O Banco do Brasil aceitou retomar as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho específico de seus funcionários nesta terça-feira, 8 de setembro. A nova rodada ocorre em meio à rejeição da proposta anterior por trabalhadores de algumas regiões e à aprovação de greve a partir do dia 10 em determinadas bases sindicais.
A reabertura do diálogo não cancela automaticamente as paralisações já aprovadas. Para que a greve seja suspensa, será necessário haver uma nova proposta considerada satisfatória pelos representantes dos funcionários e, posteriormente, uma decisão dos trabalhadores em assembleia.
O momento exige atenção de dois públicos. Os funcionários aguardam respostas sobre reivindicações que ficaram pendentes, enquanto clientes do Banco do Brasil querem saber se agências poderão fechar e quais serviços continuariam disponíveis em caso de greve.
Leia mais:
O que aconteceu com a negociação do Banco do Brasil

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT, enviou um ofício ao Banco do Brasil solicitando a reabertura das negociações do ACT específico.
O pedido foi apresentado depois das assembleias realizadas na sexta-feira, 4 de setembro. Nessas reuniões, trabalhadores de diferentes regiões avaliaram as propostas negociadas durante a Campanha Nacional dos Bancários de 2026.
Os resultados não foram iguais em todo o país. Enquanto algumas bases aprovaram o acordo do Banco do Brasil, outras rejeitaram a proposta e autorizaram a realização de greve.
Em Belo Horizonte e nos municípios representados pelo sindicato da região, por exemplo, os funcionários do BB decidiram iniciar uma paralisação em 10 de setembro. No Ceará, a proposta também foi rejeitada por 79,47% dos participantes da assembleia, segundo o sindicato local.
Diante desse cenário, a Contraf-CUT pediu que o banco voltasse à mesa. O Banco do Brasil respondeu e marcou a nova reunião para a tarde desta terça-feira, conforme informou o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região.
A greve do Banco do Brasil está confirmada?
A greve foi aprovada em algumas bases sindicais, mas isso não significa que todas as agências do Banco do Brasil no país fecharão a partir do dia 10.
A organização dos bancários ocorre de forma descentralizada. Cada sindicato realiza sua assembleia e os trabalhadores da respectiva base decidem se aceitam a proposta, rejeitam o acordo ou aderem à paralisação.
Por isso, podem existir situações diferentes ao mesmo tempo:
- cidades onde a proposta foi aprovada e o atendimento deve continuar normalmente;
- regiões onde os funcionários rejeitaram o acordo, mas aguardam a nova negociação;
- bases que já aprovaram greve a partir do dia 10;
- locais onde uma nova assembleia poderá rever a decisão após a reunião com o banco.
Em Belo Horizonte e região, a paralisação havia sido aprovada para começar no dia 10. Outros sindicatos, como os do Ceará e de Rondônia, também divulgaram rejeição à proposta do BB e autorização de greve.
Por outro lado, bases como São Paulo, Osasco, Joinville e Guarulhos informaram a aprovação do ACT específico do Banco do Brasil. Portanto, não é correto afirmar, neste momento, que haverá uma greve nacional e uniforme em todas as unidades.
Nova reunião pode suspender a paralisação?
Pode, mas isso dependerá do resultado da negociação e das decisões das assembleias.
Se o Banco do Brasil apresentar avanços, os representantes sindicais poderão recomendar a aprovação da nova proposta. Os trabalhadores das bases mobilizadas precisariam então ser convocados para avaliar as condições oferecidas.
Apenas o anúncio de uma reunião não revoga uma greve já aprovada. A suspensão precisa seguir os procedimentos de cada sindicato e ser comunicada oficialmente.
O que está em negociação
As discussões envolvem o Acordo Coletivo de Trabalho específico do Banco do Brasil. Esse documento reúne regras próprias aplicáveis aos funcionários da instituição, além das condições gerais negociadas para a categoria bancária.
A campanha de 2026 tratou de reajustes salariais, benefícios, participação nos resultados, saúde, condições de trabalho, segurança, emprego e impactos das transformações tecnológicas.
Reajustes e benefícios econômicos
Nas negociações gerais com a Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban, os bancários discutiram reposição da inflação, aumento real, pisos salariais e reajustes dos vales-alimentação e refeição.
No caso do Banco do Brasil, a proposta específica também passou a prever um bônus de R$ 3 mil para os funcionários, adicional aos programas de remuneração já existentes, segundo informações divulgadas por sindicatos que aprovaram o acordo.
Ainda assim, o resultado das assembleias mostra que o bônus não foi suficiente para encerrar a discussão em todas as regiões. Parte do funcionalismo considerou que outras reivindicações precisavam avançar.
Condições de trabalho e cobrança de metas
Além das cláusulas econômicas, os representantes dos trabalhadores cobram medidas relacionadas à pressão por resultados, sobrecarga, assédio e saúde mental.
Esses temas ganharam relevância com o fechamento de unidades, a redução de equipes presenciais e a expansão dos canais digitais. Embora a tecnologia permita realizar mais operações pelo aplicativo, ela também pode aumentar a quantidade de tarefas e metas atribuídas aos funcionários que permanecem nas agências e departamentos.
Emprego e transformação digital
Outro ponto sensível é a preservação de postos de trabalho.
A digitalização dos serviços bancários reduziu o movimento em diversas agências, mas não eliminou a necessidade de atendimento humano. Aposentados, moradores de cidades menores, pessoas com dificuldade de acesso à internet e clientes que precisam resolver problemas complexos continuam dependendo dos canais presenciais.
Os sindicatos defendem que a modernização não seja usada apenas para reduzir equipes. O banco, por sua vez, precisa equilibrar eficiência operacional, segurança, atendimento e competitividade.
Saúde, previdência e direitos específicos
O ACT do Banco do Brasil também pode abranger questões relacionadas à Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi, e à Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Previ.
Embora as entidades tenham administrações e regras próprias, mudanças no custeio, na governança e na proteção dos participantes costumam aparecer entre as preocupações do funcionalismo.
Qual é a diferença entre ACT e CCT dos bancários?
A Convenção Coletiva de Trabalho, ou CCT, estabelece as regras gerais válidas para a categoria bancária representada nas negociações com a Fenaban. Ela pode tratar de salários, vales, jornada, participação nos lucros e garantias comuns.
O Acordo Coletivo de Trabalho, conhecido pela sigla ACT, é firmado entre os trabalhadores e uma empresa específica. No caso do BB, ele complementa as regras gerais com cláusulas próprias da instituição.
Na prática, um funcionário do Banco do Brasil pode estar protegido por dois conjuntos de normas:
- a CCT geral dos bancários;
- o ACT específico do Banco do Brasil.
Isso explica por que trabalhadores podem aprovar a convenção geral e, ao mesmo tempo, rejeitar a proposta específica do banco.
Quem participa da negociação
O processo envolve diferentes entidades, e cada uma exerce uma função.
A Contraf-CUT coordena negociações nacionais e reúne sindicatos ligados à confederação. A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, conhecida como CEBB, representa as demandas específicas do funcionalismo do banco.
Os sindicatos locais convocam assembleias, organizam mobilizações e comunicam as decisões tomadas pelos trabalhadores de sua região.
Do outro lado da mesa está a direção do Banco do Brasil, responsável por apresentar e negociar as condições do ACT. Quando o debate envolve toda a categoria bancária, a interlocução patronal ocorre com a Fenaban.
Como uma eventual greve afetaria os clientes
O impacto dependerá da quantidade de funcionários que aderirem e das regiões onde a greve for mantida.
As agências não fecham automaticamente porque um sindicato aprovou a paralisação. Algumas unidades podem funcionar normalmente, outras podem operar com equipes reduzidas e determinados pontos podem suspender o atendimento presencial.
Entre os serviços mais sujeitos a dificuldades estão:
- atendimento com gerente;
- abertura ou encerramento de contas;
- atualização cadastral presencial;
- renegociação de dívidas na agência;
- entrega e desbloqueio de cartões;
- operações que dependem de conferência de documentos;
- serviços presenciais relacionados a benefícios e ordens de pagamento.
Aplicativo, Pix e caixas eletrônicos continuam funcionando?
Em geral, sim.
O aplicativo BB, o internet banking, o Pix e os caixas eletrônicos são sistemas automatizados e não costumam ser interrompidos por uma greve. Pagamentos, transferências, consultas de saldo e movimentações digitais tendem a permanecer disponíveis.
Isso não significa que todos os problemas poderão ser solucionados remotamente. Solicitações que dependam da análise de um funcionário podem levar mais tempo caso as equipes estejam reduzidas.
O Banco do Brasil também disponibiliza atendimento pelos telefones 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800 729 0001, para as demais localidades.
Contas deixam de vencer durante a greve?
Não. A paralisação de funcionários não suspende automaticamente o vencimento de boletos, faturas, financiamentos ou tributos.
O cliente deve procurar os canais digitais, caixas eletrônicos, correspondentes bancários ou outras formas disponíveis de pagamento. Se determinado serviço não funcionar, é recomendável guardar protocolos, capturas de tela e comprovantes das tentativas realizadas.
Caso uma falha atribuída ao banco provoque prejuízo, o consumidor poderá registrar reclamação nos canais da instituição, no Banco Central, no consumidor.gov.br ou no Procon.
O que os clientes devem fazer antes do dia 10
Quem precisa realizar uma operação presencial pode verificar antecipadamente se sua agência estará funcionando. A situação poderá variar conforme a cidade e a decisão do sindicato responsável pela região.
Também é prudente:
- antecipar operações presenciais urgentes;
- manter o aplicativo atualizado;
- conferir senhas e limites de transferência;
- programar pagamentos com vencimento próximo;
- utilizar somente canais oficiais;
- desconfiar de mensagens sobre a greve com links para recadastramento;
- guardar protocolos caso não consiga atendimento.
Criminosos podem aproveitar notícias sobre paralisações para enviar falsos comunicados em nome do banco. O Banco do Brasil não solicita senha completa, código de acesso ou instalação de aplicativos desconhecidos por mensagem.
Funcionários podem sofrer desconto pelos dias parados?
A greve é um direito assegurado pela Constituição, desde que sejam observadas as regras legais. Entretanto, os dias sem trabalho podem ser descontados.
A forma de compensação costuma ser discutida ao final do movimento. Dependendo do acordo, os empregados podem repor horas, compensar parte dos dias ou negociar outras condições.
Quando não há entendimento, a questão pode ser levada à Justiça do Trabalho. A análise considera fatores como legalidade da greve, cumprimento dos requisitos de comunicação e postura das partes durante a negociação.
A Lei nº 7.783, de 1989, estabelece as regras gerais para o exercício do direito de greve no Brasil.
O que pode acontecer depois da reunião
A nova rodada pode terminar em três cenários principais.
Banco apresenta proposta com avanços
Se houver melhoria considerada relevante, os sindicatos poderão convocar novas assembleias. Os trabalhadores decidirão se aceitam o acordo e suspendem a greve.
Negociação continua sem acordo definitivo
As partes podem marcar outra reunião e manter o estado de mobilização. Nesse cenário, cada base precisará decidir se aguarda ou se inicia a paralisação aprovada.
Não há avanço e a greve é mantida
Se o banco não alterar os pontos contestados, as bases que rejeitaram a proposta poderão confirmar o início da greve no dia 10. A adesão e o impacto sobre o atendimento só poderão ser medidos depois do começo do movimento.
Por isso, funcionários e clientes devem acompanhar os comunicados publicados pelo Banco do Brasil, pela Contraf-CUT e pelos sindicatos de cada região.
Negociação ainda pode mudar cenário no Banco do Brasil
A retomada das conversas representa uma tentativa de evitar ou reduzir as paralisações anunciadas, mas ainda não resolve o impasse.
O Banco do Brasil precisará avaliar as reivindicações pendentes e decidir se apresentará novas condições. Os representantes dos trabalhadores, por sua vez, terão de levar qualquer avanço às bases que rejeitaram a proposta anterior.
Para o cliente, a principal orientação é não presumir que todas as agências estarão fechadas. O funcionamento poderá variar de uma cidade para outra, enquanto os serviços digitais devem continuar disponíveis.
Perguntas frequentes

Haverá greve nacional no Banco do Brasil?
Não há confirmação de uma greve uniforme em todo o país. Algumas bases aprovaram o acordo, enquanto outras rejeitaram a proposta e autorizaram greve a partir de 10 de setembro.
A reunião do dia 8 cancela a greve?
Não automaticamente. Caso exista uma nova proposta, os trabalhadores das bases mobilizadas poderão precisar analisá-la em outra assembleia.
Quais regiões aprovaram greve no Banco do Brasil?
Sindicatos de regiões como Belo Horizonte e Ceará divulgaram a aprovação da greve. O cliente deve consultar o sindicato de sua cidade para verificar a situação local.
O Pix funcionará durante a greve?
A tendência é que o Pix continue funcionando normalmente, assim como o aplicativo, o internet banking e os caixas eletrônicos.
Os boletos deixam de vencer durante a paralisação?
Não. Os vencimentos permanecem válidos. O cliente deve utilizar os canais digitais ou outras alternativas oferecidas pelo banco.
O que é o ACT do Banco do Brasil?
É o Acordo Coletivo de Trabalho que estabelece direitos e condições específicos para os funcionários do BB, complementando a convenção geral dos bancários.
Quando será possível saber se as agências fecharão?
O cenário ficará mais claro depois do resultado da negociação, das decisões das assembleias locais e da confirmação da adesão dos funcionários ao movimento.
