A Amazon alcançou um feito histórico ao superar o Walmart e assumir o posto de maior empresa do mundo em vendas. Em 2025, a Amazon registrou US$ 717 bilhões em receitas, ligeiramente acima dos US$ 713 bilhões do Walmart, encerrando uma liderança de 13 anos da varejista tradicional no topo do ranking global, conforme destacou reportagem da CNN.
O marco vai além da disputa simbólica. Ele evidencia uma mudança estrutural no varejo global: a combinação de comércio eletrônico, serviços digitais, computação em nuvem e publicidade se mostrou mais escalável do que o modelo concentrado majoritariamente em lojas físicas.
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O que explica a virada da Amazon
Diversificação além do varejo tradicional
Embora Amazon e Walmart concorram no varejo para o consumidor final, a vantagem decisiva da Amazon veio de negócios que extrapolam a venda direta de produtos. Em 2025, a companhia consolidou três motores principais de crescimento:
Computação em nuvem e tecnologia
A divisão Amazon Web Services (AWS) faturou quase US$ 129 bilhões em 2025. O segmento fornece serviços de computação, armazenamento de dados e soluções de inteligência artificial para empresas privadas, governos e startups em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, bancos, fintechs e órgãos públicos utilizam infraestrutura em nuvem para reduzir custos e ganhar escala, prática alinhada às recomendações de modernização digital do setor público.
A AWS opera com margens mais altas do que o varejo tradicional, o que fortalece a rentabilidade da Amazon mesmo em períodos de pressão sobre preços ao consumidor.
Publicidade digital e assinaturas
Outro pilar relevante foi a expansão da publicidade e das assinaturas Prime, que juntas renderam mais de US$ 100 bilhões. O modelo se beneficia da vasta base de dados de consumo da Amazon, permitindo anúncios altamente segmentados, prática consolidada no mercado digital e alinhada às tendências globais de retail media.
Vendas online e físicas integradas
Cerca de US$ 464 bilhões da receita total da Amazon vieram das vendas em lojas online e físicas. A integração entre e-commerce, logística avançada e pontos físicos, como lojas automatizadas e centros de retirada, ampliou a eficiência operacional e reduziu prazos de entrega, fator decisivo para fidelização do consumidor.
O modelo do Walmart e sua adaptação
Forte presença física e foco em preço
O Walmart ainda concentra mais de 90% de suas vendas em lojas físicas e sites próprios, com forte apelo a famílias de classe média e alta em busca de preços competitivos. Esse modelo segue relevante, especialmente em regiões onde o comércio eletrônico ainda enfrenta desafios logísticos ou de acesso digital.
Transformação digital e visão de empresa de tecnologia
Apesar de perder a liderança em vendas globais, o Walmart vive um de seus melhores momentos financeiros. Suas ações ultrapassaram recentemente US$ 1 trilhão em valor de mercado, tornando-se a primeira varejista tradicional a atingir esse patamar. A decisão de transferir suas ações para a Nasdaq reforça a estratégia de se posicionar como empresa de tecnologia, não apenas de varejo.
Nos Estados Unidos, as vendas cresceram 4,6% no último trimestre, sinalizando que o modelo híbrido vem ganhando tração. Em comunicado oficial, o CEO John Furner afirmou que “o ritmo das mudanças no varejo está se acelerando” e que os resultados mostram que a empresa não apenas acompanha, mas lidera parte dessa transformação.
Impactos para o mercado global e para o Brasil
Mudança no conceito de “maior empresa”
O novo ranking evidencia que, no século XXI, ser a maior empresa em vendas exige mais do que escala física. Serviços digitais recorrentes, tecnologia e dados passaram a ter peso decisivo. Para o Brasil, isso serve de alerta e inspiração para grandes varejistas e grupos econômicos que buscam crescimento sustentável.
Reflexos no varejo brasileiro
No mercado nacional, redes varejistas vêm investindo em marketplaces próprios, logística integrada e soluções financeiras digitais. A ascensão da Amazon reforça a necessidade de diversificação de receitas, seja por meio de serviços tecnológicos, publicidade ou assinaturas, práticas já observadas em grandes players locais.
Concorrência e inovação para o consumidor
Para o consumidor brasileiro, a disputa tende a gerar benefícios diretos, como maior eficiência logística, preços mais competitivos e novos serviços digitais. Ao mesmo tempo, aumenta a pressão por regulação equilibrada, tema frequentemente discutido por órgãos como o Cade e entidades do setor varejista.
Perspectivas para os próximos anos
A liderança da Amazon em vendas não significa o enfraquecimento do Walmart. Pelo contrário: a tendência é de competição cada vez mais sofisticada, com ambos os grupos investindo em tecnologia, automação, inteligência artificial e experiência do cliente.
O que muda é o paradigma. O varejo global caminha para um modelo em que lojas físicas, plataformas digitais e serviços tecnológicos coexistem e se complementam. Quem conseguir integrar esses elementos de forma eficiente tende a liderar não apenas em vendas, mas também em relevância econômica.
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