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Pi Network à beira do abismo? Comunidade teme colapso semelhante ao da Mantra OM

Especialistas comparam a Pi Network ao recente colapso do token OM da Mantra. Com sinais de instabilidade, a rede corre risco de sofrer correção brutal após lançamento da mainnet.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Pi Network

A recente implosão do token OM, nativo da plataforma Mantra, ainda está fresca na mente da comunidade cripto. Em questão de horas, o ativo perdeu mais de 90% de seu valor, apagando aproximadamente US$ 5,5 bilhões em capitalização de mercado.

Agora, uma nova suspeita paira sobre o setor: a Pi Network, projeto que atraiu mais de 60 milhões de usuários ao prometer acessibilidade e descentralização, pode estar trilhando o mesmo caminho perigoso.

Enquanto para muitos a Pi representa um avanço no onboarding de novos usuários, para analistas e especialistas em blockchain, a estrutura fechada e a governança nebulosa do projeto levantam sérias preocupações.

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Entenda o que foi o colapso da OM e por que a Pi Network entrou no radar

O colapso de US$ 5,5 bilhões que ninguém esperava

A Mantra OM era vista como uma alternativa promissora no ecossistema DeFi, com parcerias robustas e crescente visibilidade. Porém, sua liquidez mal provisionada, combinada com um lançamento precipitado de tokens em exchanges, resultou em uma queda vertiginosa em 24 horas.

Esse cenário serviu de alerta para projetos semelhantes que ainda não abriram suas redes ao mercado global. É exatamente aí que a Pi Network entra na equação.

Pi Network: sucesso popular, mas com alicerces frágeis?

Fundada com a proposta de democratizar o acesso à mineração de criptomoedas por meio de smartphones, a Pi Network atraiu milhões de usuários em tempo recorde. A promessa era clara: permitir que qualquer pessoa pudesse “minerar” tokens Pi mesmo sem infraestrutura de alto custo.

Contudo, após anos de desenvolvimento e testes, o projeto ainda permanece em um ciclo fechado, onde o token Pi não possui um preço de mercado verdadeiro, operando apenas em plataformas obscuras via IOUs (instrumentos de dívida simbólicos).

Principais sinais de alerta: Pi Network pode repetir trajetória da OM?

1. Ausência de preço real de mercado e dependência de IOUs

Um dos principais problemas apontados por analistas é a ausência de listagem oficial do token Pi em exchanges centralizadas (CEXs).

Mesmo com o lançamento da mainnet aberta, o token continua circulando apenas em forma de IOUs, criando uma ilusão de valorização sem respaldo em liquidez real.

O que são IOUs?

IOUs (I Owe You) são instrumentos especulativos que representam tokens ainda não liberados. Eles podem ser facilmente manipulados, e, em caso de liquidação ou descobertas de preço, podem resultar em quedas catastróficas — exatamente o que ocorreu com o OM.

“Sem um preço real em mercado aberto, tudo o que temos são suposições. Isso é combustível para colapsos brutais,” alerta o analista cripto Rafael G. Silva.

2. Estrutura econômica interna opaca e sem auditoria externa

O ecossistema da Pi, embora vasto em números, é criticado por sua falta de transparência nos processos econômicos. Até o momento:

  • Não há auditorias conhecidas dos contratos inteligentes da rede.
  • Os mecanismos de travamento de tokens (staking) são obscuros.
  • Falta clareza sobre o provisionamento de liquidez para a abertura completa da mainnet.

Esses fatores deixam o projeto vulnerável a ataques especulativos, como liquidações em massa, e ações coordenadas de dump (venda rápida e em grande escala).

3. Governança questionável e ausência de KYB eficaz

A PiCoreTeam, responsável pelo desenvolvimento do projeto, ainda não implementou um sistema sólido de Know Your Business (KYB), essencial para validar entidades comerciais que operam dentro da rede. A ausência desse mecanismo:

  • Facilita a proliferação de golpes.
  • Gera insegurança jurídica para dApps e marketplaces.
  • Prejudica a confiança dos usuários institucionais.

Além disso, disputas internas com validadores da rede e atrasos na descentralização do poder de decisão tornam a Pi mais frágil diante de qualquer choque de confiança.

4. Comunicação deficiente com a comunidade

Muitos pioneiros da Pi reclamam da falta de clareza nas comunicações da equipe. Atualizações são raras, técnicas vagas e os cronogramas de desbloqueio mudam com frequência.

Essa opacidade de informações cria um ambiente propício para pânico, especialmente quando combinado com mercados ilíquidos. E como a história mostra, basta um susto para causar uma cascata de liquidações.

O que pode acontecer se a Pi Network repetir os erros da OM?

Cenário de crise: o que esperar?

  • Queda repentina de 80% a 95% no valor dos IOUs após listagem oficial;
  • Desconfiança generalizada e saída em massa de usuários;
  • Desvalorização dos dApps integrados ao ecossistema;
  • Efeito dominó em exchanges que oferecem negociações simbólicas com o Pi.

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Pode ser evitado?

Sim. Mas isso exige:

  • Lançamento transparente e bem auditado da mainnet;
  • Provisionamento robusto de liquidez;
  • Implementação urgente do KYB e de governança descentralizada;
  • Abertura de canais consistentes de comunicação com a comunidade.

O lado positivo: o que a Pi Network tem a seu favor?

Apesar dos riscos, a Pi não é um projeto vazio. Entre os pontos positivos estão:

Base massiva de usuários

Com mais de 60 milhões de contas, a Pi tem uma das maiores comunidades do ecossistema cripto. Se bem mobilizada, essa base pode criar uma economia interna vibrante.

Foco em usabilidade

A Pi busca criar um ambiente onde usuários possam trocar tokens por bens e serviços reais — um diferencial que, se funcionar, pode sustentá-la como meio de pagamento alternativo.

Integrações estratégicas em andamento

Embora ainda não confirmadas oficialmente, há indícios de que a Pi trabalha em parcerias com plataformas como Chainlink para oráculos descentralizados e soluções fiduciárias para pagamentos.

Conclusão: o destino da Pi Network está em jogo

Transparência ou ruína?

A Pi Network ainda tem tempo para mudar sua narrativa. Mas o relógio está correndo. O colapso da OM serviu como lição de que nem mesmo um projeto com bilhões em capitalização está imune a falhas estruturais.

Se a PiCoreTeam continuar a adotar uma postura fechada, sem promover reformas internas, o destino pode ser semelhante — ou até mais severo, dada a escala do projeto.

Por outro lado, se priorizar transparência, liquidez e governança descentralizada, a Pi ainda pode provar que seu modelo é viável e até pioneiro. O mercado observa. E o veredito, como sempre, virá em forma de preço.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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