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Alerta: Mais de R$ 1 bilhão em golpes via Pix nos últimos 60 dias

Criminosos movimentaram mais de R$1 bilhão em golpes via Pix nos últimos 60 dias. Entenda os métodos usados e as medidas de segurança.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Alerta: Mais de R$ 1 bilhão em golpes via Pix nos últimos 60 dias

O crescimento vertiginoso do Pix, sistema de transferências instantâneas lançado pelo Banco Central (BC) em 2020, trouxe comodidade a milhões de brasileiros.

No entanto, o aumento da popularidade também despertou o interesse de criminosos. Só nos últimos 60 dias, fraudes e ataques virtuais resultaram em movimentações que superam R$ 1 bilhão, segundo dados apurados pelo g1.

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Investigações expõem vulnerabilidades

PIX parcelado
Imagem: rafapress/shutterstock.com

Em 12 de setembro, a Polícia Federal conseguiu frustrar uma tentativa de invasão aos sistemas da Caixa Econômica Federal. Oito suspeitos foram presos e um notebook pertencente ao próprio banco foi apreendido.

As investigações apontam que o grupo teria contado com a participação de um gerente de agência localizado no bairro do Brás, em São Paulo, responsável por fornecer credenciais e acesso ao equipamento. O envolvimento de funcionários internos preocupa especialistas, que veem nesse tipo de cooptação um caminho mais rápido para os criminosos se infiltrarem em redes bancárias.

Métodos já utilizados em outros ataques

O caso guarda semelhanças com invasões recentes contra as empresas C&M Software e Sinqia, intermediárias essenciais na comunicação entre bancos e o Banco Central. Nessas ações, hackers tiveram acesso a senhas internas e conseguiram movimentar recursos das chamadas contas reservas, que funcionam como suporte técnico para operações financeiras de grande porte.

Ainda que o Banco Central assegure que não houve comprometimento da sua estrutura nem prejuízo direto a clientes comuns, os episódios expõem pontos frágeis de segurança que vão além dos grandes bancos, atingindo empresas terceirizadas que desempenham papel fundamental no funcionamento do sistema.

A concentração como alvo dos criminosos

A atuação de intermediários tem despertado a atenção de especialistas em cibersegurança. Empresas como a C&M Software e a Sinqia figuram entre os seis principais provedores que fazem a ponte entre instituições financeiras e o BC.

Essa concentração de tráfego em poucos agentes aumenta o risco de ataques, já que, ao se tornarem pontos estratégicos, atraem maior interesse dos criminosos.

“Quando muitas instituições dependem de um mesmo intermediário, ele se torna um alvo atrativo”, destacou Nathália Carmo, sócia da IAM Brasil, em entrevista ao g1. Para a especialista, a repetição de ataques contra esses provedores mostra que o sistema ainda precisa de descentralização e monitoramento reforçado.

Reação do Banco Central e novas exigências

Diante da escalada de tentativas de fraude, o Banco Central decidiu antecipar para maio de 2026 o prazo para que todas as instituições de pagamento obtenham autorização formal. Antes, o cronograma estabelecia a data de dezembro de 2029.

O objetivo é criar um filtro mais rigoroso, garantindo que apenas empresas devidamente autorizadas, e sujeitas a padrões de segurança, possam operar no ecossistema do Pix.

Números que revelam preocupação

De acordo com dados do BC de 17 de setembro, 78 dos 936 participantes do Pix ainda não possuem autorização formal. Esse número representa quase 10% das instituições ligadas ao sistema, o que, na avaliação de especialistas, amplia a janela de vulnerabilidades.

Com a antecipação do prazo, o Banco Central pretende aumentar o controle sobre normas de segurança e reduzir o espaço para que criminosos explorem falhas em empresas de médio e pequeno porte.

Impacto para empresas e usuários

Pix golpes
Imagem: releon8211 / Shutterstock.com –

Ainda que o BC afirme que não houve prejuízos diretos às contas de clientes comuns, os ataques colocam em xeque a confiança no sistema. Para empresas que atuam como intermediárias, o desafio será investir em tecnologia de proteção e atender às novas exigências regulatórias em menos tempo.

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O que muda para o usuário final?

Para quem utiliza o Pix diariamente, a recomendação continua a mesma: cautela ao compartilhar informações pessoais e financeiras. Mesmo que as invasões tenham se concentrado em sistemas internos de grandes empresas, golpes de engenharia social, como falsos boletos e links fraudulentos, seguem crescendo em paralelo.

A Polícia Federal alerta que o cidadão deve desconfiar de mensagens não solicitadas e verificar sempre a origem das cobranças antes de autorizar transferências.

Perspectivas e próximos passos

A escalada dos golpes demonstra que os criminosos acompanham a evolução tecnológica do sistema financeiro e estão cada vez mais sofisticados. O desafio do Banco Central, dos bancos e das empresas intermediárias será equilibrar a agilidade do Pix com protocolos de segurança robustos e constantemente atualizados.

Risco de novos ataques

Com a concentração de operações em poucos provedores, especialistas não descartam novos episódios semelhantes. Para evitar que fraudes de grandes proporções avancem, será necessário reforçar a cooperação entre órgãos reguladores, instituições financeiras e empresas de tecnologia.

Confiabilidade do Pix em jogo

Apesar dos incidentes, o Banco Central insiste que a infraestrutura central do Pix segue intacta e que não há motivo para desconfiança generalizada. Ainda assim, especialistas defendem que a transparência nas investigações e a adoção de medidas preventivas serão fundamentais para preservar a credibilidade do sistema.

Imagem: FOTOKITA / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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