanto irregularidades quanto longas esperas.
Próximos passos da investigação
A Polícia Federal seguirá ouvindo testemunhas, analisando documentos e rastreando movimentações financeiras ligadas ao servidor afastado. A expectativa é de que novas fases da operação sejam deflagradas nos próximos meses.
Segundo fontes ligadas à investigação, a prioridade é garantir que os valores já bloqueados — mais de R$ 10 milhões — sejam definitivamente recuperados e revertidos para os cofres públicos.
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