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Nova medida eleva imposto sobre 1,2 mil produtos importados

Imposto de Importação sobe para 1.252 produtos. Entenda impactos em celulares, computadores e preços no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Juros

A decisão de elevar o Imposto de Importação sobre 1.252 produtos reacendeu o debate sobre os impactos nos preços ao consumidor e na competitividade da indústria brasileira. A medida, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), atinge bens como celulares, computadores, televisores, componentes eletrônicos e equipamentos usados em data centers.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o objetivo é corrigir distorções que vinham pressionando as contas externas e ampliando a dependência de importações.

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Falhas na importação podem travar restituição

Por que o governo decidiu aumentar a tarifa?

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, a decisão está ligada à deterioração do setor externo.

Dados apresentados pelo governo indicam que o superávit comercial caiu de cerca de US$ 77 bilhões para aproximadamente US$ 65 bilhões no último ano. Ao mesmo tempo, o déficit em transações correntes chegou próximo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Crescimento acelerado das importações

Segundo o secretário, houve casos de crescimento superior a 30% nas importações mesmo em segmentos com produção nacional ativa. Na avaliação do governo, alíquotas reduzidas criavam desvantagem competitiva para fabricantes brasileiros.

A lógica da medida é simples: produtos com fabricação no Brasil passam a ter alíquota maior; itens sem produção nacional seguem com tarifa zero.

Celulares e eletrônicos vão ficar mais caros?

O impacto sobre preços é o principal ponto de divergência entre governo e setor importador.

O MDIC afirma que 95% dos celulares consumidos no país são produzidos no Brasil, especialmente em polos como Manaus (AM), beneficiados por incentivos da Zona Franca. Para esses casos, a elevação da tarifa não afetaria diretamente o consumidor final, pois os aparelhos já são fabricados internamente.

Por outro lado, representantes de importadores alertam que componentes, peças e equipamentos tecnológicos podem encarecer, pressionando custos ao longo da cadeia.

O que diz o governo

O governo sustenta que:

  • Insumos e componentes seguem amparados por regimes como o ex-tarifário
  • Produtos sem fabricação nacional permanecem com alíquota zero
  • Há janela até 30 de março para solicitar manutenção de benefício em casos específicos

O regime de ex-tarifário permite reduzir temporariamente o Imposto de Importação para bens de capital e informática sem produção nacional.

Impacto nos data centers e tecnologia

Equipamentos para data centers, como CPUs e servidores, são estratégicos para digitalização da economia. O governo afirma ter buscado previsibilidade por meio do programa Redata, que prevê mais de R$ 7 bilhões em incentivos fiscais.

Empresas enquadradas terão lista específica de produtos com tarifa zero por cinco anos, mesmo que surja produção nacional no período.

Esse ponto é crucial para o setor de tecnologia, que depende de planejamento de longo prazo e importação de equipamentos de alto valor agregado.

Efeitos na inflação e no consumidor

Do ponto de vista macroeconômico, qualquer aumento tarifário pode ter efeito indireto sobre preços, dependendo de:

  • Repasse ao consumidor
  • Grau de concorrência no setor
  • Participação de insumos importados na cadeia produtiva

Segundo o Banco Central do Brasil, variações no câmbio e nas tarifas de importação são fatores monitorados na composição da inflação.

Especialistas avaliam que o impacto tende a ser mais perceptível em segmentos altamente dependentes de tecnologia importada, como informática corporativa e equipamentos industriais.

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Argumento industrial versus argumento concorrencial

O debate gira em torno de dois modelos:

Visão do governo

  • Fortalecer a indústria nacional
  • Reduzir pressão sobre contas externas
  • Preservar empregos e renda
  • Estimular adensamento da cadeia produtiva

Visão dos importadores

  • Risco de aumento de preços
  • Possível encarecimento de investimentos
  • Redução de competitividade
  • Dificuldade de modernização tecnológica

O equilíbrio entre proteção industrial e competitividade é tema recorrente na política comercial brasileira.

O que o empresário deve observar agora

Empresas que dependem de importação devem:

  • Avaliar se seus produtos estão na lista com nova alíquota
  • Verificar possibilidade de enquadramento em ex-tarifário
  • Analisar impacto nos contratos já firmados
  • Ajustar planejamento financeiro

A janela aberta até 30 de março para pedidos específicos pode ser estratégica para reduzir custos.

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Imagem: Freepik

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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