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Amazon recebe autorização da Anatel para testar internet via satélite no Brasil

Anatel autoriza Amazon a testar internet via satélite do Projeto Kuiper no Brasil até setembro de 2025. Testes ocorrem em SP e MS.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Amazon

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a gigante Amazon a testar sua internet via satélite no Brasil por meio do ambicioso Projeto Kuiper. O aval para testes será válido entre os dias 24 de junho e 21 de setembro de 2025, marcando o início da presença da empresa norte-americana no setor de telecomunicações brasileiro. Os testes serão conduzidos nas cidades de Cosmópolis (SP) e Glória de Dourados (MS), com o objetivo de verificar a viabilidade técnica do serviço em território nacional.

A entrada da Amazon no mercado de internet por satélite promete agitar o cenário nacional, oferecendo uma alternativa à já estabelecida Starlink, de Elon Musk, sobretudo em regiões remotas e com pouca infraestrutura de conexão.

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Frequências liberadas e instalação de antenas

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Imagem: Freepik

Faixas específicas de operação

Segundo o comunicado da Anatel, o Projeto Kuiper poderá utilizar as frequências entre 27,75 GHz e 29,75 GHz durante os testes. Esses canais de transmissão permitirão a comunicação direta entre antenas instaladas no solo e os satélites em órbita baixa da Amazon.

Durante esse período de testes — classificado como fase “beta” —, a empresa será responsável pela instalação de antenas receptoras nas localidades escolhidas, com o intuito de averiguar se a comunicação com os satélites é realizada de maneira consistente, sem interferir nos demais serviços de telecomunicação que já operam no Brasil.

Avaliação de interferência e desempenho

A Anatel acompanhará de perto o desempenho das conexões, com foco na estabilidade, latência e interferência com outros sinais. Técnicos devem validar se a rede funciona adequadamente para usos como videoconferência, streaming e navegação básica, aspectos essenciais para determinar a viabilidade da operação comercial.

Prazo prorrogado e operação em larga escala

Amazon pede mais tempo para subir satélites à órbita correta

Em uma decisão unânime, o Conselho Diretor da Anatel também prorrogou até o dia 29 de agosto de 2025 o prazo para a entrada em operação comercial do sistema de satélites do Projeto Kuiper. O pedido partiu da própria Amazon, que alegou a necessidade de mais tempo para movimentar os 27 satélites lançados em abril para a órbita operacional correta.

De acordo com a companhia, o processo de elevação da órbita pode levar de um a quatro meses, o que justifica a prorrogação do prazo. Apenas após esse ajuste será possível testar plenamente a capacidade de cobertura e estabilidade do sistema.

Autorização para mais de 3 mil satélites

A Anatel já autorizou a Amazon a operar até 3.236 satélites em território brasileiro, o que demonstra a confiança da agência no projeto e sinaliza o interesse em ampliar a conectividade em áreas de difícil acesso no país. A autorização reforça também a tendência de crescimento da oferta de serviços de internet via satélite, um segmento que se torna cada vez mais estratégico em escala global.

Brasil entra no radar da disputa global por conectividade

Kuiper vs. Starlink

A entrada da Amazon no Brasil representa uma concorrência direta à Starlink, o sistema da SpaceX que já atua em solo brasileiro e é conhecido por fornecer acesso à internet em áreas rurais e remotas. Com a chegada do Kuiper, consumidores e empresas terão mais opções de conectividade, o que pode resultar em preços mais competitivos e melhores serviços.

Enquanto a Starlink possui uma base consolidada, com milhares de antenas já operando no Brasil, o Kuiper inicia sua trajetória com um planejamento robusto e promessas de tecnologia de ponta. Ainda não há data oficial para o início da oferta comercial da internet da Amazon, mas a movimentação acelerada sugere que os planos não devem demorar.

Meta global: metade dos satélites até 2026

Nos Estados Unidos, a Amazon garantiu à Federal Communications Commission (FCC) que colocará pelo menos 50% dos seus satélites em operação até julho de 2026. Essa meta faz parte de um compromisso regulatório que visa acelerar o desenvolvimento do Projeto Kuiper e expandir o acesso global à internet de alta velocidade.

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Concorrência chinesa à vista

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Imagem: Freepik

SpaceSail quer atuar no Brasil

Além da Amazon, a empresa chinesa SpaceSail também demonstrou interesse em operar no Brasil. Segundo informações da Anatel, o processo de análise da documentação e dos detalhes técnicos está em andamento e deve ser concluído até o final de 2025. A entrada de mais uma companhia no mercado reforça a atratividade do país para grandes projetos de conectividade via satélite.

Caso a SpaceSail receba autorização, o Brasil poderá contar com três grandes operadoras globais oferecendo internet via satélite, um cenário promissor principalmente para regiões que ainda não contam com acesso à banda larga de qualidade.

Desafios e oportunidades

Regulação e infraestrutura

A expansão da internet via satélite no Brasil também levanta questões regulatórias e de infraestrutura. A instalação de antenas, o uso do espectro de frequências e a compatibilidade com serviços já existentes são temas que exigem atenção e coordenação entre empresas e órgãos reguladores.

Por outro lado, a entrada de novos players pode acelerar investimentos em tecnologia, reduzir a exclusão digital e estimular a criação de novos serviços, como redes escolares conectadas, telemedicina e monitoramento agrícola por satélite.

Perspectivas para o consumidor

A expectativa é que, com a conclusão dos testes e a consolidação das redes, os consumidores tenham acesso a pacotes de internet com velocidades competitivas, mesmo em locais onde a infraestrutura tradicional — como fibra óptica — não chega. Isso pode representar uma revolução no acesso à informação, especialmente em comunidades isoladas da Amazônia, sertão nordestino e áreas de fronteira.

Imagem: Sundry Photography / Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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