A Amazon anunciou uma parceria estratégica com o Nubank, integrando o sistema de pagamentos NuPay à sua plataforma no Brasil. A novidade promete revolucionar o e-commerce nacional ao oferecer crédito adicional e parcelamento em até 24 vezes, ampliando o poder de compra dos consumidores e aumentando o valor médio das compras (ticket médio) dentro da loja virtual.
Shopee e Mercado Livre que se cuidem: Amazon investe pesado em crédito
Amazon e Nubank anunciam parceria com o NuPay para oferecer crédito adicional e parcelamento em até 24 vezes.
O anúncio foi feito na quarta-feira, 5 de novembro de 2025, e faz parte da estratégia da gigante americana de intensificar sua presença no país às vésperas da Black Friday e das festas de fim de ano.
Segundo analistas de mercado, o movimento simboliza um novo capítulo na disputa entre Amazon, Mercado Livre e Shopee, especialmente em um cenário no qual o crédito digital e os programas de parcelamento se tornaram ferramentas essenciais para conversão de vendas no Brasil.
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A nova era do pagamento digital com o NuPay
A integração do NuPay, solução de pagamentos desenvolvida pelo Nubank, marca uma aproximação inédita entre dois dos maiores ecossistemas digitais do país. O sistema permitirá aos clientes da Amazon realizar compras com limites adicionais de crédito, além de acessar planos de parcelamento estendidos de até 24 meses, uma condição rara até mesmo entre grandes varejistas.
Como funciona o NuPay na Amazon
- Pagamento simplificado: o cliente seleciona o NuPay no checkout e autoriza o pagamento direto pelo app do Nubank.
- Crédito adicional: o sistema oferece limite extra para compras na plataforma, sem necessidade de aprovação prévia no cartão físico.
- Parcelamento em até 24 vezes: dependendo do perfil do usuário, é possível dividir o valor da compra em até duas dezenas de parcelas, com condições exclusivas.
- Segurança digital: a transação é feita de forma criptografada, sem compartilhamento de dados bancários.
Com isso, a Amazon passa a contar com um método de pagamento totalmente integrado, capaz de aumentar a conversão de clientes e reduzir abandono de carrinho, um dos maiores desafios do comércio eletrônico.
Reações do mercado: o impacto na competição
A parceria foi recebida com entusiasmo pelo mercado financeiro. O BTG Pactual destacou, em relatório, que a integração com o Nubank reforça o processo de “localização profunda” da operação da Amazon no Brasil, tornando o ecossistema mais aderente aos hábitos de consumo locais.
“A aliança com o Nubank aumenta o GMV (volume bruto de mercadorias) e o volume de transações da Amazon, mas também gera desafios de margem no curto prazo”, escreveram os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Pedro Lima.
De acordo com o BTG, o movimento reforça a acessibilidade e o poder de compra dos consumidores brasileiros, que tradicionalmente dependem do parcelamento sem juros — modalidade que representa 41% dos gastos com cartão de crédito no país.
Por outro lado, o banco alerta que subsidiar a logística e oferecer prazos longos de parcelamento pode pressionar a rentabilidade no curto prazo, especialmente em um contexto global de juros altos.
Expansão logística: 100 novos centros até 2025
Em paralelo à parceria com o Nubank, a Amazon também anunciou um robusto plano de expansão logística. A companhia abrirá 100 novos centros de distribuição no Brasil em 2025, elevando o total para 250 unidades.
A meta é ampliar a capilaridade da operação e reduzir os prazos de entrega, fortalecendo sua vantagem competitiva frente a rivais regionais como o Mercado Livre e a Shopee.
Redução de custos para vendedores
A empresa também confirmou que vai reduzir taxas para sellers e isentar custos de fulfillment — incluindo armazenamento e entrega — até dezembro de 2025. Além disso, há descontos em programas logísticos como o Delivery By Amazon, iniciativa que vem ganhando adesão crescente entre pequenas e médias empresas.
Essas medidas visam aumentar a base de vendedores ativos e melhorar a experiência do consumidor, tornando a plataforma mais competitiva em preço e prazos.
Segundo o BTG, a Amazon já possui cobertura logística nacional, o que permitirá entregas mais rápidas e baratas em todas as regiões. Isso pressiona diretamente concorrentes como o Mercado Livre, que reduziu limites de frete grátis, e a Shopee, que cortou subsídios em campanhas de cupons.
A resposta dos concorrentes
O Mercado Livre, que lidera o e-commerce na América Latina, não ficou parado. Segundo o Itaú BBA, o grupo argentino-brasileiro já opera uma carteira de crédito de US$ 6 bilhões, contra US$ 510 milhões da Shopee — um diferencial que tem sustentado o crescimento de sua base de usuários.
O crédito, tanto via cartão quanto via empréstimos pessoais, representa cerca de 15% do GMV (volume bruto de vendas) do Mercado Livre no Brasil — o equivalente a US$ 4,9 bilhões.
“O crédito é uma alavanca essencial de crescimento para o Mercado Livre e vem se tornando cada vez mais importante no modelo de negócios”, observam os analistas do Itaú BBA.
Em seu último balanço trimestral, o Mercado Livre reportou receita líquida de US$ 7,4 bilhões, um salto de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior. O GMV cresceu 28%, totalizando US$ 16,5 bilhões.
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No Brasil, o cartão Mercado Pago se consolidou como o meio de pagamento mais usado dentro da plataforma, principalmente devido às condições diferenciadas de parcelamento.
Comparativo entre as plataformas
| Indicador (2025) | Amazon | Mercado Livre | Shopee |
|---|---|---|---|
| Carteira de crédito | Parceria com Nubank (NuPay) | US$ 6 bi | US$ 510 mi |
| Centros logísticos | 250 (em 2025) | 180 | 15 |
| Crescimento anual estimado | 14% | 33,6% | 11% |
| Ticket médio | +24% com NuPay | Alta constante | Baixo valor unitário |
| Principais desafios | Margem e rentabilidade | Custo de crédito | Rentabilidade e frete |
Os números indicam que o cenário de disputa pelo consumidor digital brasileiro está cada vez mais equilibrado. A Amazon aposta em infraestrutura e parcerias financeiras, enquanto o Mercado Livre foca na verticalização do crédito e a Shopee mantém sua estratégia de baixo custo e descontos agressivos.
O que dizem os analistas sobre o cenário de 2025
O BTG Pactual avalia que a Amazon está “acelerando o passo” no país, mesmo ciente da pressão de margem a curto prazo. O Itaú BBA também prevê crescimento comparável entre Amazon e Mercado Livre ao longo de 2025, indicando um equilíbrio inédito no setor.
“Para o Mercado Livre, o GMV do Brasil continua sendo a métrica crítica a ser observada neste ambiente altamente competitivo”, alerta o Itaú BBA em seu relatório.
Os analistas do banco acrescentam que os investidores permanecem confiantes no desempenho das duas empresas, desde que mantenham ritmo de crescimento sólido, mesmo com margens comprimidas.
As ações do Mercado Livre acumulam valorização de 33,6% em 2025, com valor de mercado estimado em US$ 111,4 bilhões, enquanto os papéis da Amazon subiram 14%, elevando sua capitalização para US$ 2,6 trilhões.
Estratégia de longo prazo da Amazon
Para os analistas, a integração com o Nubank e os investimentos logísticos demonstram uma estratégia de longo prazo da Amazon no Brasil, centrada em três pilares:
- Acessibilidade financeira: ampliar o alcance de crédito e parcelamento para novos consumidores;
- Eficiência operacional: reduzir custos e tempos de entrega com rede logística expandida;
- Competitividade local: adaptar sua operação às particularidades do mercado brasileiro, onde o parcelamento é decisivo para o consumo.
Com a chegada de 100 novos centros logísticos, a empresa deverá melhorar sua entrega no interior do país e reduzir a dependência de grandes centros urbanos, o que pode aumentar significativamente sua base de clientes.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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