Golpistas estão aplicando um novo golpe contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), utilizando vídeos manipulados por inteligência artificial (tecnologia conhecida como deepfake) e sites falsos do governo para enganar e roubar dados pessoais.
Alerta de novo golpe no INSS; confira agora como funciona!
Golpistas utilizam vídeos manipulados com inteligência artificial e sites falsos para aplicar golpes em beneficiários do INSS.
O esquema tem como alvo principalmente aposentados e pensionistas, prometendo a devolução de valores descontados indevidamente, mas levando, na prática, ao roubo de dados e à instalação de vírus nos dispositivos das vítimas.
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Como o golpe é aplicado: da manipulação ao roubo de dados

Golpe começa com anúncios enganosos nas redes sociais
A fraude tem início em redes sociais, como o Facebook, por meio de anúncios patrocinados que simulam reportagens jornalísticas. Um dos casos mais alarmantes envolve o uso da imagem e da voz do jornalista César Tralli, que aparecem em vídeos manipulados com deepfake. As imagens e falas são editadas para dar credibilidade à falsa informação de que o governo estaria devolvendo valores a associados do INSS que sofreram descontos indevidos entre 2019 e 2024.
O vídeo começa com uma narrativa parcialmente verdadeira, citando a investigação da Polícia Federal sobre fraudes no INSS que movimentaram até R$ 6,3 bilhões. Contudo, rapidamente o conteúdo se transforma em desinformação ao afirmar que milhares de beneficiários têm direito à indenização entre R$ 2.000 e R$ 8.000 — bastando preencher um formulário em um site fornecido no próprio vídeo.
Sites falsos e coleta de dados sensíveis
Ao clicar no link fornecido no vídeo ou na publicação, a vítima é direcionada a sites que simulam páginas do governo federal. Nessas páginas, são solicitados dados pessoais como CPF, RG, nome completo, endereço e até senhas. Em outros casos, o usuário é induzido a baixar um arquivo que, segundo a falsa promessa, permitirá o acesso ao valor da indenização.
Segundo o especialista em segurança cibernética Daniel Barbosa, da ESET Brasil, a fraude ocorre em duas etapas: a primeira envolve a coleta de dados sensíveis, que podem ser usados em fraudes financeiras, e a segunda a instalação de malwares (vírus de computador), como trojans e ransomwares, que comprometem o dispositivo da vítima.
Quais são os riscos para os beneficiários do INSS?
Vazamento de dados e invasão de dispositivos
Os riscos para os beneficiários são significativos. No caso do vazamento de dados, os criminosos podem utilizá-los para abrir contas bancárias fraudulentas, solicitar cartões de crédito ou benefícios em nome da vítima, além de aplicar outros tipos de estelionato.
Já quando o usuário faz o download de arquivos maliciosos, seu celular ou computador pode ser invadido, permitindo que os cibercriminosos acessem fotos, mensagens, documentos e senhas armazenadas no aparelho.
Daniel Barbosa destaca que, em muitos casos, a vítima não percebe que foi infectada, especialmente no caso dos trojans, que funcionam de forma silenciosa, sem alterar o funcionamento aparente do dispositivo. Já o ransomware bloqueia o acesso aos arquivos e exige pagamento de resgate em criptomoedas para liberá-los.
O papel do deepfake na engenharia social
Manipulação emocional e uso de figuras públicas
A estratégia de usar deepfakes para enganar vítimas se baseia em um princípio de engenharia social: explorar emoções e utilizar figuras de autoridade para ganhar credibilidade. Ao ver um jornalista conhecido falando sobre um suposto benefício do governo, a vítima tende a confiar na informação, mesmo que o conteúdo tenha sido alterado digitalmente.
Barbosa afirma que “o uso de vozes e rostos conhecidos aumenta o grau de confiança no conteúdo e reduz a suspeita de fraude”. É um uso perverso da tecnologia, que coloca até mesmo a reputação de profissionais da imprensa em risco.
Além disso, os golpistas costumam adicionar comentários falsos nas páginas, com supostos relatos positivos de pessoas que já teriam recebido os valores, o que aumenta ainda mais o poder de convencimento da fraude.
Como identificar e evitar esse tipo de golpe

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Para evitar cair nesse tipo de golpe, é fundamental adotar medidas preventivas e desconfiar de promessas muito vantajosas. Veja algumas recomendações de especialistas:
- Verifique a URL do site: sites do governo federal terminam sempre em “.gov.br”. Golpistas usam URLs parecidas, mas com pequenas alterações.
- Pesquise a informação em fontes confiáveis: se receber uma informação sobre liberação de valores do INSS, confirme diretamente no site oficial do INSS.
- Evite clicar em links de redes sociais ou mensagens suspeitas: em vez disso, digite o endereço do site manualmente no navegador.
- Nunca forneça dados pessoais sem ter certeza da veracidade da página: CPF, senhas e documentos não devem ser inseridos em sites que você não conhece.
- Use antivírus atualizado: ele pode detectar tentativas de infecção por arquivos maliciosos.
- Ative a verificação em duas etapas em serviços bancários e de e-mail, como uma camada extra de segurança.
- Desconfie de urgência ou valores altos prometidos: esses elementos são comuns em golpes para gerar ação imediata da vítima sem reflexão.
O que fazer se você foi vítima
Procedimentos para minimizar prejuízos
Caso você tenha caído no golpe ou fornecido informações em algum desses sites falsos, siga os seguintes passos:
- Altere imediatamente todas as suas senhas, principalmente as bancárias e de e-mail.
- Registre um boletim de ocorrência, o que pode ser feito online em muitos estados.
- Monitore movimentações financeiras para identificar qualquer atividade suspeita.
- Entre em contato com seu banco para relatar o ocorrido e solicitar bloqueios preventivos.
- Considere acionar o Procon ou órgãos de defesa do consumidor para buscar orientação.
Autoridades intensificam investigações
A Polícia Federal já investiga as fraudes envolvendo os descontos indevidos no INSS que deram origem aos golpes. Contudo, o novo uso de deepfakes dificulta a identificação dos golpistas, o que exige maior cooperação entre órgãos de segurança, empresas de tecnologia e plataformas de redes sociais.
Conclusão
O avanço da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, tem sido usado de forma criminosa para prejudicar os mais vulneráveis, como aposentados e pensionistas. É essencial que a população fique atenta, verifique as informações recebidas, e jamais forneça dados sem certeza da fonte. A prevenção é o principal caminho para combater esse tipo de crime digital.
Imagem: Freepik
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