Uma proposta de reforma no Código Civil, atualmente em análise no Senado Federal, está prestes a transformar as regras de convivência em condomínios no Brasil.
Alugar Airbnb pode ficar mais difícil: veja nova regra dos condomínios
Descubra como o novo Código Civil pode restringir o Airbnb e facilitar a expulsão de vizinhos antissociais. Veja o que muda!
O texto prevê maior autonomia para os moradores decidirem sobre a permanência de vizinhos com comportamento antissocial e amplia os poderes das convenções condominiais sobre o uso de plataformas como o Airbnb.
Com mais de 3,3 milhões de condomínios no país, segundo o Censo 2022 do IBGE, as mudanças podem impactar milhões de brasileiros — tanto proprietários quanto inquilinos.
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O que diz o projeto de reforma do Código Civil

Proposta em tramitação no Senado
A proposta faz parte da atualização do Código Civil brasileiro, que está em vigor desde 2002. O objetivo é modernizar as normas de convivência coletiva, especialmente diante dos novos modelos de uso dos imóveis, como o aluguel por temporada via aplicativos. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Expulsão de moradores antissociais com quórum menor;
- Proibição de Airbnb, salvo se a convenção do prédio permitir;
- Reforço da autonomia das assembleias de condomínio.
Condomínios terão mais poder para expulsar moradores
Comportamento antissocial: o que é?
A proposta define comportamento antissocial como aquele que compromete a convivência com os demais moradores, caracterizado pela repetição de condutas inadequadas, como barulho excessivo, agressões verbais, ameaças, desrespeito às normas internas, entre outros.
Mudanças no quórum para punições
Atualmente, o Código Civil permite aplicar multas de até 10 vezes o valor da taxa condominial, mas a expulsão do morador não é permitida diretamente.
Com a reforma, as mudanças são:
- Multas: poderão ser aplicadas com aprovação de dois terços dos presentes na assembleia, e não mais três quartos do total de condôminos.
- Expulsão: poderá ser solicitada judicialmente com base na decisão da assembleia, algo que hoje é juridicamente mais restrito.
Essa mudança visa proteger os demais condôminos de situações de conflito e insalubridade social prolongada.
Aluguel via Airbnb pode ser restringido por convenções
Como é hoje?
Hoje, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconhece que os condomínios podem proibir o uso de imóveis para hospedagens de curto prazo, desde que isso conste expressamente na convenção condominial.
O que mudaria com a nova regra?
Se o novo Código Civil for aprovado:
- O aluguel via Airbnb e similares será considerado “hospedagem atípica”.
- A prática só será permitida se a convenção do condomínio autorizar explicitamente.
Ou seja, a proibição deixa de depender de interpretações judiciais e passa a valer como regra geral. A exceção será a autorização expressa na convenção.
Impacto para proprietários, inquilinos e investidores
Proprietários de imóveis
Os proprietários que alugam seus apartamentos via Airbnb devem se preparar para revisar as convenções dos seus edifícios. A ausência de autorização específica pode inviabilizar esse tipo de negócio.
Investidores e locadores
Empreendimentos residenciais que foram adquiridos com o objetivo de gerar renda com aluguel de temporada podem sofrer perdas financeiras, especialmente em áreas turísticas.
A recomendação de especialistas é consultar o síndico e a convenção do condomínio antes de investir em imóveis com esse objetivo.
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Tendência do mercado imobiliário
Muitos condomínios novos já incluem cláusulas que tratam da locação por temporada. Alguns são favoráveis, com estrutura voltada para hóspedes, enquanto outros a proíbem totalmente.
Empreendimentos voltados para investidores, por exemplo, costumam permitir o uso de Airbnb. Já condomínios familiares tendem a ser mais restritivos, visando preservar a segurança e a privacidade dos moradores.
Debate jurídico e social
Especialistas divididos
Juristas divergem sobre a constitucionalidade de medidas que restrinjam o direito de propriedade. Para alguns, a proibição do aluguel por temporada seria um excesso de ingerência coletiva sobre o bem individual.
Por outro lado, defensores da reforma argumentam que o interesse coletivo deve prevalecer, especialmente quando a locação de curto prazo compromete a segurança e o sossego dos demais moradores.
Próximos passos do projeto

Tramitação no Congresso
A proposta ainda será analisada em comissões e pode receber emendas. A previsão é que o texto final seja debatido e votado até o fim de 2025.
A aprovação depende do consenso político e jurídico sobre o equilíbrio entre o direito à propriedade e o direito à convivência em harmonia.
Conclusão
A reforma do Código Civil representa um marco importante na regulamentação da vida condominial no Brasil.
Com regras mais claras sobre a expulsão de moradores antissociais e a hospedagem por aplicativos, o texto pretende reduzir conflitos e garantir maior autonomia para os próprios condôminos decidirem como querem viver.
Enquanto isso, tanto moradores quanto investidores devem estar atentos às mudanças e já se preparar para uma nova realidade nas relações dentro dos condomínios.
Imagem: Ink Drop / shutterstock.com – Edição: Equipe SeuCreditoDigital
