A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou oficialmente, na segunda-feira (25), a abertura de investigação pela Polícia Federal (PF) para apurar uma campanha de desinformação nas redes sociais direcionada contra o Banco do Brasil (BB). A ação foi motivada por uma onda de postagens promovidas por perfis bolsonaristas que associam, de forma distorcida, a instituição financeira estatal às sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto da Lei Magnitsky.
Banco do Brasil reage a ataques de aliados de Bolsonaro nas redes sociais
AGU pede à PF apuração de fake news contra o Banco do Brasil após ataques bolsonaristas sobre sanções dos EUA a Alexandre de Moraes.
O pedido da AGU ocorre após o Banco do Brasil enviar um ofício ao órgão, solicitando providências diante da disseminação de fake news que poderiam afetar sua imagem e credibilidade. A campanha digital teria insinuado que o banco estaria sendo alvo de sanções ou de algum tipo de envolvimento em práticas ilegais, o que é totalmente infundado segundo a AGU.
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Entenda o caso: o que motivou o pedido de investigação
Ataques virtuais e manipulação de informações
O episódio ganhou força após a divulgação, por parte do Departamento de Estado dos EUA, de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, alegando supostas violações de direitos humanos em decisões tomadas pelo magistrado no contexto da repressão a atos golpistas no Brasil.
A partir desse anúncio, perfis alinhados ao bolsonarismo passaram a publicar conteúdos nas redes sociais que associavam o Banco do Brasil ao escândalo, pelo fato de Moraes ser, como servidor público, correntista da instituição — uma condição comum a milhares de magistrados e servidores.
As postagens sugeriam que o banco estaria envolvido ou seria atingido pelas sanções, o que não encontra respaldo em nenhum documento oficial, seja das autoridades brasileiras ou norte-americanas.
A resposta da AGU: desinformação como risco à estabilidade institucional
Defesa de instituições públicas contra fake news
Em nota oficial, a AGU afirmou que a campanha de desinformação representa risco à ordem pública e institucional, e compromete a confiança no sistema bancário estatal. O órgão solicitou à Polícia Federal que apure a origem, a estrutura e a eventual intenção criminosa da campanha.
“A disseminação de informações sabidamente falsas que envolvem órgãos do Estado e servidores públicos federais atenta contra a integridade institucional da Administração Pública e pode configurar crime”, diz o texto da AGU.
O pedido de investigação foi elaborado pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), que tem a atribuição de atuar em casos de desinformação contra o Estado brasileiro, conforme instituído pela estrutura interna da AGU.
Banco do Brasil reage para proteger sua imagem
Instituição reforça confiança do mercado
O Banco do Brasil, por sua vez, reafirmou em nota que não é alvo de qualquer tipo de sanção e que as postagens nas redes sociais são tentativas maliciosas de enganar a população. A instituição ressaltou que possui governança reconhecida no Brasil e no exterior, e que segue todas as normas de compliance e transparência exigidas pelo mercado financeiro internacional.
Além do ofício enviado à AGU, o banco também acionou sua assessoria jurídica para monitorar o fluxo de desinformações e poderá adotar medidas judiciais contra responsáveis pela propagação de fake news.
A movimentação tem como objetivo preservar a reputação do banco, que tem ações negociadas na Bolsa de Valores (BBAS3) e um papel estratégico na economia nacional, especialmente na execução de políticas públicas e pagamento de benefícios sociais.
Lei Magnitsky: o que é e por que foi aplicada

Sanções dos EUA contra Moraes repercutem no Brasil
A Lei Magnitsky é uma legislação dos Estados Unidos que permite a imposição de sanções contra indivíduos estrangeiros acusados de envolvimento em violações graves de direitos humanos ou corrupção. As penalidades incluem restrições de entrada nos EUA e bloqueio de bens financeiros.
Na semana anterior ao pedido da AGU, o governo norte-americano incluiu o ministro Alexandre de Moraes em uma lista de sanções, alegando supostos abusos de poder em decisões judiciais relacionadas à censura e prisão de opositores. Moraes, como relator de investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, tornou-se figura central na contenção do extremismo político no Brasil.
A sanção motivou manifestações de repúdio do STF, do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, que consideraram a medida uma interferência indevida em assuntos internos do Judiciário brasileiro.
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O uso político da desinformação no ambiente digital
Bolsonarismo e estratégias de manipulação em redes
A campanha de desinformação contra o Banco do Brasil se insere em uma dinâmica já conhecida no ecossistema digital bolsonarista, que frequentemente manipula fatos e associações para atacar instituições públicas consideradas adversárias políticas.
A estratégia envolve o uso de grupos em redes como Telegram, X (antigo Twitter), Facebook e WhatsApp, além da atuação de influenciadores e canais de desinformação. O foco dessa vez foi o Banco do Brasil, como forma de atingir indiretamente o ministro do STF e o próprio governo federal.
AGU mira responsabilização judicial
A AGU quer usar o caso como exemplo de responsabilização judicial por disseminação de desinformação institucional. Além da investigação criminal, o órgão pode pedir remoção de conteúdos, quebra de sigilo de perfis e eventual responsabilização civil de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.
Segundo fontes da AGU, a apuração poderá identificar uma rede coordenada de disseminação de fake news, o que pode levar a denúncias por associação criminosa e crimes contra a administração pública.
Repercussão política e institucional

Congresso e STF defendem o banco e o Judiciário
A ofensiva de desinformação causou reações imediatas no meio político. Parlamentares de oposição ao bolsonarismo manifestaram solidariedade ao Banco do Brasil e alertaram para os riscos de erosão institucional promovida por ataques digitais coordenados.
No STF, a cúpula da Corte também repudiou a tentativa de ligar a instituição bancária a práticas ilegais, reforçando que Moraes é cliente do BB em função de sua posição como ministro e que isso não representa qualquer relação operacional entre o banco e as sanções aplicadas a ele.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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