Na terça-feira (25), a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou uma notícia-crime à Polícia Federal solicitando a instauração de inquérito para investigar a disseminação de fake news contra o Sistema Financeiro Nacional. O caso se intensificou após publicações em redes sociais vincularem o Banco do Brasil (BB) às sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.
Crise com os EUA: veja os efeitos sobre o Banco do Brasil
AGU pede à PF investigação sobre fake news que associam o Banco do Brasil às sanções da Lei Magnitsky. Entenda o impacto no mercado!
Segundo a AGU, essas publicações têm “potencial de fomentar uma verdadeira corrida bancária”, incentivando a retirada em massa de depósitos e provocando instabilidade econômica no país.
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Entenda o caso: como surgiram os boatos
A origem da crise remonta à última sexta-feira (22), quando o Banco do Brasil denunciou publicamente a circulação de mensagens classificadas como “de extrema gravidade”. As postagens, segundo o banco, disseminavam a ideia de que a instituição estaria prestes a perder relações internacionais e até a quebrar, por conta de supostas sanções americanas.
As mensagens ganharam tração após a decisão do ministro do STF Flávio Dino, em 18 de agosto, declarando que sanções estrangeiras unilaterais, como as da Lei Magnitsky, não têm validade no Brasil. A fala, interpretada por setores do mercado como sinal de atrito diplomático, serviu de combustível para os boatos.
De acordo com a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), os disparos começaram no dia 19 de agosto, com publicações associando o BB às restrições do Departamento do Tesouro dos EUA.
AGU aponta ação coordenada com fins de desestabilização
Em nota, a AGU alertou para o que chamou de ação articulada de disparos em massa, com o objetivo de gerar pânico financeiro e pressionar o Judiciário. A notícia-crime enviada à PF visa investigar a autoria e motivação das publicações, que ameaçam a confiança na solidez bancária nacional.
Além do risco de abalar a imagem de uma das maiores instituições financeiras do país, o órgão aponta possível crime contra a ordem econômica e contra o sistema financeiro, o que justifica a atuação conjunta da AGU com a PF.
Repercussão imediata no mercado financeiro
As fake news repercutiram de forma direta no mercado. No mesmo dia 22, as ações do Banco do Brasil registraram queda de 6,03%, refletindo o temor momentâneo de investidores diante da incerteza gerada pelas publicações.
No dia 25, as ações voltaram a cair 2%, mesmo após esclarecimentos oficiais da instituição. Embora a recuperação parcial do papel nos dias seguintes tenha mostrado resiliência, especialistas apontam que o ruído midiático influencia o comportamento de curto prazo do investidor, mesmo que não haja deterioração dos fundamentos do banco.
“Notícias mexem com a percepção do investidor. Isso gera oscilações, mas não muda os fundamentos de longo prazo”, avalia o economista Guilherme Jung, da Alta Vista Investimentos.
Risco de corrida bancária é improvável, dizem especialistas
A principal preocupação da AGU, a possibilidade de uma corrida bancária, foi amplamente discutida por analistas. Esse fenômeno ocorre quando um grande número de correntistas tenta sacar seus depósitos ao mesmo tempo, pressionando a liquidez das instituições.
Entretanto, segundo Jung, o risco no caso brasileiro é extremamente baixo:
“Já passamos por crises graves como a de 2008, a Lava Jato e a pandemia, e nada disso resultou em corrida aos bancos. Nosso sistema é concentrado, regulado e com camadas de proteção robustas, como o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).”
O mestre em finanças pela Universidade de Sorbonne, Hulisses Dias, reforça:
“O sistema financeiro brasileiro é um dos mais sólidos do mundo. Tem liquidação centralizada, alta regulação, compulsórios robustos e histórico de intervenção rápida do Banco Central.”
Impacto da Lei Magnitsky e riscos para o Banco do Brasil

No plano internacional, a Lei Magnitsky, usada pelos EUA para impor sanções a autoridades e entidades estrangeiras, foi o ponto de partida para os boatos. A dúvida é se ela teria alcance suficiente para afetar o Banco do Brasil, especialmente suas operações no exterior.
Segundo Dias, o risco é restrito à filial do banco nos Estados Unidos, e não se estende à matriz no Brasil:
“O BB no Brasil é regido pela nossa legislação e supervisionado pelo Banco Central. O risco maior é reputacional e operacional, em relação à movimentação de dólares, caso ocorressem restrições.”
Jung complementa que a adoção de sanções ao BB iria contra os próprios interesses americanos:
“Isso teria efeito contrário ao que os EUA desejam. Afastaria parceiros comerciais e fortaleceria a desdolarização que a China já vem promovendo. Seria um tiro no pé.”
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Confiança no sistema financeiro brasileiro permanece alta
Mesmo com a repercussão negativa nas redes sociais e a volatilidade das ações, os especialistas ressaltam que a estrutura do sistema financeiro nacional permanece sólida.
“Fake news geram ruído momentâneo, mas temos um ambiente regulatório confiável, com supervisão rigorosa e histórico de estabilidade”, diz Dias.
Jung reforça que o ruído midiático não compromete o sistema:
“Precisamos separar o barulho do noticiário dos dados concretos. O sistema bancário brasileiro está entre os mais seguros globalmente.”
Papel do Banco do Brasil na economia é estratégico
Fundado em 1808, o Banco do Brasil não é apenas um banco comercial. Sua atuação tem papel central na economia nacional, o que o torna ainda mais relevante em momentos de instabilidade informacional.
Funções estratégicas do BB:
- Responsável pelo pagamento da folha do funcionalismo público federal;
- Líder no crédito agrícola, com 60% de participação no setor;
- Destaque em operações de comércio exterior e financiamento do Plano Safra;
- Atuação em projetos sociais e sustentáveis por meio de linhas de crédito direcionadas.
Banco do Brasil em números (dados atualizados)

- Ativos totais (dez/2024): R$ 2,43 trilhões
- Lucro líquido ajustado (2024): R$ 35,44 bilhões
- Carteira de crédito agrícola (jun/2025): R$ 404,9 bilhões
- Plano Safra 2025/2026: R$ 230 bilhões em crédito rural
- Número de empregados (dez/2024): 86.574
- Base de clientes: 85,8 milhões
Esses números evidenciam a resiliência e capilaridade da instituição, que atua com presença forte em todas as regiões do país, inclusive em localidades onde bancos privados não têm representação.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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