Agronegócio: três grandes empresas do setor agropecuário em Goiás estão sendo investigadas por uma fraude fiscal que pode ter causado um prejuízo de R$ 500 milhões aos cofres públicos. De acordo com a Receita Estadual, as empresas, que faturaram R$ 2 bilhões, simulavam a produção de ração animal para obter isenção fiscal no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A operação, chamada “Fora do Mapa”, revelou que essas empresas nunca fabricaram ração de fato, mas usaram essa falsa atividade para fraudar o sistema tributário e promover uma concorrência desleal com outros contribuintes.
Escândalo no agronegócio: Empresas com faturamento bilionário acusadas de sonegar R$ 500 mi em impostos
Três empresas do agronegócio em Goiás são investigadas por simular a produção de ração animal e sonegar R$ 500 milhões em ICMS.
O esquema de sonegação fiscal

O esquema criminoso foi desmascarado após a Receita Estadual realizar uma série de vistorias nas empresas cadastradas como fabricantes de ração animal. A investigação começou no início do ano, quando uma das empresas foi flagrada simulando a produção de ração. Durante a vistoria, a fiscalização encontrou uma pequena máquina que nunca havia sido utilizada para produção real, apenas colocada para enganar os auditores fiscais.
Gabriela Vitorino, superintendente de fiscalização da Receita Estadual, detalhou como a fraude ocorria. Para conseguir a isenção fiscal do ICMS, as empresas se autodeclaravam como fabricantes de ração animal, embora nunca tivessem produzido qualquer tipo de ração. Esse falso cadastro permitia que as empresas pagassem menos impostos na comercialização de grãos, prejudicando a concorrência leal e as empresas que cumpriam com suas obrigações fiscais.
Como funcionava a fraude?
O processo de fraude envolvia um procedimento simples, mas altamente eficaz. O contribuinte se cadastrava na Secretaria de Estado da Economia, informando erroneamente que era fabricante de ração animal. Com essa declaração, a empresa se qualificava para receber um benefício fiscal que isentava o pagamento do ICMS sobre os produtos comercializados. Isso permitia que as empresas envolvidas vendessem grãos a preços abaixo do mercado, desestabilizando o setor e prejudicando os concorrentes legítimos.
A Receita Estadual também identificou que 40% das empresas investigadas estavam localizadas em Goiânia e Rio Verde, com outras também sendo encontradas em Morrinhos, Jataí, Itumbiara, Goiás, Catalão, Porangatu, Formosa, Anápolis e Luziânia. Essas cidades formavam a principal base das operações fraudulentas.
Impactos da fraude fiscal para o mercado
Além de prejudicar a arrecadação estadual, a fraude representava um sério risco para a economia local e a concorrência justa. O esquema permitia que as empresas investigadas operassem com uma vantagem ilícita no mercado de grãos e produtos agropecuários. Isso resultava em preços artificialmente baixos e dificultava a competição para empresas que pagavam seus impostos corretamente.
A Receita Estadual, ao perceber o desequilíbrio no mercado, começou a investigar os cadastros dessas empresas e descobriu que a maioria não tinha qualquer relação com a fabricação de ração, mas sim com o comércio de grãos. A prática foi vista como uma concorrência desleal que prejudicava todos os produtores que seguiam as normas fiscais do estado.
Consequências para as empresas envolvidas
As empresas suspeitas de envolvimento na fraude fiscal enfrentam sérias consequências legais e tributárias. A Receita Estadual já iniciou vistorias adicionais nas empresas envolvidas para confirmar a fraude. Após a confirmação, os casos serão encaminhados à Polícia Civil para abertura de inquéritos, e as empresas poderão ser responsabilizadas criminalmente por falsidade ideológica e crimes contra a ordem tributária.
Além disso, as empresas podem sofrer penalidades na esfera tributária, com a aplicação de multas e a suspensão de seus cadastros, o que impede sua atuação no mercado. A Receita Estadual afirmou que está empenhada em recuperar os R$ 500 milhões sonegados e responsabilizar todos os envolvidos no esquema.
O que diz a Receita Estadual?

Gabriela Vitorino, superintendente da Receita Estadual, fez um alerta sobre o esquema e destacou que a fraude representa um grave risco para a arrecadação do estado. Ela explicou que, para ser considerada uma fabricante de ração animal, uma empresa deve estar registrada no Ministério da Agricultura e Pecuária. Sem essa inscrição, a empresa não pode ser classificada como tal, o que torna ilegal qualquer declaração de fabricação de ração para fins fiscais.
A superintendente também alertou aos produtores e à população sobre os riscos de negociar com empresas fraudulentas. Ela ressaltou que, ao comprar grãos a preços abaixo do mercado, o produtor pode estar colaborando com a desestabilização econômica do estado e comprometendo a competitividade do setor agropecuário.
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Ações da Receita Estadual
A Receita Estadual segue com a fiscalização intensificada e promete aplicar todas as infrações tributárias cabíveis para punir as empresas envolvidas no esquema. Gabriela Vitorino reforçou que, além das medidas fiscais, a polícia civil também será acionada para as investigações criminais.
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O impacto para os produtores e consumidores
Para os produtores de grãos e outros itens agropecuários, a fraude representa uma distorção de mercado, com empresas ilegais oferecendo preços mais baixos devido à isenção fiscal indevida. Isso coloca em risco os produtores que cumprem suas obrigações fiscais, gerando uma concorrência desleal. Além disso, o impacto para o consumidor é indireto, pois a desorganização do mercado pode afetar os preços finais dos produtos.
O trabalho de fiscalização da Receita Estadual visa garantir que as empresas que seguem as regras fiscais sejam protegidas e que o mercado de grãos e ração animal funcione de maneira justa e equilibrada.
A operação “Fora do Mapa” da Receita Estadual revelou um esquema de fraude fiscal no setor do agronegócio que afetava diretamente a arrecadação do estado de Goiás. Com empresas simulando a produção de ração animal para obter isenção de impostos, o estado perdeu milhões de reais em ICMS, o que prejudicou tanto a economia estadual quanto a concorrência justa entre as empresas. A investigação continua, e as autoridades estão trabalhando para desmantelar esse esquema e punir os responsáveis.
