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Alugar Airbnb pode ficar mais difícil: veja nova regra dos condomínios

Descubra como o novo Código Civil pode restringir o Airbnb e facilitar a expulsão de vizinhos antissociais. Veja o que muda!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro4 min de leitura
Airbnb

Uma proposta de reforma no Código Civil, atualmente em análise no Senado Federal, está prestes a transformar as regras de convivência em condomínios no Brasil.

O texto prevê maior autonomia para os moradores decidirem sobre a permanência de vizinhos com comportamento antissocial e amplia os poderes das convenções condominiais sobre o uso de plataformas como o Airbnb.

Com mais de 3,3 milhões de condomínios no país, segundo o Censo 2022 do IBGE, as mudanças podem impactar milhões de brasileiros — tanto proprietários quanto inquilinos.

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O que diz o projeto de reforma do Código Civil

aluguel
Imagem: Freepik

Proposta em tramitação no Senado

A proposta faz parte da atualização do Código Civil brasileiro, que está em vigor desde 2002. O objetivo é modernizar as normas de convivência coletiva, especialmente diante dos novos modelos de uso dos imóveis, como o aluguel por temporada via aplicativos. Entre os principais pontos, destacam-se:

  • Expulsão de moradores antissociais com quórum menor;
  • Proibição de Airbnb, salvo se a convenção do prédio permitir;
  • Reforço da autonomia das assembleias de condomínio.

Condomínios terão mais poder para expulsar moradores

Comportamento antissocial: o que é?

A proposta define comportamento antissocial como aquele que compromete a convivência com os demais moradores, caracterizado pela repetição de condutas inadequadas, como barulho excessivo, agressões verbais, ameaças, desrespeito às normas internas, entre outros.

Mudanças no quórum para punições

Atualmente, o Código Civil permite aplicar multas de até 10 vezes o valor da taxa condominial, mas a expulsão do morador não é permitida diretamente.

Com a reforma, as mudanças são:

  • Multas: poderão ser aplicadas com aprovação de dois terços dos presentes na assembleia, e não mais três quartos do total de condôminos.
  • Expulsão: poderá ser solicitada judicialmente com base na decisão da assembleia, algo que hoje é juridicamente mais restrito.

Essa mudança visa proteger os demais condôminos de situações de conflito e insalubridade social prolongada.

Aluguel via Airbnb pode ser restringido por convenções

Como é hoje?

Hoje, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconhece que os condomínios podem proibir o uso de imóveis para hospedagens de curto prazo, desde que isso conste expressamente na convenção condominial.

O que mudaria com a nova regra?

Se o novo Código Civil for aprovado:

  • O aluguel via Airbnb e similares será considerado “hospedagem atípica”.
  • A prática só será permitida se a convenção do condomínio autorizar explicitamente.

Ou seja, a proibição deixa de depender de interpretações judiciais e passa a valer como regra geral. A exceção será a autorização expressa na convenção.

Impacto para proprietários, inquilinos e investidores

Proprietários de imóveis

Os proprietários que alugam seus apartamentos via Airbnb devem se preparar para revisar as convenções dos seus edifícios. A ausência de autorização específica pode inviabilizar esse tipo de negócio.

Investidores e locadores

Empreendimentos residenciais que foram adquiridos com o objetivo de gerar renda com aluguel de temporada podem sofrer perdas financeiras, especialmente em áreas turísticas.

A recomendação de especialistas é consultar o síndico e a convenção do condomínio antes de investir em imóveis com esse objetivo.

Novos empreendimentos já se adaptam

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Tendência do mercado imobiliário

Muitos condomínios novos já incluem cláusulas que tratam da locação por temporada. Alguns são favoráveis, com estrutura voltada para hóspedes, enquanto outros a proíbem totalmente.

Empreendimentos voltados para investidores, por exemplo, costumam permitir o uso de Airbnb. Já condomínios familiares tendem a ser mais restritivos, visando preservar a segurança e a privacidade dos moradores.

Debate jurídico e social

Especialistas divididos

Juristas divergem sobre a constitucionalidade de medidas que restrinjam o direito de propriedade. Para alguns, a proibição do aluguel por temporada seria um excesso de ingerência coletiva sobre o bem individual.

Por outro lado, defensores da reforma argumentam que o interesse coletivo deve prevalecer, especialmente quando a locação de curto prazo compromete a segurança e o sossego dos demais moradores.

Próximos passos do projeto

Imagem de uma mulher usando um tablet com o Airbnb aberto
Imagem: Daniel Krason / Shutterstock.com

Tramitação no Congresso

A proposta ainda será analisada em comissões e pode receber emendas. A previsão é que o texto final seja debatido e votado até o fim de 2025.

A aprovação depende do consenso político e jurídico sobre o equilíbrio entre o direito à propriedade e o direito à convivência em harmonia.

Conclusão

A reforma do Código Civil representa um marco importante na regulamentação da vida condominial no Brasil.

Com regras mais claras sobre a expulsão de moradores antissociais e a hospedagem por aplicativos, o texto pretende reduzir conflitos e garantir maior autonomia para os próprios condôminos decidirem como querem viver.

Enquanto isso, tanto moradores quanto investidores devem estar atentos às mudanças e já se preparar para uma nova realidade nas relações dentro dos condomínios.

Imagem: Ink Drop / shutterstock.com – Edição: Equipe SeuCreditoDigital

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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