A segunda semana de agosto começa com uma agenda econômica carregada de indicadores capazes de influenciar as decisões de investidores no Brasil e no exterior. Entre segunda-feira (10) e sexta-feira (14), os mercados acompanham números de inflação, atividade econômica, emprego e comércio, além de uma nova rodada de balanços corporativos.
No Brasil, o calendário concentra alguns dos eventos mais importantes para a formação das expectativas sobre a economia. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA de julho, enquanto o Banco Central publica a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Também serão conhecidos dados sobre o desempenho do setor de serviços, vendas do varejo e mercado de trabalho.
No exterior, a semana traz números de inflação de importantes economias, a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do Reino Unido e da Zona do Euro e novos dados de atividade nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a temporada de resultados do segundo trimestre entra em uma etapa decisiva na B3. Empresas de setores como alimentos, aviação, seguros, cosméticos, logística, varejo e serviços financeiros apresentam seus números.
Para quem acompanha ações, juros, dólar ou renda fixa, a combinação de inflação, atividade econômica e resultados empresariais pode aumentar a volatilidade ao longo da semana.
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O que movimenta a agenda econômica desta semana?
O primeiro grande destaque doméstico será o IPCA de julho, previsto para terça-feira (11). O indicador oficial de inflação é acompanhado de perto porque ajuda a medir a evolução dos preços para os consumidores e influencia as expectativas para a política monetária.
No mesmo dia, o Banco Central divulgará a ata da reunião mais recente do Copom. O documento é importante porque detalha os argumentos utilizados pelos diretores na decisão sobre a taxa básica de juros e pode oferecer pistas sobre a avaliação do cenário econômico.
A combinação entre inflação e comunicação do Banco Central ganha importância em um momento em que o mercado monitora os próximos passos da política monetária.
Na quarta-feira (12), o foco passa para o setor de serviços. Na quinta, será a vez dos dados de comércio e da confiança empresarial. Já na sexta-feira, o mercado encerra a semana com a divulgação da taxa de desemprego.
Segunda-feira começa com dados do Reino Unido e balanços
A segunda-feira (10) abre a agenda internacional com a divulgação das vendas no varejo do Reino Unido referentes a julho.
O indicador ajuda a medir o comportamento dos consumidores britânicos e pode fornecer sinais sobre a força da atividade econômica do país. Em um cenário de preocupação com crescimento e inflação, números de consumo podem influenciar as expectativas para a política monetária britânica.
No mercado brasileiro, a atenção se concentra principalmente na temporada de balanços.
Entre as companhias que divulgam resultados estão Itaúsa, JBS, Embraer, Caixa Seguridade, Natura, Hidrovias do Brasil, Movida, Grupo SBF e JSL.
A quantidade e a diversidade de empresas fazem com que o impacto dos resultados não fique restrito a um único setor.
Embraer está entre os principais destaques corporativos
A Embraer aparece entre os resultados mais acompanhados pelos investidores nesta segunda-feira.
A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também elevou sua projeção para o fluxo de caixa livre de 2026 para US$ 400 milhões ou mais, acima do piso de US$ 200 milhões anteriormente previsto.
O resultado chama atenção porque a fabricante brasileira de aeronaves possui forte exposição ao mercado internacional. Dessa forma, além dos números financeiros, investidores costumam acompanhar indicadores como entregas, carteira de pedidos, geração de caixa e perspectivas para os próximos trimestres.
O desempenho da Embraer também pode servir como termômetro para a percepção do mercado sobre a demanda global por aeronaves e serviços relacionados à aviação.
JBS, Itaúsa e outras empresas também divulgam resultados
A JBS também está no calendário desta segunda-feira. A companhia pertence ao setor de alimentos e possui operações em diferentes mercados, o que torna seus números relevantes não apenas para investidores brasileiros, mas também para quem acompanha o agronegócio e o mercado internacional de proteínas.
A Itaúsa, por sua vez, apresenta seus resultados como holding de investimentos. Nesse caso, a análise costuma considerar o desempenho das empresas investidas e a evolução dos resultados consolidados da companhia.
Caixa Seguridade, Natura, Movida, Grupo SBF, Hidrovias do Brasil e JSL completam a lista de empresas brasileiras previstas para divulgar números na abertura da semana.
A diversidade dos setores permite ao mercado avaliar diferentes aspectos da economia, desde o consumo até o transporte e os serviços financeiros.
Terça-feira terá IPCA e ata do Copom
A terça-feira (11) concentra dois dos eventos mais relevantes para o mercado brasileiro.
O primeiro é a divulgação do IPCA de julho pelo IBGE. Como principal índice oficial de inflação do país, o indicador será observado especialmente por investidores em renda fixa, mercado de juros e câmbio.
Uma inflação acima ou abaixo das expectativas pode provocar mudanças nas projeções para a trajetória da Selic.
O segundo evento é a publicação da ata da última reunião do Copom. Enquanto o comunicado da decisão apresenta uma síntese da avaliação do comitê, a ata costuma trazer uma explicação mais detalhada sobre os riscos considerados pelos dirigentes do Banco Central.
Por isso, o documento pode ser importante para entender como o Copom avalia a inflação, a atividade econômica, o cenário externo e as condições financeiras.
O mercado também acompanha o Boletim Focus
Além dos indicadores oficiais, as expectativas compiladas pelo Banco Central continuam sendo uma referência importante para os agentes financeiros.
O Boletim Focus reúne projeções de instituições consultadas pelo BC para variáveis como inflação, crescimento econômico, câmbio e taxa Selic.
Na edição divulgada em 10 de agosto, a projeção do mercado para o IPCA de 2026 caiu de 5,03% para 5,02%, enquanto a estimativa para o crescimento do PIB passou de 1,99% para 1,98%. A mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,75%.
Essas projeções não são previsões oficiais do Banco Central, mas ajudam a mostrar como os analistas estão avaliando o cenário econômico.
Por isso, a divulgação do IPCA e a ata do Copom nesta semana podem provocar novas revisões nas expectativas.
Quarta-feira terá serviços e uma bateria de indicadores internacionais
Na quarta-feira (12), o IBGE divulgará os dados do volume de serviços referentes a junho.
O setor tem peso importante na economia brasileira e inclui atividades como transportes, informação e comunicação, serviços profissionais e outros segmentos.
Uma aceleração ou desaceleração do setor pode alterar a percepção sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira.
No exterior, o calendário será ainda mais movimentado.
O Reino Unido divulgará a prévia do PIB do segundo trimestre, enquanto Alemanha, Itália, Portugal e Índia apresentarão dados de inflação de julho. Os Estados Unidos também divulgarão sua inflação de julho, um dos indicadores mais acompanhados pelos mercados globais. Rússia, por sua vez, divulgará inflação e PIB do segundo trimestre.
Inflação dos Estados Unidos volta ao centro das atenções
Os dados de inflação norte-americanos podem provocar movimentos nos mercados internacionais porque ajudam a definir as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve.
Para o investidor brasileiro, uma mudança relevante nas expectativas sobre os juros americanos pode repercutir sobre o dólar, os títulos públicos, a curva de juros e o mercado acionário.
Uma inflação mais persistente pode reduzir a expectativa de flexibilização monetária nos Estados Unidos. Já números mais moderados podem favorecer uma percepção de maior espaço para cortes de juros, dependendo das demais condições econômicas.
Por isso, o mercado costuma analisar tanto o índice cheio quanto medidas de inflação subjacente e outros componentes considerados importantes para avaliar a tendência dos preços.
Quinta-feira terá varejo e novos dados da Europa
Na quinta-feira (13), o IBGE divulgará as vendas do comércio varejista referentes a junho.
O indicador ajuda a acompanhar o comportamento do consumo das famílias e pode complementar a leitura fornecida pelos dados de serviços.
Para empresas ligadas ao varejo, números mais fortes podem indicar maior demanda, enquanto resultados fracos podem sinalizar perda de fôlego do consumo.
Também será divulgado o Índice de Confiança Empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), referente a julho. O indicador ajuda a medir a percepção das empresas sobre as condições atuais e as perspectivas para os próximos meses.
No exterior, Reino Unido, Espanha, Argentina e Zona do Euro também aparecem na agenda.
Sexta-feira encerra a semana com PIB europeu e desemprego
A sexta-feira (14) terá como destaque no Brasil a divulgação da taxa de desocupação pelo IBGE, referente ao trimestre encerrado em junho.
O dado será importante para avaliar as condições do mercado de trabalho brasileiro e pode complementar a leitura dos indicadores de atividade divulgados nos dias anteriores.
No cenário internacional, a Zona do Euro divulgará a prévia do PIB do segundo trimestre.
O mercado também acompanhará as vendas do varejo dos Estados Unidos referentes a julho, outro indicador relevante para avaliar o comportamento do consumidor na maior economia do mundo.
A combinação entre PIB europeu e consumo americano fecha uma semana de forte concentração de dados macroeconômicos.
Calendário de indicadores econômicos da semana
Segunda-feira, 10 de agosto
O Reino Unido divulga as vendas no varejo de julho.
No Brasil, a agenda corporativa concentra os balanços de Itaúsa, JBS, Embraer, Caixa Seguridade, Natura, Hidrovias do Brasil, Movida, Grupo SBF e JSL.
Terça-feira, 11 de agosto
O Brasil divulga o IPCA de julho e a ata da última reunião do Copom.
No exterior, estão previstos dados de vendas de casas usadas nos Estados Unidos, produção industrial do México e balanças comerciais de Itália e Rússia.
Quarta-feira, 12 de agosto
O IBGE divulga o volume de serviços de junho.
No exterior, o Reino Unido apresenta a prévia do PIB do segundo trimestre. Alemanha, Itália, Portugal e Índia divulgam dados de inflação, enquanto os Estados Unidos também apresentam a inflação de julho.
Quinta-feira, 13 de agosto
No Brasil, serão divulgadas as vendas do varejo de junho e o Índice de Confiança Empresarial da CNI.
No exterior, haverá dados de produção industrial da Zona do Euro, inflação da Espanha e da Argentina, além de números de atividade, comércio e indústria do Reino Unido.
Sexta-feira, 14 de agosto
O IBGE divulga a taxa de desocupação do trimestre encerrado em junho.
Na Europa, sai a prévia do PIB do segundo trimestre da Zona do Euro. Nos Estados Unidos, serão conhecidas as vendas do varejo de julho.
Calendário de balanços da B3 nesta semana
A temporada de resultados do segundo trimestre segue intensa entre as empresas listadas na B3.
Na segunda-feira, os destaques são Itaúsa, JBS, Embraer, Caixa Seguridade, Natura, Hidrovias do Brasil, Movida, Grupo SBF e JSL.
Na terça-feira, aparecem BTG Pactual, B3, Cury, Direcional, PagBank e Cruzeiro do Sul.
A quarta-feira será especialmente movimentada, com Banco do Brasil, Sabesp, Rede D’Or, Suzano, Eneva, Equatorial, Ultrapar, CSN Mineração, Copasa, Minerva, MRV, Grupo Multi, Americanas, Positivo, Casas Bahia e Oi, além de companhias estrangeiras como Tencent, Foxconn, Tokio Marine e Cisco.
Na quinta-feira, será a vez de Nubank, CPFL, Braskem, Cemig, Marfrig, Azul, Banrisul e Banco BMG. No exterior, Brookfield também apresenta resultados.
Na sexta-feira, a programação brasileira inclui Vibra e Cosan.
Por que os balanços são importantes para o investidor?
Os resultados trimestrais permitem comparar o desempenho das empresas com períodos anteriores e com as expectativas do mercado.
Entretanto, não é apenas o lucro líquido que determina a reação das ações.
Investidores também observam receita, margens, geração de caixa, endividamento, investimentos, distribuição de dividendos e perspectivas apresentadas pela administração.
Em alguns casos, uma companhia pode apresentar lucro maior, mas decepcionar o mercado caso a receita ou a margem fique abaixo das expectativas.
O contrário também pode acontecer. Uma empresa pode registrar queda no lucro em determinado trimestre, mas apresentar perspectivas melhores para os meses seguintes, levando os investidores a uma interpretação positiva.
Por isso, a leitura de um balanço deve considerar tanto os números históricos quanto as perspectivas para os próximos períodos.
Quais setores podem chamar mais atenção?
A variedade de empresas previstas para divulgar resultados torna a semana relevante para diferentes segmentos.
O setor financeiro aparece com Itaúsa, BTG Pactual, B3, Banco do Brasil, Nubank, Banrisul e Banco BMG.
Na indústria e infraestrutura, empresas como Embraer, Suzano, Eneva, Equatorial, CSN Mineração, Sabesp, Copasa e CPFL entram no radar.
O consumo também terá forte presença, com JBS, Natura, Grupo SBF, Americanas, Casas Bahia e Marfrig.
Já os setores de transporte e logística contam com empresas como JSL, Movida, Azul e outras companhias da cadeia.
Essa diversidade permite que os resultados corporativos funcionem como uma espécie de fotografia parcial da economia brasileira.
O que pode mexer com a bolsa nesta semana?
O Ibovespa pode reagir tanto a fatores domésticos quanto externos.
No Brasil, os principais catalisadores são o IPCA, a ata do Copom, os dados de serviços, varejo e emprego e os balanços das empresas.
No exterior, inflação americana, PIB do Reino Unido e da Zona do Euro e vendas do varejo dos Estados Unidos devem estar entre os indicadores mais observados.
O comportamento dos juros futuros também será importante. Caso os dados de inflação indiquem pressão maior ou menor sobre os preços, as expectativas para a política monetária podem mudar e afetar a precificação dos ativos.
Além disso, notícias corporativas específicas podem provocar movimentos fortes em ações individuais, independentemente da direção geral do mercado.
E o dólar, como pode reagir?

O câmbio tende a responder a uma combinação de fatores domésticos e internacionais.
Dados de inflação nos Estados Unidos são especialmente importantes porque podem alterar as expectativas sobre os juros americanos e, consequentemente, o fluxo internacional de capital.
No Brasil, a ata do Copom e o IPCA também podem influenciar o câmbio ao modificar as perspectivas sobre a política monetária doméstica.
Questões fiscais, ambiente político, preços de commodities e percepção de risco também podem interferir na cotação do real.
Por isso, não existe um único indicador capaz de determinar a direção do dólar durante toda a semana.
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